Ads Top

Arte conceitual de Rory McLeish com um gigante cego e um oponente menor
<< O gigante Ch'u é desafiado pelo pequeno Wu -- ilustração de Rory McLeish >> 

Os anais da arte da guerra e da história da antiga China, o Reino do Meio, estão repletos de batalhas que se tornaram célebres por diversas razões.

A de Chi-fu é uma delas, e após a leitura de sua narrativa, será possível entender um pouco os porquês. Para nossas intenções maquiavélicas, um destes porquês é exatamente o fato de ser a última grande batalha entre Wu e Ch'u antes de nosso herói Sun Tzu assumir um posto na corte de Ho-lü.

O ano era 519 AEC e cada lado passara os últimos cinco (aproximadamente) nutrindo suas forças, de modo que as respectivas capacidades militares haviam alcançado o nível máximo.

Liao, então regente de Wu -- junto com o futuro rei Ho-lü (então príncipe Kuang,  que provou ser um comandante brilhante) --, em vez de aguardar passivamente o próximo ato agressivo de Ch'u, decidiu lançar um ataque preventivo, convencido de que o inimigo estava se tornando uma ameaça cada vez maior.

Quando Ch'u soube dos preparativos de Wu, apressadamente coagiu seis pequenas províncias aliadas a participarem de uma campanha coordenada, sob o comando geral de Ch'u.

Seus exércitos montaram então acampamento em Chi-fu, no coração do território de Ch'u, a nordeste da cadeia de montanhas que separava Ch'u (a oeste) de Wu (a leste).

A ideia era, a partir de Chi-fu, marcharem de encontro às forças de Wu, que sitiavam a cidade de Chou-lai.

Um gigante atordoado (ou, sorte nunca é demais)

Os exércitos de Wu, sob o comando de Ho-lü, cientes de que Ch'u poderia resgatar a cidade com sua imensa força, retiraram o cerco e instalaram-se em um terreno mais favorável para aguardar o ataque (seguiram, assim, o princípio de "aguardar descansado quem chega cansado").

E como deus parece sempre estar ao lado de quem vai vencer, aconteceu que a caminho do embate o comandante em chefe de Ch'u adoeceu e morreu, imediatamente deixando sem rumo seu comando central.

Como seu substituto era decididamente menos capaz e os oficiais e soldados de maneira geral sentiram que sua morte era um mau presságio, não foi difícil eles se verem desorganizados e sem motivação.

Quando informações sobre esses acontecimentos e sobre os ânimos do inimigo chegaram ao conhecimento de Wu, naturalmente tais fraquezas tornaram-se mais um front a ser explorado.

 A tática vitoriosa de Wu seguiu, então, três grandes frentes:

  1. determinaram que as províncias coagidas seriam seu alvo primário, sob a premissa de que elas estariam pouco inclinadas a lutar por um wang odiado e por perceberem que seus comandantes tinham pouco respeito pelo novo comandante em chefe;
  2. decidiram atacar no último dia do calendário lunar, tradicionalmente um período em que os exércitos permanecem docilmente acampados, devido ao receio de empreender atividades militares quando o equilíbrio entre yin e yang (seja lá o que isso for) se mostra inauspicioso;
  3. romperam a postura defensiva de Ch'u ao atacar abertamente o inimigo com uma força de 3 mil recrutas mal treinados, sabendo que mesmo no caso de surpreenderem totalmente o inimigo, seriam repelidos, entrariam em pânico e fugiriam, provocando uma perseguição desenfreada e desorganizada por parte dos defensores.

Lembra que Sun Tzu não aconselhava a perseguição de um inimigo em fuga?

Pois então, a batalha correu como previsto, já que... Bem, ainda há um tanto bom deste pedaço da história pra contar e acho melhor deixar para o próximo post, no qual veremos como se desenvolveu a estratégia desenhada por Wu, que tal?

Te espero lá. Ou não, sei lá, inté!

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.