Sun Tzu, a história de Qi, um sábio e a dança das cidades

Chia-Hui Liu como Pai Mei, o mestre de Uma Thurman em Kill Bill, Volume 2


Daqui a 3 semanas será comemorado o ano novo pelo calendário chinês e já está mais do que na hora de retomarmos nossa série de textos sobre a história de Qi. Como sabemos, essa província da China antiga é a provável terra natal do autor do livro A Arte da Guerra, o general e filósofo chinês Sun Tzu.

Antes de partirmos pro vamos ver, no entanto, que tal um pequeno retrospecto? Então, desde que iniciamos esta série, já soubemos:

  1. que a provável família de Sun Tzu eram os Tian (ou Chen)
  2. da ascensão do famigerado Qing Feng (e também de sua queda)
  3. que fugir para escapar da desgraça parecia ser comum (especialmente para Wu, local que deu fama a Sun Tzu)
  4. a respeito da influência que tinham as concubinas no rumo dos acontecimentos
  5. e também que os Tian estavam cada vez mais populares

E é assim que chegamos ao ano 537 AEC, ano do rato de madeira no tradicional calendário chinês e no qual a idade de Sun Tzu beirava as 7 primaveras. No outono, no 7º mês, Chu e seus aliados invadiram Wu. E não é que eles encontraram um velho conhecido nosso? Estamos a falar de ninguém menos que Qing Feng, o mesmo que tocou o terror em Qi e fugiu para essas bandas aí.

Qing Feng, um (quase) morto muito louco

Acho que eles, os invasores, conheciam os podres do nosso amigo, já que decidiram matá-lo -- e por alguma razão que não está clara para mim. Não foi outro que não o próprio regente de Chu, na época um sujeito chamado Ling, quem se encarregou de executar o fujão.

No entanto, um cabra chamado Jiao Ju o advertiu com um discurso mais ou menos assim:

Dizem que somente aquele que não possui falhas pode executar outra pessoa publicamente. Qing Feng está aqui por ter se oposto às ordens de seu regente; será que ele se disporá a submeter-se tranquilamente à execução? Qual será a vantagem de tornar seu caso público para as outras províncias?

Obviamente o regente fez ouvidos de mercador ao seu conselheiro. Pior, fez o sujeito andar ao redor do acampamento com um machado apontado para pescoço e ordenou que ele dissesse algo assim:

Que ninguém siga o exemplo de Qing Feng de Qi, que assassinou seu regente, desprezou a fraqueza de seu jovem sucessor e impôs um acordo aos seus altos oficiais.

Acontece que o cara era (ou se achava) o cara e em vez disso falou:

Que ninguém siga o exemplo de Wei, filho de uma concubina do rei Gong de Chu, que matou Jun, seu regente e filho de seu irmão mais velho, e tratou de impor um acordo às províncias.

E aparentemente essas foram as últimas palavras de Feng, já que Ling rapidamente fez com que o falastrão fosse executado.

Yanzi, o sábio

Seguindo o jogo, passamos rapidamente pelo ano 536, quando um cidadão de Zheng vai a Qi para casar-se com a filha de Ziwei (que já foi citado aqui, aqui e aqui). O nome do figurão, que recebia visitas frequentes de Yanzi, era Han Hu. Essas visitas aparentemente colocaram uma pulga atrás da orelha de Tian Huanzi, o pai de Sun Tzu.

Huanzi interpelou Yanzi a respeito, cuja resposta foi mais ou menos por aí:

Ele é capaz de empregar bons homens; ele é um senhor adequado para o povo.

Yanzi, você se lembra, já foi citado aqui no blog em 3 textos:

  1. quando recebeu um estranho conselho de um estrangeiro
  2. quando meio que defendeu um visitante metido a sábio
  3. e quando foi enviado a Jin para oferecer uma nova concubina

Já no 12° mês do ano seguinte (535) o marquês de Qi resolveu invadir Yan do Norte. Aparentemente não foi difícil obter autorização (sim, era preciso) para a invasão: foi só encontrar com um cara chamado Shi Gai, que representava um tal de Shi Yang, e receber o OK em um local chamado He (que eu estou supondo, por minha própria conta e risco, ser o famoso Rio Amarelo, ou Huang He).

Sobre a iminência da invasão, Yanzi, o homem sábio e sem papas na língua, comentou com alguém algo do tipo: 

Eles não entrarão na capital de Yan, que possui um regente com o qual o povo não está insatisfeito. Nosso regente deseja pilhagem; aqueles próximos a ele o bajulam; então ele inicia um grande empreendimento, mas não de boa fé. Tais empreendimentos jamais foram bem sucedidos.

(E algo me diz que o alguém para quem ele faz esse comentário era, de novo, Tian Huanzi.)

De qualquer maneira, parece que Yanzi estava certo, já que no ano seguinte (534) a paz foi feita entre ambas as províncias, sem que de fato Qi tenha invadido a capital de Yan. A paz foi selada quando o marquês de Qi aguardava em Guo e Yan ofereceu um acordo em termos parecidos com estes:

Nossa pobre província sabe de sua culpa e não ousa nada além de seguir suas ordens. Com alguns artigos sem valor de nossos antigos regentes, nós imploramos que perdoe as nossas ofensas.

Um cabra chamado Gongsun Xi disse então:

Tendo recebido a submissão deles, podemos retornar; e quando surgir uma ocasião, podemos fazer outro movimento.

Assim, no 2° mês, no 55° dia (wuwu), foi selado um acordo em Ershang que incluía os seguintes presentes para o marquês de Qi:

  1. uma filha da casa do regente de Yan
  2. um vaso Yao
  3. uma urna de jade
  4. e uma taça de jade branco com orelhas

Ainda no mesmo ano, por conta de uma treta anterior entre Lu e Qi, esta última recebeu daquela, por intermédio de Jin, a cidade de Cheng. Não demorou muito para ser obrigada a entregar a Wey uma outra cidade que estava sob seus domínios, terminando assim o ano em 1 x 1, no que diz respeito à dança das cidades.

Mas ficou no lucro com os presentinhos acima, acho. Claro que muita água há ainda de passar por baixo dessa ponte. Mas só navegaremos por elas nos próximos bat-episódios posts sobre a história de Qi. Te aguardo lá.

Zai Jian!


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