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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 43: Kuai / Irromper

Imagem de 'Kuai / Irromper' - hexagrama número 43, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


Para consultar o índice dos 64 hexagramas, basta acessar:


Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 43: Kuai / Irromper



Este hexagrama significa, por um lado, uma abertura de caminho após uma prolongada tensão, como o irromper de um rio através de seus diques, ou como a descarga de uma chuva torrencial.

Por outro lado, aplicado às condições humanas, significa a época em que os homens inferiores começam a desaparecer.

Sua influência decresce e uma ação decidida abre caminho para novas condições. Este hexagrama é atribuído ao terceiro mês do calendário chinês (abril-maio).

Julgamento


IRROMPER. Deve-se dar a conhecer o assunto na corte do rei com determinação. Deve ser exposto com veracidade. Perigo. É preciso notificar sua própria cidade. Não é favorável recorrer às armas. É favorável empreender algo.

Ainda que um só homem inferior ocupe uma posição influente numa cidade, ele poderá oprimir os homens superiores.

Ainda que uma só paixão subsista no coração, poderá ela obscurecer a razão. Paixão e razão não podem coexistir, portanto uma luta sem tréguas é necessária para que o bem prevaleça.

Num combate tenaz do bem contra o mal há, porém, regras precisas que devem ser respeitadas para que se possa alcançar o sucesso:

  1. A determinação deve basear-se numa união da força com a amabilidade.
  2. Não é possível um compromisso com o mal; ele deve ser abertamente desacreditado, sejam quais forem as circunstâncias. Nem se deve procurar encobrir suas próprias faltas e paixões.
  3. A luta não deve ser conduzida diretamente através da violência. Quando o mal é denunciado e acusado, tende a reagir recorrendo às armas. Se lhe fazemos o favor de responder golpe por golpe, ao final sairemos perdendo, pois seremos envolvidos por ódio e paixão. Por isso, é necessário começarmos por nós mesmos, evitando cometer os erros que censuramos. Não encontrando adversário, as armas do mal perdem naturalmente seu caráter cortante. Do mesmo modo, não devemos combater diretamente nossos próprios defeitos. Enquanto insistirmos em desafiá-los, permanecerão sempre vitoriosos.
  4. A melhor maneira de combater o mal é procurar progredir com energia na direção do bem.



Imagem


O lago elevou-se aos céus: a imagem do IRROMPER. Assim o homem superior distribui riquezas para os que estão abaixo e evita acomodar-se à sua virtude.

Quando a água do lago elevou-se até aos céus, há que se temer o desencadeamento de uma chuva torrencial. Tomando isto como uma advertência, o homem superior prevê a tempo um colapso violento.

Aquele que acumulasse riquezas para si só, sem pensar nos outros, sofreria, certamente, um desastre. Pois a todo acumular se segue um ciclo de dispersão.

Por isso, o homem superior procura distribuir enquanto está recolhendo.

Na formação de seu caráter, ele também evita se deixar enrijecer em atitudes obstinadas, procurando permanecer receptivo, graças a uma rigorosa e constante análise de si mesmo.

Textos das linhas


Armadura medieval em primeiro plano, ao lado de uma alabarda desfocada : ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Kuai / Irromper'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: poderoso nos dedos dos pés, que avançam. Se um homem segue adiante sem estar à altura da tarefa, cometerá um erro.

Em épocas de avanço resoluto, o início é particularmente difícil. Há um entusiasmo para avançar com decisão, mas a resistência é ainda demasiado forte.

É necessário, então, avaliar sua própria força e prosseguir, apenas, até onde há certeza de sucesso.

Lançar-se adiante cegamente é um erro, em particular no começo, quando um revés inesperado pode ter as mais desastrosas conseqüências.

Nove na segunda posição significa: um grito de alarme. Armas ao entardecer e ao anoitecer. Não tema coisa alguma.

Estar preparado é tudo que importa. A decisão exige cautela.

Quando se é cauteloso e atento não há razão para assustar-se ou perturbar-se. Mantendo-se alerta antes do perigo surgir se estará preparado para enfrentá-lo e, portanto, não há nada a temer.

O homem superior permanece em guarda contra o que ainda não pode ver, e atento àquilo que ainda não pode ouvir. Por isso ele vive em meio a dificuldades, como se não fossem dificuldades.

Quando um homem cultiva seu caráter, os outros submetem-se a ele espontaneamente. Quando a razão triunfa, as paixões por si mesmas se recolhem.

Manter a seriedade e não esquecer sua armadura - eis o caminho certo para a segurança.



Nove na terceira posição significa: ser poderoso na face traz infortúnio. O homem superior está firmemente decidido. Ele caminha sozinho e é surpreendido pela chuva. Molha-se e pessoas murmuram contra ele. Nenhuma culpa.

Aqui, um homem se encontra numa situação ambígua. Enquanto todos estão empenhados na luta decidida contra os homens inferiores, somente ele mantém um certo relacionamento com um homem inferior.

Caso tente se mostrar forte exteriormente, enfrentando-o antes do momento próprio, colocará em risco toda a situação. O homem inferior então se adiantaria, tomando medidas preventivas.

A tarefa do homem superior aqui é muito difícil. Ele precisará estar internamente muito firme para que, mesmo permanecendo associado ao homem inferior, possa evitar participar de sua vilezas.

Isso fará com que seja, sem dúvida, mal interpretado. Julgarão que ele pertence à facção do homem inferior. Ficará então sozinho, pois ninguém o compreenderá.

Seu relacionamento com o homem inferior o torna indigno aos olhos da multidão que, revoltada, o recrimina e acusa. Mas ele suporta o desprezo, não comete erro algum, pois permanece fiel à sua consciência.

Nove na quarta posição significa: não há pele nas coxas e torna-se difícil caminhar. Se nos deixássemos conduzir como uma ovelha, o arrependimento desapareceria. Porém, quando ouvimos estas palavras não lhes damos crédito.

Em virtude de uma inquietação interna, um homem não consegue permanecer em seu lugar próprio. Quer avançar de qualquer maneira, mas encontra obstáculos insuperáveis.

Surge, então, um conflito interior, resultante do desejo obstinado de impor sua própria vontade. Tudo iria bem, se ele desistisse de sua atitude obstinada.

Mas este conselho, como tantos outros bons conselhos, será ignorado. Porque a obstinação faz com que, apesar de se ter ouvidos, não se possa ouvir.



Nove na quinta posição significa: ao lidar com a erva daninha é preciso uma firme decisão. Caminhando pelo meio se permanece livre de culpa.

Ervas daninhas renascem sempre e são difíceis de exterminar.

Assim também, a luta contra um homem inferior numa posição elevada exige uma firme decisão. Como se está associado a ele, há perigo de se desistir da luta considerada perdida.

Mas isso não deve acontecer. É preciso seguir com decisão, sem se deixar desviar do caminho. Só assim se permanecerá livre de culpa.

Seis na sexta posição significa: nenhum chamado. Ao final, chega o infortúnio.

A vitória parece conquistada. Resta apenas um remanescente do mal e este é o momento de erradicá-lo de forma definitiva. Tudo parece muito fácil. Mas nisso, justamente, reside o perigo.

Caso não se esteja alerta, o mal poderá escapar, ocultando-se. Uma vez tendo escapado, dessas sementes restantes surgirão novos infortúnios, pois o mal não desaparece facilmente.

O mesmo acontece com as falhas de caráter. Para erradicá-las é preciso um trabalho firme e profundo.

Se o homem, por negligência, deixasse que alguma falha subsistisse, isso acarretaria novos infortúnios.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Kuai / Irromper, da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

Caso tenha interesse, pode adquirir o livro clicando na imagem a seguir:



Para consultar o índice dos hexagramas, clique:

Próximo hexagrama:
  • 44. Kou / Vir ao Encontro

Hexagrama anterior:


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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.

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