I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 28: Ta Kuo / Preponderância do Grande

Imagem de 'Ta Kuo / Preponderância do Grande' - hexagrama número 28, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que estamos publicando no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


Para consultar o índice dos 64 hexagramas, basta acessar:


Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 28: Ta Kuo / Preponderância do Grande

Este hexagrama consiste de quatro linhas fortes no interior e duas linhas fracas no exterior. Quando os fortes estão no exterior e os fracos no interior, tudo vai bem, pois não há sobrecarga, nem ocorre nada de extraordinário.

Aqui, entretanto, acontece o contrário. O hexagrama representa uma viga grossa e pesada ao centro, porém demasiado fraca nas extremidades.

Essa é uma condição que não pode perdurar; deve ser modificada, deve passar, pois de outro modo o infortúnio ameaçará.

Julgamento


PREPONDERÂNCIA DO GRANDE. A viga-mestre cede a ponto de quebrar. É favorável ter onde ir. Sucesso.

O peso do grande é demasiado. A carga é excessiva para a força dos apoios.

A viga-mestra, sobre a qual todo o telhado se apoia, cede, porque as extremidades que visam à sustentação são muito fracas para suportar o peso. Medidas extraordinárias são necessárias, uma vez que esta é uma época e uma situação também excepcionais.

Deve-se procurar o mais rapidamente possível uma saída e então agir. Isso promete sucesso.

Pois, apesar do forte pesar demais, está no meio, isto é, no centro de gravidade, de modo que não há motivo para se temer uma revolução. Nada se poderá conseguir com medidas violentas.

O problema deve ser resolvido procurando-se chegar ao significado da situação de modo suave (como é sugerido pelo atributo do trigrama interno Sun, suave penetrar). Assim, a transição a outras condições terá sucesso.

Isso exige uma real superioridade. Por isso, a época da PREPONDERÂNCIA DO GRANDE é uma época excepcional.

Imagem


O lago sobrepassa às árvores: a imagem da PREPONDERÂNCIA DO GRANDE. Assim, o homem superior não se aflige quando está só e não se deixa abater quando deve renunciar ao mundo.

Épocas extraordinárias de preponderância do grande assemelham-se a uma inundação, quando o lago cobre as árvores. Porém, tais condições são passageiras.

A atitude correta em tais épocas excepcionais é indicada pelos trigramas: a imagem de Sun é a árvore, que permanece firme mesmo quando está só, e o atributo de Tui é a alegria, que permanece inabalável mesmo quando deve renunciar ao mundo.

Textos das linhas


Vigas cruzando e segurando paredes velhas: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Ta Kuo / Preponderância do Grande'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Seis na primeira posição significa: forrar com uma esteira de junco branco. Nenhuma culpa.

Quando se quer dar início a um empreendimento em meio a uma época excepcional, uma extraordinária cautela torna-se necessária, assim como, ao colocar algo pesado no chão, forra-se com junco embaixo para que nada se quebre.

Essa precaução pode parecer excessiva, mas não é um erro. Os empreendimentos excepcionais só podem ter sucesso caso se observe a máxima cautela nos primórdios e nas bases.

Nove na segunda posição significa: num álamo seco surge um broto na raiz. Um homem mais velho toma uma jovem como esposa. Tudo é favorável.

A madeira está junto à água, por isso a imagem de um velho álamo brotando na raiz. Isto significa um extraordinário redespertar do processo de crescimento.

Uma situação igualmente excepcional ocorre quando um homem mais velho casa-se com uma jovem que lhe é apropriada. Apesar de ser uma situação pouco comum, tudo corre bem.

Do ponto de vista político, o sentido do texto é de que em épocas extraordinárias é aconselhável reunir-se aos inferiores, pois há entre eles a possibilidade de uma renovação.
Nove na terceira posição significa: a viga-mestra cede a ponto de se partir. Infortúnio.

Isso indica uma personalidade que em tempos de preponderância do grande insiste em avançar com violência.

Não aceita os conselhos dos outros e, como consequência, estes, por sua vez, também não se mostram dispostos a apoiá-lo. Por este motivo a carga aumenta e a estrutura cede ou se parte.

Em épocas de perigo, uma atitude obstinada procurando avançar apenas acelera a catástrofe.

Nove na quarta posição significa: a viga-mestra é sustentada. Boa fortuna. Se há segundas intenções, isso é humilhante.

Um homem responsável consegue dominar a situação graças a relações amigáveis com seus inferiores.

Mas, se ao invés de procurar a salvação do todo ele fizesse mau uso de suas amizades, procurando obter poder e sucesso, isso levaria à humilhação.
Nove na quinta posição significa: um álamo seco floresce. Uma mulher idosa encontra um marido. Nenhuma culpa. Nenhum elogio.

Um álamo seco que floresce esgota, assim, suas forças e apenas apressa o seu fim. Uma mulher idosa casa-se novamente, porém a renovação não ocorre. Tudo permanece estéril.

Ainda que todas as formalidades sejam observadas, ao final resta apenas uma condição anômala.

Politicamente isso sugere que, quando em tempos de inseguranças se abandonam os vínculos com os subalternos e se mantém apenas aliança com as altas hierarquias, cria-se uma situação instável.

Seis na sexta posição significa: é preciso atravessar a água. Esta chega a cobrir a cabeça. Infortúnio. Nenhuma culpa.

Descreve-se aqui uma situação em que as condições excepcionais chegaram ao máximo. A pessoa é corajosa e quer cumprir seu dever, apesar de tudo. Isso a conduz ao perigo.

A água cobre-lhe a cabeça. Esse é o infortúnio. Porém, não há culpa quando se oferece a vida para que prevaleça o bem. Há coisas que são mais importantes que a própria vida.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Ta Kuo / Preponderância do Grande, da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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  • 29. K'an / O Abismal (Água)

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 27: I / As Bordas da Boca (Prover Alimento)

Imagem de 'I / As Bordas da Boca (Prover Alimento)' - hexagrama número 27, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

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Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 27: I / As Bordas da Boca (Prover Alimento)


Este hexagrama é a imagem de uma boca aberta; acima e abaixo as linhas firmes dos lábios e entre elas a abertura da boca.

Começando com a imagem da boca, através da qual o homem ingere os alimentos com os quais se nutre, o hexagrama prossegue com a idéia da nutrição ela própria.

As três linhas inferiores representam nutrir-se a si mesmo, em específico ao corpo. As três linhas superiores representam alimentar e cuidar dos outros num sentido mais elevado, espiritual.

Julgamento


AS BORDAS DA BOCA. A perseverança traz boa fortuna. Preste atenção à nutrição e àquilo que o homem procura para encher sua própria boca.

Ao se prover cuidados e alimentos é importante que as pessoas certas sejam atendidas e que nossa própria nutrição proceda de modo correto.

Para se conhecer alguém é necessário apenas observar a quem ele dispensa seus cuidados e quais os aspectos de seu próprio ser que cultiva e alimenta.

A natureza alimenta todos os seres. O homem superior cultiva e promove os homens capazes, para, através deles, velar por todos os homens. Mêncio comenta a respeito:
Para verificarmos se alguém é um homem superior ou inferior, só precisamos observar a que parte de si ele atribui uma especial importância. O corpo tem partes superiores e inferiores, importantes e secundárias. Não devemos prejudicar as importantes em favor das secundárias, assim como não devemos prejudicar as partes superiores por causa das inferiores. Aquele que cultiva as partes inferiores de seu ser é um ser inferior. Aquele que cultiva as partes superiores de seu ser é um homem superior.

Imagem


O trovão na base da montanha: a imagem de PROVER ALIMENTO. Assim o homem superior é cuidadoso em suas palavras e moderado no comer e beber.

"Deus surge no signo do Incitar". Quando, na primavera, as forças da vida voltam a se agitar, todas as coisas renascem. "Ele completa no signo da Quietude".

No começo da primavera, quando as sementes caem na terra, todas as coisas se realizam. Isto sugere a imagem da nutrição através de movimento e tranquilidade.

O homem superior faz disso um modelo para o desenvolvimento e o cultivo de seu caráter. As palavras são um movimento do interior para o exterior. Comer e beber são movimentos do exterior para o interior.

Essas duas formas de movimento podem ser moderadas através da tranquilidade. A tranquilidade faz com que as palavras e os alimentos não excedam a justa medida.

Deste modo cultiva-se o caráter.

Textos das linhas


Boca feminina aberta, com batom vermelho e uma mamona dourada: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''I / As Bordas da Boca (Prover Alimento)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: você deixa escapar sua tartaruga mágica e olha para mim, com os lábios caídos. Infortúnio.

A tartaruga mágica é um ser dotado de poderes extraordinários; pode viver do ar e não necessita de alimento material.

A imagem indica que uma pessoa que poderia viver com liberdade e independência abdica dessa autonomia interior, e olha com inveja e desgosto para aqueles que estão externamente em melhor posição.

Essa inveja mesquinha só provoca ironia e desprezo por parte dos outros. Isso leva a maus resultados.

Seis na segunda posição significa: dirigir-se ao alto em busca de alimento, afastar-se do caminho para buscar alimento na colina: caso se continue a agir assim, isso trará infortúnio.

Em geral ou as pessoas provêm seu próprio alimento ou são alimentadas por aqueles que têm esse dever e direito. Se, por uma fraqueza interior, alguém não é capaz de se manter, um certo mal-estar sobrevêm.

Isto se deve ao fato de se estar fugindo à responsabilidade de um correto meio de vida e aceitando ser sustentado pelo favor daqueles que se encontram em melhor posição. Isso é indigno, pois assim o homem se desvia de sua verdadeira natureza.

Aquele que prossegue nessa atitude será levado ao infortúnio.
Seis na terceira posição significa: afastando-se da nutrição. A perseverança traz infortúnio. Durante dez anos, não atue dessa forma. Nada é favorável.

Aquele que procura o alimento que não nutre, tenderá do desejo à gratificação e, na gratificação, despertará para o desejo. Uma desenfreada busca de prazer na satisfação dos sentidos jamais leva à meta.

Nunca (dez anos é um ciclo completo) se deve seguir um tal caminho, pois dele nada de bom resultará.

Seis na quarta posição significa: dirigir-se ao alto em busca de alimento traz boa fortuna. Espreitando em torno com o olhar cortante como o de um tigre numa avidez insaciável. Nenhuma culpa.

Ao contrário do seis na segunda posição, que significa um homem voltado apenas para vantagens pessoais, a linha na quarta posição refere-se a alguém que, ocupando uma alta posição, aspira por fazer brilhar sua luz.

Para isso precisa de ajuda, uma vez que sozinho não poderá alcançar sua elevada meta. Ávido como um tigre faminto, ele sai à procura das pessoas certas.

Como não se está trabalhando em proveito próprio, mas para o bem comum, tal empenho não é um erro.
Seis na quinta posição significa: desviar-se do caminho. Permanecer perseverante traz boa fortuna. Não se deve atravessar a grande água.

Um homem está consciente de uma deficiência sua. Ele deveria prover alimento às pessoas mas não tem força para tanto.

Assim sendo, ele deve se afastar do caminho habitual para pedir conselho e ajuda a um homem que lhe é espiritualmente superior, ainda que na aparência externa não se destaque. Mantendo-se esta atitude com perseverança, sucesso e boa fortuna estarão garantidos.

Mas é necessário permanecer consciente de sua posição dependente. Não se deve procurar pôr sua própria pessoa em destaque nem tentar empreender grandes tarefas, tais como atravessar a grande água.

Nove na sexta posição significa: a fonte da nutrição. A consciência do perigo traz boa fortuna. É favorável atravessar a grande água.

Aqui se descreve um sábio da mais elevada estirpe, do qual emanam todas as influências que provêm alimento aos outros. Tal posição implica em grave responsabilidade.

Se ele permanecer consciente desse fato, terá boa fortuna e poderá, confiante, empreender grandes e difíceis tarefas, como atravessar a grande água. Tais realizações trarão felicidade geral, para ele e para todos.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama I / As Bordas da Boca (Prover Alimento), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 26: Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande


Imagem de 'Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande' - hexagrama número 26, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
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  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
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Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 26: Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande

O "Criativo" é domesticado pela "Quietude". Isso produz uma grande força, em contraste com o hexagrama 9, O PODER DE DOMAR DO PEQUENO, onde o "Criativo" é domado pela "Suavidade" sozinha.

Lá, uma linha fraca deve domar as cinco linhas fortes, enquanto aqui quatro linhas fortes são contidas por duas linhas fracas; além de um ministro, há também o príncipe, e assim o poder domesticador é bem mais poderoso.

O hexagrama tem um triplo sentido, expressando diferentes aspectos do conceito de conter e sujeitar com firmeza.

O céu, em meio à montanha, dá a idéia de conter, no sentido de manter unido. O trigrama Kên, que mantém o trigrama Ch'ien em repouso, sugere o sujeitar, no sentido de deter. Finalmente, uma linha forte surge acima, como governante do hexagrama, sendo reverenciada e atendida como o seria um sábio.

Disso decorre a idéia de sujeitar no sentido de atender e nutrir. Esse último significado é ressaltado pelo governante do hexagrama, a linha forte, superior, que representa o sábio.

Julgamento


O PODER DE DOMAR DO GRANDE. A perseverança é favorável. Fazer as refeições fora de casa traz boa fortuna. É favorável cruzar a grande água.
Para conter e acumular grandes poderes criativos, como acontece neste hexagrama, é necessário um homem forte e lúcido que seja honrado pelo governante.

O trigrama Ch'ien indica forte poder criativo, o trigrama Kên indica firmeza e verdade. Ambos sugerem luz e clareza e a renovação diária do caráter.

Só assim pode o homem permanecer na plenitude de seus poderes. Em épocas tranquilas, a força do hábito ajuda a manter a ordem, mas em períodos em que há um grande acúmulo de energia, tudo depende do poder da personalidade.

Entretanto, já que os valorosos são honrados, como no caso da forte personalidade a quem o governante confiou a chefia, é favorável não alimentar-se em casa e, sim, ganhar o seu sustento assumindo uma função numa atividade pública.

Tal homem está em harmonia com o céu; por isso, até as tarefas mais difíceis e perigosas, como a travessia da grande água, têm sucesso.

Imagem


O céu no interior da montanha: a imagem do PODER DE DOMAR DO GRANDE. O homem superior se põe a par dos muitos ditos da antiguidade e dos fatos do passado, de modo a fortalecer assim seu caráter.

O céu no interior da montanha indica tesouros ocultos. Assim também, nas palavras e atos do passado, jaz oculto um tesouro que o homem pode utilizar para fortalecer e elevar seu próprio caráter.

O estudo do passado não deve se limitar a um mero conhecimento da história, mas deve, através da aplicação desse conhecimento, procurar dar atualidade ao passado.

Textos das linhas


Baú de tesouros no fundo do aquário: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: o perigo ameaça. É favorável desistir.

Um homem desejaria realizar um vigoroso avanço, mas as circunstâncias lhe apresentam um obstáculo. Ele é contido com firmeza.

Se tentasse forçar um avanço, isso o levaria ao infortúnio. Portanto, é melhor controlar-se e esperar até que surja uma possibilidade para dar vazão às forças acumuladas.

Nove na segunda posição significa: os eixos da carroça foram retirados.

Aqui, o avanço está contido, assim como na terceira linha do hexagrama 9, O PODER DE DOMAR DO PEQUENO. Mas lá a força que obstrui é pequena, resultando num conflito entre o movimento propulsor e a retenção, com a consequente perda dos raios das rodas.

Aqui, a força paralisadora é decididamente superior, e por isso não há luta. A pessoa, então, se submete, remove os suportes dos eixos da carroça e limita-se a esperar.

Assim ela acumula a energia para um vigoroso avanço futuro.

Nove na terceira posição significa: um bom cavalo que segue a outros. É favorável ter consciência do perigo e perseverança. Pratique diariamente a condução da carroça e a defesa armada. É favorável ter aonde ir.
O caminho se desobstrui. O impedimento passou.

Um homem está ligado a uma poderosa vontade, a qual atua no mesmo sentido que a sua própria. Ele avança como um bom cavalo que segue a outro.

Mas o perigo ainda ameaça e ele deve permanecer consciente disso para que não lhe roubem a firmeza. Assim, ele deve se exercitar no que lhe possibilita avançar tanto quanto no que o protege contra um ataque inesperado.

É aconselhável ter um objetivo pelo qual se aspire.

Seis na quarta posição significa: a tábua protetora de um novilho. Grande boa fortuna.

Esta linha e a seguinte são as que domam as linhas inferiores que desejam avançar.

Antes que cresçam os chifres de um touro, coloca-se uma tábua protetora na sua cabeça a fim de impedir que, uma vez crescidos, venham a ferir. Prevenir o despertar da ferocidade antes que se manifeste é uma boa forma de domesticar.

Assim se atinge um grande e fácil sucesso.

Seis na quinta posição significa: as presas de um javali castrado. Boa fortuna!
A contenção de um impetuoso impulso para avançar é aqui conseguida de modo indireto. As presas do javali em si são perigosas, mas quando a natureza deste é alterada, o perigo desaparece.

Assim também não se deve combater diretamente a agressividade dos homens; deve-se, isto sim, extirpar suas raízes.

Nove na sexta posição significa: o caminho do céu é alcançado. Sucesso.

Passou a época da contenção. A força, que se acumulara durante um longo período, em virtude dos obstáculos, abre caminho e alcança grande sucesso.

Isso se refere a um sábio sendo honrado pelo governante; seus princípios prevalecem e dão forma ao mundo.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande, da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 25: Wu Wang / Inocência (O Inesperado)


Imagem de 'Wu Wang / Inocência (O Inesperado)' - hexagrama número 25, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

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Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 25: Wu Wang / Inocência (O Inesperado)

Acima está Ch'ien, o céu; abaixo, Chên, movimento. O trigrama inferior, Chên, está sob a influência da linha forte que recebeu de cima, do céu.

Quando, de acordo com isso, o movimento segue a lei dos céus, o homem se torna inocente e sincero. Sua mente permanece natural e autêntica, não sendo obscurecida por reflexões ou por segundas intenções.

Pois sempre que surge um propósito consciente, a autenticidade e inocência da natureza se perdem. A natureza que não é guiada pelo espírito não é verdadeira, degenerou-se. Partindo da idéia da naturalidade, o hexagrama prossegue e abrange também as noções do inesperado, não-intencional.

Julgamento


INOCÊNCIA. Supremo sucesso. A perseverança é favorável. Se o homem não é correto, terá infortúnio e não será favorável empreender coisa alguma.

O homem recebeu do céu uma natureza essencialmente boa, para guiá-lo em todos os seus movimentos. Entregando-se a esse princípio divino dentro de si, o homem alcança uma inocência incontaminada.

Ela o conduz ao bem com certeza instintiva e livre de intenções ulteriores de recompensa ou vantagem. Essa certeza instintiva traz supremo sucesso e "favorece através da perseverança".
Mas nem tudo o que é instintivo é também natural, nesse sentido mais elevado da palavra, mas somente o que é correto, aquilo que corresponde à vontade dos céus. Uma forma de agir instintiva e irrefletida, que não possua retidão, só poderá causar infortúnio.

Confúcio comentava a respeito:

Onde irá aquele que se afasta da inocência? A vontade e as bênçãos dos céus não acompanham seus atos.

Imagem


Em baixo do céu está o trovão: todas as coisas alcançam o estado natural da INOCÊNCIA. Assim, os reis da antiguidade, ricos em virtude e em harmonia com o tempo, cultivavam e alimentavam a todos os seres.

Na primavera, quando o trovão, a força da vida, volta a mover-se debaixo do céu, tudo brota e cresce e todos os seres recebem da atividade criadora da natureza a inocência infantil de seu estado original.

O mesmo ocorre com os bons governantes dos homens: com sua riqueza interior atendem a todas as formas de vida e cultura, provendo-lhes do possível, no momento correto.

Textos das linhas


Mulher sorridente, de chapéu de palha, na colheita do café em um dia ensolarado: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Wu Wang / Inocência (O Inesperado)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: conduta inocente traz boa fortuna!

Os impulsos primordiais do coração são sempre benéficos; pode-se segui-los confiante, seguro de que se terá boa fortuna, e os objetivos serão alcançados.

Seis na segunda posição significa: se não pensamos na colheita enquanto aramos, nem o uso do campo quando o preparamos, então será favorável empreender algo.

Todo trabalho deve ser realizado por seu intrínseco valor, de acordo com o momento e as circunstâncias, e não com vistas ao resultado.

Assim, qualquer trabalho frutificará, e tudo aquilo que se empreender terá sucesso.

Seis na terceira posição significa: infortúnio não merecido: a vaca que foi amarrada por alguém é o lucro do viajante e a perda do cidadão.

Às vezes o infortúnio ocorre a alguém sem que tenha culpa, como quando um viajante leva uma vaca que se encontra amarrada no caminho. Seu lucro é a perda do dono.

Em todas as ações, mesmo as mais inocentes, o homem deve se adaptar às exigências do tempo, pois de outro modo será colhido por um infortúnio inesperado.

Nove na quarta posição significa: aquele que é capaz de perseverar permanece sem culpa.

Uma pessoa não pode perder o que verdadeiramente lhe pertence, nem mesmo se o joga fora. Assim sendo, não é necessário que se angustie.

Deve cuidar somente de permanecer fiel à sua própria essência e não dar ouvidos aos outros.

Nove na quinta posição significa: não utilize medicamento algum caso tenha contraído uma doença sem ter culpa nisso. Ela passará por si mesma.

Um mal inesperado advém do exterior.

Se ele não tem origem na natureza da pessoa, nem encontra nela um ponto de apoio, não se deve recorrer a meios externos para eliminá-lo. Deve-se deixar que a natureza siga seu próprio curso, e tudo melhorará por si mesmo.

Nove na sexta posição significa: ação inocente traz infortúnio. Nada é favorável.

Quando, numa situação qualquer, ainda não é chegado o momento próprio ao progresso, deve-se esperar em tranquilidade, sem segundas intenções. Quando se age irrefletidamente, tentando avançar em oposição ao destino, o sucesso não será atingido.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Wu Wang / Inocência (O Inesperado), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 24: Fu / Retorno (o Ponto de Transição)


Imagem de 'Fu / Retorno (o Ponto de Transição)' - hexagrama número 24, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

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Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 24: Fu / Retorno (o Ponto de Transição)

O ponto de transição é sugerido pelo fato de que, após as linhas obscuras expulsarem do hexagrama as linhas luminosas acima, uma outra linha luminosa surge novamente, embaixo.

O tempo das trevas passou. O solstício de inverno traz a vitória da luz.

Este hexagrama é atribuído ao décimo primeiro mês do calendário chinês, o mês do solstício (dezembro-janeiro).

Julgamento


RETORNO. Sucesso. Saída e entrada sem erro. Amigos chegam sem culpa. Para adiante e para trás segue o caminho. Ao sétimo dia vem o retorno. É favorável ter aonde ir.

Após uma época de decadência vem o ponto de transição. A luz poderosa que tinha sido banida retorna.

Porém, este movimento não é provocado pela força. Como a característica do trigrama superior K'un é a devoção, o movimento é natural e surge espontaneamente.

Por isso, a transformação do antigo também torna-se fácil. O velho é descartado e o novo, introduzido. Ambos os movimentos estão de acordo com as exigências do tempo e, portanto, não causam prejuízos.

Formam-se associações de pessoas que têm os mesmos ideais. Como tal grupo se une em público e está em harmonia com o tempo, os propósitos particulares e egoístas estão ausentes e, assim, erros são evitados.

A ideia de retorno baseia-se no curso da natureza. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo.

Por isso, não é necessário precipitá-lo artificialmente. Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido. Esse é o sentido do céu e da terra. Todos os movimentos se completam em seis etapas e a sétima traz o retorno.

Deste modo, o solstício de inverno, com o qual tem início o declínio do ano, ocorre no sétimo mês após o solstício de verão. Do mesmo modo, o nascer do sol ocorre na sétima hora dupla, 34 após o crepúsculo.

Por isso, o sete é o número da luz nova e surge quando ao seis, o número da grande escuridão, se adiciona a unidade. Assim, o estado de repouso dá lugar ao movimento.

Imagem


O trovão no interior da terra: a imagem do PONTO DE TRANSIÇÃO. Assim, os reis da antiguidade fechavam as passagens na época do solstício. Comerciantes e forasteiros não transitavam e o governante não viajava pelas províncias.

Na China, o solstício de inverno foi sempre celebrado como a época de repouso do ano - costume que se conserva até hoje, no período de descanso do ano novo. No inverno, a energia vital, simbolizada pelo trovão, "O Incitar", encontra-se ainda no interior da terra.

O movimento está em seus primórdios e, por isso, deve-se fortalecê-lo através do repouso, para que não se dissipe num uso prematuro. Esse princípio básico, de fazer com que a energia nascente se fortifique através do repouso, aplica-se a todas as situações similares.

A saúde que retorna após uma doença, o entendimento que ressurge após uma discórdia, enfim, tudo o que está recomeçando deve ser tratado com suavidade e cuidado, para que o retorno leve ao florescimento.

Textos das linhas


Nascer do sol com a luz refletida nas nuvens: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Fu / Retorno (o Ponto de Transição)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: retorno de uma curta distância. Não é necessário remorso. Grande boa fortuna!

Pequenos desvios do bem não podem ser evitados. Porém, é preciso retroceder a tempo, antes de ir longe demais.

Isto é especialmente importante na formação do caráter. Todo pensamento maléfico, por menor que seja, deve ser imediatamente afastado, antes que avance demais e se enraíze na mente.

Assim, não haverá necessidade de arrependimento e tudo irá bem.

Seis na segunda posição significa: retorno tranqüilo. Boa fortuna.

O retorno é um ato de autodomínio e sempre exige decisão. Isto se torna mais fácil quando uma pessoa se encontra em boa companhia.

Se consegue pôr de lado o orgulho e segue o exemplo dos homens de bem, encontra boa fortuna.

Seis na terceira posição significa: retorno repetido. Perigo. Nenhuma culpa.

Há pessoas que, em virtude de uma certa instabilidade interior, tendem constantemente a retroceder.

É sem dúvida perigoso esse movimento hesitante que, com freqüência, se deixa afastar do bem em virtude de desejos descontrolados para, em seguida, retroceder, mudando sua opinião.

Mas como isso também não conduz a uma consolidação do mal, a tendência geral a superar o defeito não está excluída por completo.

Seis na quarta posição significa: andando no meio dos outros, retorna-se sozinho.

Alguém se encontra em meio a uma sociedade de homens inferiores, mas se mantém ligado por vínculos interiores a um amigo forte e bom; isso o leva a retornar sozinho.

Embora não se faça qualquer menção à recompensa ou castigo, esse retorno é certamente favorável, pois a opção pelo bem traz sua própria recompensa.

Seis na quinta posição significa: retorno digno. Nenhum arrependimento.

Quando o movimento do retorno chega, não se deve buscar refúgio em desculpas banais e sim proceder a uma introspecção e a um auto-exame.

Caso se tenha cometido algum erro, deve-se tomar a nobre decisão de reconhecer o erro. Ninguém se arrependerá de seguir esse caminho.

Seis na sexta posição significa: perde-se o retorno. Infortúnio. Infortúnio interno e externo. Se os exércitos forem postos em marcha desta forma, se sofrerá, ao final, uma grande derrota, desastrosa para o governante do país. Durante dez anos não se estará em condições de atacar.

Quando se perde o momento certo para o retorno, encontra-se o infortúnio.

O infortúnio tem sua causa interna numa atitude errônea diante do mundo. O infortúnio externo é conseqüência dessa atitude errônea.

Descreve-se aqui uma cega obstinação e o julgamento correspondente.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Fu / Retorno (o Ponto de Transição), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.


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