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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 28: Ta Kuo / Preponderância do Grande

Imagem de 'Ta Kuo / Preponderância do Grande' - hexagrama número 28, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que estamos publicando no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


Para consultar o índice dos 64 hexagramas, basta acessar:


Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 28: Ta Kuo / Preponderância do Grande

Este hexagrama consiste de quatro linhas fortes no interior e duas linhas fracas no exterior. Quando os fortes estão no exterior e os fracos no interior, tudo vai bem, pois não há sobrecarga, nem ocorre nada de extraordinário.

Aqui, entretanto, acontece o contrário. O hexagrama representa uma viga grossa e pesada ao centro, porém demasiado fraca nas extremidades.

Essa é uma condição que não pode perdurar; deve ser modificada, deve passar, pois de outro modo o infortúnio ameaçará.


Julgamento


PREPONDERÂNCIA DO GRANDE. A viga-mestre cede a ponto de quebrar. É favorável ter onde ir. Sucesso.

O peso do grande é demasiado. A carga é excessiva para a força dos apoios.

A viga-mestra, sobre a qual todo o telhado se apoia, cede, porque as extremidades que visam à sustentação são muito fracas para suportar o peso. Medidas extraordinárias são necessárias, uma vez que esta é uma época e uma situação também excepcionais.

Deve-se procurar o mais rapidamente possível uma saída e então agir. Isso promete sucesso.

Pois, apesar do forte pesar demais, está no meio, isto é, no centro de gravidade, de modo que não há motivo para se temer uma revolução. Nada se poderá conseguir com medidas violentas.

O problema deve ser resolvido procurando-se chegar ao significado da situação de modo suave (como é sugerido pelo atributo do trigrama interno Sun, suave penetrar). Assim, a transição a outras condições terá sucesso.

Isso exige uma real superioridade. Por isso, a época da PREPONDERÂNCIA DO GRANDE é uma época excepcional.

Imagem


O lago sobrepassa às árvores: a imagem da PREPONDERÂNCIA DO GRANDE. Assim, o homem superior não se aflige quando está só e não se deixa abater quando deve renunciar ao mundo.

Épocas extraordinárias de preponderância do grande assemelham-se a uma inundação, quando o lago cobre as árvores. Porém, tais condições são passageiras.

A atitude correta em tais épocas excepcionais é indicada pelos trigramas: a imagem de Sun é a árvore, que permanece firme mesmo quando está só, e o atributo de Tui é a alegria, que permanece inabalável mesmo quando deve renunciar ao mundo.

Textos das linhas


Vigas cruzando e segurando paredes velhas: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Ta Kuo / Preponderância do Grande'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Seis na primeira posição significa: forrar com uma esteira de junco branco. Nenhuma culpa.

Quando se quer dar início a um empreendimento em meio a uma época excepcional, uma extraordinária cautela torna-se necessária, assim como, ao colocar algo pesado no chão, forra-se com junco embaixo para que nada se quebre.

Essa precaução pode parecer excessiva, mas não é um erro. Os empreendimentos excepcionais só podem ter sucesso caso se observe a máxima cautela nos primórdios e nas bases.

Nove na segunda posição significa: num álamo seco surge um broto na raiz. Um homem mais velho toma uma jovem como esposa. Tudo é favorável.

A madeira está junto à água, por isso a imagem de um velho álamo brotando na raiz. Isto significa um extraordinário redespertar do processo de crescimento.

Uma situação igualmente excepcional ocorre quando um homem mais velho casa-se com uma jovem que lhe é apropriada. Apesar de ser uma situação pouco comum, tudo corre bem.

Do ponto de vista político, o sentido do texto é de que em épocas extraordinárias é aconselhável reunir-se aos inferiores, pois há entre eles a possibilidade de uma renovação.
Nove na terceira posição significa: a viga-mestra cede a ponto de se partir. Infortúnio.

Isso indica uma personalidade que em tempos de preponderância do grande insiste em avançar com violência.

Não aceita os conselhos dos outros e, como consequência, estes, por sua vez, também não se mostram dispostos a apoiá-lo. Por este motivo a carga aumenta e a estrutura cede ou se parte.

Em épocas de perigo, uma atitude obstinada procurando avançar apenas acelera a catástrofe.

Nove na quarta posição significa: a viga-mestra é sustentada. Boa fortuna. Se há segundas intenções, isso é humilhante.

Um homem responsável consegue dominar a situação graças a relações amigáveis com seus inferiores.

Mas, se ao invés de procurar a salvação do todo ele fizesse mau uso de suas amizades, procurando obter poder e sucesso, isso levaria à humilhação.
Nove na quinta posição significa: um álamo seco floresce. Uma mulher idosa encontra um marido. Nenhuma culpa. Nenhum elogio.

Um álamo seco que floresce esgota, assim, suas forças e apenas apressa o seu fim. Uma mulher idosa casa-se novamente, porém a renovação não ocorre. Tudo permanece estéril.

Ainda que todas as formalidades sejam observadas, ao final resta apenas uma condição anômala.

Politicamente isso sugere que, quando em tempos de inseguranças se abandonam os vínculos com os subalternos e se mantém apenas aliança com as altas hierarquias, cria-se uma situação instável.

Seis na sexta posição significa: é preciso atravessar a água. Esta chega a cobrir a cabeça. Infortúnio. Nenhuma culpa.

Descreve-se aqui uma situação em que as condições excepcionais chegaram ao máximo. A pessoa é corajosa e quer cumprir seu dever, apesar de tudo. Isso a conduz ao perigo.

A água cobre-lhe a cabeça. Esse é o infortúnio. Porém, não há culpa quando se oferece a vida para que prevaleça o bem. Há coisas que são mais importantes que a própria vida.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Ta Kuo / Preponderância do Grande, da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

Caso tenha interesse, pode adquirir o livro clicando na imagem a seguir:



Para consultar o índice dos hexagramas, clique:

Próximo hexagrama:

Hexagrama anterior:


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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.

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