Clássico da Poesia - Parte I - Livro III - Odes 33 a 35

Foto em close de um faisão dourado macho

Este é o décimo post de uma série com a tradução dos 305 poemas do Clássico da Poesia (ou Livro das Odes/Canções), a mais antiga coleção de poemas da China. Como não entendo quase nada de mandarim, as traduções serão feitas a partir da clássica versão em inglês com a qual nos brindou James Legge.

Os 3 poemas a seguir são do Livro III, da primeira parte da obra.

Parte I

Lições dos Estados


Livro III

Odes de Bei



33. Xiong Zhi

 

 A esposa lamenta a ausência de seu marido e celebra sua virtude


O faisão macho voa para longe,
Movendo preguiçosamente suas asas.
O homem do meu coração!
Ele trouxe-nos esta separação.

O faisão voou para longe,
Mas de baixo, de cima, vem sua voz.
Ah! o homem principesco!
Ele aflige meu coração.

Olhe para o sol e a lua!
Muito, muito tempo eu penso:
O caminho é distante;
Como ele pode vir a mim?

Todos esses homens principescos
Não sabem de sua conduta virtuosa?
Ele não odeia ninguém, nada cobiça;
O que ele faz que não seja bom?



34. Pao You Ku Ye


Contra os costumes licenciosos de Wei


A cabaça possui [ainda] suas folhas amargas,
E a travessia no vau é profunda.
Se profunda, vou atravessar com minhas roupas vestidas;
Se rasa, vou fazê-lo levantando-as.

O vau está a ponto de transbordar;
Há a nota do faisão fêmea.
O vau cheio não vai molhar o eixo da minha carruagem;
É o faisão chamando por seu companheiro.

O ganso selvagem, com suas notas harmoniosas,
Ao nascer do sol, com o início da aurora,
Pelo cavalheiro que deseja trazer para casa a sua noiva
[É apresentado] antes que o gelo derreta.

O barqueiro continua acenando;
E outros cruzam com ele, mas eu não.
Outros cruzam com ele, mas eu não;
Estou esperando meu amigo.



35. Gu Feng


O lamento de uma mulher trocada por outra e rejeitada por seu marido


Delicadamente, sopra o vento leste,
Com céu nublado e com chuva.
[Marido e mulher] devem se esforçar para ser a mesma mente
E não deixar surgir sentimentos de raiva.
Quando nós colhemos
a mostarda e os melões-da-terra,
Não os rejeitamos por causa de suas raízes.
Enquanto eu não faço nada contrário ao meu bom nome,
Deveria viver contigo até a nossa morte.

Eu vou ao longo da estrada devagar, devagar,
Relutante em meu íntimo.
Não muito longe, um pouco,
Ele me acompanhou até o umbral.
Quem diz que a serralha é amarga?
Ela é tão doce como a bolsa do pastor.
Você festeja com a sua nova esposa,
[Amorosos] como irmãos.

A impureza do Jing aparece desde o Wei,
Mas seu leito pode ser visto acerca das ilhotas.
Você festeja com a sua nova esposa
E acha que comigo não vale a pena estar.
Não se aproxime da minha mascote,
Não mexa em minha cesta.
Minha pessoa é rejeitada;
De que serve cuidar do que pode vir depois?


Onde a água era profunda,
Cruzei-a com uma jangada ou um barco.
Onde era rasa,
Atravessei mergulhando ou a nado.
Se nós tínhamos muito ou não,
Eu esforcei-me a estar obtendo.
Quando entre outros houve uma morte,
Arrastei-me de joelhos para ajudá-los.

Você não pode me amar
E ainda me tem como um inimigo.
Desdenha de minhas virtudes,
Mercadorias de um mascate que não vendem.
Anteriormente, eu temia que nossos recursos pudessem estar esgotados,
E eu poderia ir contigo à miséria.
Agora, quando os recursos são abundantes,
Você me compara com veneno.

Minha bela colheita de vegetais,
Não é nada mais que uma provisão contra o inverno.
Festejando com a sua nova esposa,
Você pensa em mim como uma provisão [somente] contra a sua pobreza.
Arrogantemente e com raiva você me trata;
Você me dá apenas dor.
Você não pensa sobre os dias passados
E somente tem raiva de mim.




Índice e últimos poemas já publicados



É isso aí. Zái Jiàn!



Créditos

  • Fotografia dos faisão dourado encontrada no blog Quintal dos Machado, sem indicação de autoria.

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