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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 47: K'un / Opressão (A Exaustão)

Imagem de 'K'un / Opressão (A Exaustão)' - hexagrama número 47, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


Para consultar o índice dos 64 hexagramas, basta acessar:


Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 47: K'un / Opressão (A Exaustão)

O lago está acima, a água, abaixo; o lago está vazio, seco.

A idéia de exaustão é também sugerida por um outro aspecto: acima, uma linha obscura oprime duas linhas luminosas; abaixo, uma linha luminosa está aprisionada entre duas linhas obscuras.

O trigrama superior pertence ao princípio da escuridão, enquanto o trigrama inferior pertence ao princípio da luz.

Assim, em toda parte, os homens inferiores limitam e oprimem os homens superiores.

Julgamento


A OPRESSÃO. Sucesso. Perseverança. O grande homem promove a boa fortuna. Nenhuma culpa. Quando ele tem algo a dizer, não lhe dão crédito.

Épocas de adversidade são o oposto do tempo do sucesso. No entanto, podem conduzir ao sucesso quando recaem sobre um homem correto.

Uma pessoa forte, quando confrontada com a adversidade, permanece tranquila e jovial, apesar de todo o perigo, e essa calma jovialidade servirá de base para êxitos mais tarde.

Esta estabilidade é mais poderosa que a sorte.

Aquele cujo espírito se deixa quebrar pela opressão, não chegará ao sucesso. Mas quando a adversidade não consegue senão curvar um homem, nele é gerada uma força de reação que, com o tempo, se manifestará.

Mas nenhum homem inferior é capaz disto. Só o homem superior promove a boa fortuna e permanece sem culpa.

Não há dúvida que, por hora, lhe é impossível exercer influência no plano externo, pois suas palavras não têm efeito. Épocas de adversidade exigem, portanto, força interior e economia de palavras.

Imagem


Não há água no lago: a imagem da EXAUSTÃO. Assim, o homem superior arrisca sua vida para seguir sua vontade.

Quando há um vazamento e a água flui embaixo, o lago acaba por secar, esgotando-se. Isto é uma fatalidade. Simboliza também um destino adverso na vida humana.

Em tais épocas, não há nada que se possa fazer a não ser aceitar seu destino e permanecer fiel a si mesmo.

Isso se refere aos níveis mais profundos de nosso próprio ser, onde somente se pode superar toda e qualquer fatalidade externa.

Textos das linhas


Terra seca e rachada com restos de folhas: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''K'un / Opressão (A Exaustão)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Seis na primeira posição significa: ele se senta, oprimido, debaixo de uma árvore seca e mergulha num vale sombrio. Durante três anos, não vê nada.

Quando a adversidade recai sobre alguém, é de suma importância despertar forças e superar interiormente as dificuldades.

Mas quando um homem é fraco, deixa-se vencer pelos problemas. Ao invés de prosseguir, ele se deixa ficar sentado embaixo de uma árvore seca, mergulhando cada vez mais na escuridão e melancolia.

Isto torna a situação cada vez mais sem esperanças. Essa atitude é decorrente de uma cegueira interior que deve ser superada a todo custo.

Nove na segunda posição significa: ele se sente oprimido em meio a vinho e comida. O homem de joelheiras vermelhas está chegando. É favorável oferecer sacrifícios. Partir traz infortúnio. Nenhuma culpa.

Isso representa um estado de opressão interior. Exteriormente, tudo vai bem; há comida e bebida. A rotina da vida, no entanto, provoca uma exaustão e parece não haver saída.

Uma ajuda vem, então, do alto. Um príncipe - os príncipes na antiga China usavam joelheiras vermelhas - está à procura de auxiliares competentes. Mas há ainda obstáculos a superar.

É, então, importante que eles sejam enfrentados no âmbito do invisível através de sacrifícios e orações. Partir sem se estar preparado poderia ser desastroso, ainda que não fosse eticamente errado.

Aqui, uma situação desagradável precisa ser superada através de um espírito paciente.

Seis na terceira posição significa: ele se deixa oprimir pela pedra e se apoia em espinhos e cardos. Ele entra em sua casa e não vê a esposa. Infortúnio!

Isso mostra um homem inquieto e indeciso em épocas de adversidade.

A princípio, ele quer avançar, mas logo se depara com obstáculos que, no entanto, implicariam em opressão apenas se enfrentados de maneira irrefletida.

Ele arremete com a cabeça contra o muro e como resultado sente-se oprimido pelo muro. Apóia-se, então, em coisas que não têm estabilidade e são, portanto, perigosas para aqueles que nelas buscam apoio.

Indeciso, ele caminha de volta à sua casa só para descobrir, em mais uma desilusão, que sua esposa não se encontra lá.

Confúcio comenta a respeito dessa linha:
Caso um homem se deixe oprimir por algo que não deveria oprimi-lo, seu nome sem dúvida cairá em desgraça. Caso ele se apóie em coisas sobre as quais não deveria apoiar-se, sua vida com certeza correrá perigo. Para aquele que se encontra em desgraça e perigo, a hora da morte está próxima. Como então poderá ainda ver a sua mulher?

Nove na quarta posição significa: ele vem muito lentamente, oprimido numa carroça de ouro. Humilhação, mas ainda assim a meta é atingida.

Um homem abastado vê as necessidades das classes inferiores e deseja ajudar.

Mas, ao invés de proceder com presteza e energia nas providências necessárias, ele toma a iniciativa de modo hesitante e com demasiada cautela. Encontra, então, obstáculos.

Pessoas poderosas e ricas atraem-no a seu círculo. Ele se vê forçado a aceder e não pode se afastar.

Isso o deixa numa posição incômoda. Mas o problema é passageiro. A força original de sua natureza o leva a superar o erro cometido, e o objetivo é alcançado.

Nove na quinta posição significa: cortam seu nariz e seus pés. A opressão vem de alguém com joelheiras púrpuras. Lentamente, chega a alegria. É favorável oferecer sacrifícios e dádivas.

Alguém que se interessa pelo bem do povo sofre opressão tanto por parte dos que estão acima quanto dos que se encontram abaixo (este o sentido do nariz e dos pés cortados).

Ele não encontra ajuda entre aqueles cujo dever seria cooperar no trabalho de salvação (os ministros usavam joelheiras púrpuras).

Mas, pouco a pouco, as coisas vão melhorando. Até que isto se concretize, ele deve se voltar para Deus, num intenso recolhimento interior, orar e oferecer sacrifícios em favor do bem comum.

Seis na sexta posição significa: ele é oprimido por trepadeiras. Movimenta-se de modo inseguro e diz: "o movimento traz remorso". Caso sinta arrependimento por tal atitude e comece a agir, terá boa fortuna.

Um homem se deixa oprimir por laços fáceis de cortar. A opressão está chegando ao fim.

Mas ainda se está inseguro e sob a influência das condições anteriores; teme-se que qualquer movimento dê motivo a arrependimento.

Mas logo que chegue a uma compreensão da situação, este estado mental será superado e, com uma decisão firme, a opressão será dominada.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama K'un / Opressão (A Exaustão), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

Caso tenha interesse, pode adquirir o livro clicando na imagem a seguir:



Para consultar o índice dos hexagramas, clique:

Próximo hexagrama:
  • 48. Ching / O Poço

Hexagrama anterior:


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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.

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