5 espadas da China de Sun Tzu, o martelo de Thor e Excalibur

A lendária espada da lenda medieval cravada na pedra

Já faz algum tempo que venho assuntando a publicação de um post sobre armas da China antiga (ainda por ser escrito) e, mais especificamente, sobre espadas, armas que desde sempre marcam a história e a psique da humanidade. Pensando aqui em como começar o post, me ocorreu uma correlação inusitada, mas totalmente plausível, inclusive por conta da proximidade geográfica: Mjolnir, o fantástico martelo de Thor, e Excalibur, a espada do lendário rei Arthur.

A correlação é óbvia: ambos os artefatos de guerra (ou instrumentos de mal agouro, como disse Sun Tzu) somente poderiam ser empunhados por uma pessoa digna, valorosa, ou algo que o valha (acho que você sabe disso, mas seu eu estiver errado, dá uma espiada nos links). Fábulas à parte, a China também é pródiga em espadas lendárias (reais ou não) e é disso que vamos tratar nesse post.

De acordo com o site China Daily USA,

informações sobre as espadas são freqüentemente encontradas em livros ou lendas antigas, como os Registros do Historiador (Shiji), a História Perdida de Yue (Yuejueshu), as Obras de Lie Zi, e os Anais de Wu e Yue. Das dez espadas, algumas realmente existiram na história, enquanto outras são meros produtos da imaginação das pessoas. No entanto, a cultura chinesa de espada, representada pelas dez espadas famosas, simboliza integridade e retidão moral da nação chinesa.

Tenho cá minhas dúvidas sobre a última frase, e também não tenho certeza se existem apenas 10 espadas famosas da China antiga, mas parece certo que as que conheceremos aqui possuem seu lugar de honra no panteão da história e cultura chinesas. E é provável que sejam as que estão na boca do povo. São elas (sempre de acordo com o China Daily USA, a não ser que eu informe o contrário):

  1. Cheng Ying, a espada de delicada elegância
  2. Chun Jun, a espada da majestade
  3. Yu Chang, a espada da bravura
  4. Gan Jiang e Mo Ye, as espadas do amor
  5. Qi Xing Long Yuan, a espada da integridade
  6. Tai E, a espada do prestígio
  7. Chi Xiao, a espada da soberania
  8. Zhan Lu, a espada da benevolência
  9. Xuan Yuan, a espada da divindade

Note que o item 4 tem duas espadas, completando a quantidade de 10, e já já veremos o porquê disso -- embora seu epíteto dê uma boa ideia, não? Agora, vamos dar uma olhada no histórico das cinco primeiras, a começar pela

Cheng Ying

Fabricada durante a dinastia Shang (1500 a 1050 AEC, aproximadamente), a espada da delicada elegância tem pelo menos 3100 anos de histórias. Está registrada nas Obras de Lie Zi, tendo sido muito apreciada por esse autor e pertencido, durante o Período da Primavera e Outono (771 a 475 AEC), a Kong Zhou da província de Wei. Diz-se que era uma espada longa que, estranhamente, não possuía lâmina, mas que projetava uma sombra na pare de durante o amanhecer e o anoitecer, quando se alternavam a luz do dia e as trevas da noite.

Chun Jun

Esta é de verdade verdadeira mesmo, tanto que atualmente está exposta no Museu Provincial de Hubei, na China. A História Perdida de Yue conta que Gou Jian, o wang da província de Yue durante o Período da Primavera e Outono, teria convidado o expert em avaliação de espadas, Xue Zhu, para avaliar diversas espadas que ele tinha ganho de presente. Adivinha qual foi a única que Zhu achou que realmente tinha muito valor? Inclusive ele aconselhou o wang a não trocá-la com outros, mesmo que por uma combinação de "mil bons cavalos, três cidades ricas e duas metrópoles", sob a alegação de que era uma criação única do homem em conjunto com os Céus.

A espada de mais de 2 mil anos que pertenceu ao poderoso Gou Jian, na China antiga, empunhada nos dias de hoje

Segundo esse artigo da Wikipedia, a espada da majestade foi encontrada em 1965 a cerca de 7 quilômetros de distância das ruínas de Jinan, antiga capital da província de Chu. Em um dos lados da lâmina existem 2 colunas de texto, com 8 caracteres, que foram traduzidos assim:

Pertence ao rei Gou Jian de Yue, feita para seu uso pessoal.

Ela pesa 875 gramas e possui 55,6 centímetros de comprimento, incluindo um punho de 8,4 centímetros; a lâmina possui 4,6 centímetros de largura em sua base. Além de um padrão de losangos escuros que se repete em ambos os lados da lâmina, há decorações de cristais azuis e turquesa. Seu punho é revestido com seda e o pomo é composto por onze círculos concêntricos.

Yu Chang

Tá aí uma espada que vai ter um papel importante no livro que estou a escrever inspirado na vida, obra e época do autor d'A Arte da Guerra. Acontece que os Registros do Grande Historiador (Shiji), de Sima Qian, no capítulo intitulado História de Assassinos, é narrado o episódio do assassinato do wang Liao, da província de Wu, onde Sun Tzu teria feito sua fama. Conta a História que o wang teria ouvido uma águia voando em sua direção quando uma espada saiu do peixe que estava para comer, e era justamente a espada da bravura, com a qual Chuan Chu o assassinou, abrindo caminho para o governo de Holü.

A propósito, também esta é uma das poucas obras que nos fornece alguma informação sobre Sun Tzu, inclusive a fantasiosa (na minha humilde opinião) anedota do treinamento das mulheres do wang. Ainda a propósito, tanto este episódio das concubinas, quanto do assassinato de Liao já possuem um primeiro rascunho escrito para o livro e eu, particularmente, acho que tá ficando muito legal.

Gan Jiang e Mo Ye

As espadas do amor são objeto de uma lenda muito bacana. Conta-se que a um ferreiro das antigas, chamado Gan Jiang, foi encomendada uma espada pelo rei em pessoa. No entanto, ele não conseguia fazer com que sua fornalha esquentasse o suficiente para forjar o metal e temia que não conseguisse realizar o trabalho a tempo. Sua esposa, Mo Ye, percebeu a razão de sua ansiedade e, derramando lágrimas, sabia que seu marido seria executado se não pudesse entregar a espada no prazo.

Ela então decidiu salvar seu marido atirando-se no fogo, fazendo com que as chamas aquecessem o suficiente para a execução do trabalho. Quando Jiang percebeu o que ela pretendia fazer, já era tarde e não pôde impedi-la. Somente a ouviu dizer: "podemos nos encontrar novamente". Após o ocorrido, ele acabou fazendo duas espadas, as quais nomeou Gan Jiang e Mo Ye. Essa última, o ferreiro guardou para si, e a outra, entregou ao rei.

Ao saber que Jiang guardara outra espada para seu próprio uso, o rei ficou possesso e decidiu executá-lo. Enquanto era preso, Jiang perguntou "como podemos nos unir?" e, de repente, a espada Mo Ye transformou-se em um belo dragão, enquanto que a espada Gan Jiang, entregue ao rei, também sumiu.

Seiscentos anos depois, em uma pequena e remota cidade, a espada viu o dragão em um lago e imediatamente também transformou-se em um. Era a união de ambos. No dia seguinte, as pessoas da cidade viram um novo casal assentar-se lá. O marido era um excelente ferreiro, que fabricava somente instrumentos agrícolas, ao mesmo tempo em que recusava-se firmemente a forjar espadas.Quando ele trabalhava, sua esposa o refrescava com um leque e limpava o suor de seu corpo.

Contos

Eu, particularmente, estou com planos de escrever uma série de contos baseados em lendas e na história da China antiga de antes do período a ser retratado em meu livro. E esta das espadas do amor provavelmente será uma delas. Vamos ver se dá certo [[ATUALIZAÇÃO: conto escrito e publicado, veja aqui ou aqui]]. Por ora, ficamos por aqui e em breve publicarei a segunda parte deste post, com as cinco espadas restantes.

Enquanto isso, que tal me dizer o que achou do post nos comentários aí embaixo?

Grande abraço e que Odin te proteja.


A imagem da Excalibur é cortesia de Enrique Parietti, encontrada no Deviantart.
A foto da espada da majestade foi encontrada no Be not Defeated by the Rain.

4 comentários :

  1. Sabe uma coisa interessante? Eu tenho um exemplar do "Arte na Guerra' que veio numa caixa de madeira, com duas gavetas, luvas para manuseá-lo etc. MARAVILHOSO! rs Mas o tampo da caixa tem o desenho de uma espada... vou ver se tem foto no blog e te mando, senão tiro uma especialmente 'procê'...hehehe. Abraço e parabéns!

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    1. Muito bacana, Christine! Gostaria muito de ver.
      Grande abraço!

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  2. E sonhei com essa mesma foto do começo só muda e que no sonho ela tinha uma pedra vermelha

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    1. Essa imagem da espada cravada na pedra é emblemática mesmo e eu fico pensando o que poderia significar esse sonho...

      Abraço e sucesso!

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