Game of Thrones, Sun Tzu e a arte de vencer sem lutar - Tywin Lannister


Os que ganham todas as batalhas não são realmente profissionais; os que conseguem que se rendam impotentes os exércitos alheios sem lutar, são os melhores mestres da Arte da Guerra.


Desenho de Ionut Bucur retratando a personagem Tywin Lannister, da série de TV Game of Thrones
<< Retrato do artista quando velho -- arte de Ionut Bucur >> 

Já escrevi em algum lugar por aqui sobre a visão militar de Sun Tzu ser baseada (bem) mais na inteligência do que na força. Essa frase aí em cima trata basicamente disso e há muitas outras passagens do livro que invocam essa premissa. Neste post vamos juntar mais uma vez o útil ao agradável e ver como um episódio sinistro das Crônicas de Gelo e Fogo, popularmente conhecida como Game of Thrones (sim, uma vez mais), bem ilustra esse aspecto estratégico d'A Arte da Guerra.

Contextualizando

Na história de George R. R. Martin, o rei de Westeros está morto (viva!) e as principais famílias lutam pela supremacia, cada uma à sua maneira. O filho mais velho de Eddard (Ned) Stark, Robb (que ficou conhecido como o jovem lobo), forçado pelos acontecimentos, teve que se declarar rei do norte e iniciou uma guerra que desafiava diretamente a família mais poderosa, encabeçada por ninguém menos que lorde Tywin Lannister. Em determinado momento, Robb faz uma aliança com lorde Walder Frey e sua família, mas (por causa do velho e bom rabo de saia) abala seriamente o acordo.

Para desfazer a lambança, oferece seu tio para casar com uma das filhas de Frey e praticamente vende sua alma ao diabo. Robb e seus seguidores, além da necessidade de manter a aliança, cometeram uma série de erros que os deixaram sem muitas opções estratégicas. Portanto, suas ações basicamente resumiam-se a lançar-se à guerra e depois procurar a vitória e eles até que tiveram sucesso nisso. Venciam batalha após batalha e já se tornavam uma pedra incômoda nas botas dos Lannister.

Eis então que Tywin Lannister entra em ação e, com apenas alguns rabiscos de sua pena (literalmente), derrota o jovem lobo sem nem ao menos olhar para a espada. Naturalmente ele usa de todos os recursos (não exatamente nobres) propostos no livro A Arte da Guerra: espiões, agentes infiltrados, propinas e subornos generosos, entre outras coisas. O resultado disso é apresentado numa cena impressionante que entrou para os anais da literatura e da TV com o famigerado nome de Casamento Vermelho.

O Casamento Vermelho

Como você viu ali acima, Robb teve de se esforçar para manter de pé sua aliança com a casa Frey, oferecendo a mão de seu tio a uma filha do lorde velhaco. No dia do casamento, no castelo da donzela, o Stark humilhou-se diante de todos, completamente ignorante do quanto sua atitude era inútil, inócua e imbecil. O velhote já havia se vendido aos Lannister, junto com um dos lordes que acompanhavam o jovem mancebo, e a única parte do acordo que ainda ficaria de pé seria (precisamente!) o casamento.

O que aconteceu assim que o fato estava consumado você acompanha pela narrativa do próprio autor da história, George R. R. Martin, reproduzida logo abaixo (na verdade, apenas os últimos parágrafos do episódio, um pouco depois que matam Robb).

Robb tinha faltado à palavra, mas Catelyn manteve a sua. Puxou com força os cabelos de Aegon e serrou seu pescoço até a faca começar a raspar em osso. Correu sangue sobre os seus dedos. Os pequenos guizos tilintavam, tilintavam, tilintavam, e o tambor retumbava, bum fim bum. Por fim, alguém tirou a faca dela. As lágrimas ardiam como vinagre ao correrem por seu rosto. Dez corvos ferozes devastavam seu rosto com garras afiadas, rasgando fitas de carne, deixando profundos sulcos que escorriam, vermelhos de sangue. Sentia o sabor nos lábios.

Dói tanto, pensou. Os nossos filhos, Ned, todos os nossos queridos bebês. Rickon, Bran, Arya, Sansa, Robb... Robb... por favor, Ned, por favor, faça com que pare, faça com que pare de doer... As lágrimas brancas e as vermelhas correram juntas até que seu rosto ficou rasgado e em farrapos, o rosto que Ned amara. Catelyn Stark ergueu as mãos e viu o sangue correr por seus longos dedos, pelos pulsos, por baixo das mangas do vestido. Lentos vermes vermelhos rastejavam ao longo de seus braços e sob a roupa. Faz cócegas. Aquilo fez com que risse até gritar.

- Louca - disse alguém -, perdeu o juízo.

E outra pessoa disse:

- Dê um fim nela - e uma mão agarrou seus cabelos tal como ela fizera com Guizo, e Catelyn pensou, Não, isso não, não me corte os cabelos, Ned adora meus cabelos. E então o aço chegou-lhe à garganta, e a sua mordida era rubra e fria.

Tudo sob a batuta magistral de Tywin Lannister, que nem sequer presente estava. E foi assim que, exatamente como eu disse no início deste post, ele venceu esta guerra particular sem derramar uma única gota de suor, nem seu nem dos parentes mais chegados. Um de seus inimigos estava literalmente exterminado e ele podia agora se preocupar com outros problemas tão ou mais graves que um rapaz praticamente imberbe brincando guerra.

Claro que a história não acaba aí. Muita água há de rolar nas crônicas dos sete reinos. Por aqui, ainda faremos bastantes paralelos não somente entre A Arte da Guerra e Game of Thrones, mas também com alguns filmes interessantes.

Continue nos acompanhando e você verá. Se você conhece algum outro exemplo, na literatura ou nas artes audiovisuais, deste e de outros preceitos de Sun Tzu e A Arte da Guerra, deixe-nos saber. Escreva sobre ele nos comentários.

Inté!

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Escreva um comentário aí em baixo para o mundo saber o que você achou do post ou do blog. Se preferir, compartilhe o post e nos siga no Facebook ou no Google Plus.