Nos tempos de Sun Tzu III -- onde os fracos não tem vez

Modelo em miniatura de palácio imperial da dinastia Zhou Oriental
<< Modelo de um complexo palaciano e áreas adjacentes,
provavelmente da capital da dinastia Zhou Oriental -- via Panoramio >> 

Ah, nada como uns bons vinte dias de férias para arejar as ideias e renovar os ânimos! E se forem na travessia de um ano para outro então, aí um certo livro começa a tomar forma. É o caso: tive algumas ideias que já me permitem, além de ter um início decente para a obra (assim creio), resolver alguns dilemas da história que rondavam minha cuca.

Quem sabe ao longo dos próximos meses não compartilho alguma coisa com meus leitores. Por enquanto, voltemos à narrativa dos fatos que marcaram a época de Sun Tzu. Como você deve se lembrar,  terminamos o texto anterior da série com Wei Shu revolucionando A Arte da Guerra ao fazer os nobres descerem do pedestal, digo, das carruagens e lutarem como homens comuns.

Mais ou menos pela época em que isso aconteceu, Wu tornava-se cada vez mais agressiva em relação a Ch'u. Tanto que, em 538 AEC, Ch'u passou a intensificar as ações de reforço de suas defesas com a construção de grandes empreendimentos, que iam de fortificações diversas a cidades amuralhadas. Suponho, inclusive, que tenha emulado em suas cidades (ou pelo menos em sua capital) o modelo da foto acima.

Esta impetuosidade de Wu, assim digamos, tinha uma das fontes de inspiração no fato de Ch'u suprimir de forma brutal os povos minoritários e as pequenas províncias da região, o que facultava ao primeiro conseguir facilmente numerosos aliados, bem como suporte local entre tais povos e províncias. Ao explorar o senso de identidade alimentado pela existência de um inimigo em comum, Wu era capaz de conseguir junto a eles suporte material, guias locais e inteligência de campo -- nada de que se necessite muito numa guerra.

Um gigante cego e um pequeno tropeço

O imenso poderio de Ch'u, ainda por cima, cegava o gigante para estes detalhes e aparentemente insuflava sua arrogância a tal ponto que, de algum modo, o fazia perder batalha após batalha para o pequeno mas impertinente Wu. Foi o caso de 537 AEC, quando montou um ataque em larga escala, em conjunto com vários distritos subalternos e contando com o apoio de Yüeh, apenas para se ver derrotado uma vez mais. Este conflito é significativo porque marcou o primeiro confronto entre Wu e Yüeh, províncias vizinhas que viriam a se estranhar diversas vezes ao longo da história.

Teimosa que era e excessivamente confiante, mais tarde no mesmo ano Ch'u tentou avançar novamente, mas teve que recuar ao encontrar Wu completamente preparado -- muito devido à sua capacidade, já relatada acima, de aproveitar as brechas do inimigo para formar alianças e obter informações estratégicas.

Todas estas derrotas tinham uma consequência fatal para Ch'u: seu enfraquecimento cada vez mais intenso, tendo dissipada sua população e recursos por conta de esforços inócuos para dominar uma província que, em termos de tamanho, mal poderia fazer-lhe cócegas. E olha que Wu não contava, ainda, com os gênios militares de Wu Tzu-hsü e Sun Tzu. Talvez por isso, e não sei se estranhamente, Wu tenha perdido uma batalha travada contra a província setentrional de Ch'i em 521 AEC, sofrendo uma perda significativa em seus exércitos.

Nada, no entanto, que tenha abalado muito suas estruturas, já que dois anos depois, em 519 AEC, obteve uma vitória acachapante sobre seu arquiinimigo, Ch'u, na famosa batalha de Chi-fu.

Como a história desta batalha é comprida e como acho que já avancei o suficiente por hoje e como o ano ainda não começou, não se preocupe, veremos o porquê desta fama a partir do próximo texto desta série. Adianto apenas que, além de ter sido uma batalha de grandes proporções para a época, foi a última grande antes de Sun Tzu assumir seu posto em Wu e entrar para a história.

Até mais e obrigado por todos os peixes!

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