Sun Tzu, Gladiador e local de morte


...coloque [os soldados] no terreno da morte e eles lutarão. O resultado será a conversão de uma derrota certa em uma vitória inesperada.


Desenho de um gladiador empunhando uma espada, com arte de Alex Nazato
<< E aí, vai encarar? Arte de Alex Nazato, via Studio Canvas >>

Um dos conceitos mais interessantes, e também cruéis, apresentados no livro A Arte da Guerra é o de lugar (ou local) de morte (ou mortífero, ou mortal). Sem meias palavras,  no capítulo XI (Os Nove Territórios) Sun Tzu venenosamente destila o conselho de  situar as tropas num território mortal,  "para que elas não tenham saída e lutem ferozmente"

Claro que isso vai depender das dependências, mas a ideia básica permanece: se houver necessidade, joga os soldados na cova dos leões e deixa a taboca rachar. Provavelmente eles vão pensar algo do tipo: "eu já estou morto mesmo, então vou levar uns quinze nazistas safados comigo e causar muito estrago".

Conscientemente ou não, Hollywood tem se mostrado extremamente capaz de apresentar situações deste tipo. Invasões alienígenas são um clássico exemplo; filmes catástrofe também; quando ambos os temas se juntam num só filme, aí estamos falando de uma história do Roland Emmerich com Will Smith no papel principal (ou algo muito parecido com isso).

No entanto, gostaria de fazer referência aqui a dois que me agradam deveras mais que este aí em cima: 300 e Gladiador. Não coincidentemente, filmes que, bem ou mal, retratam momentos interessantes de duas grandes e antigas nações que já podiam receber a alcunha de potências quando Sun Tzu ainda nem sabia o que era guerra, ou estarei eu escrevendo besteira? (por favor, não responda...)

Pão e circo, como sempre

Gladiador conta a história de um general romano, Maximus, que é traído pelo filho do falecido Cesar e, após as idas e vindas cinematográficas de praxe, acaba se tornando um gladiador, "condenado" a lutar no famoso, famigerado e fatídico Coliseu. Vamos combinar que poucas coisas no mundo poderiam representar o lugar de morte de que fala Sun Tzu tão bem quanto a grandiosa arena.

Se não, vejamos:

  • você pega um punhado de caras marombados, mas (teoricamente) sem preparo militar
  • joga num lugar fechado (de onde não há como escapar) e 
  • bota eles pra lutar contra feras mortíferas e soldados altamente preparados e equipados. 

Tirando as feras mortíferas, quem você acha que vai lutar com mais gana e vontade: os soldados romanos relaxados e confiantes na vitória certa ou os bárbaros maltrapilhos conscientes de que estão no lucro só por ainda estarem de pé? No caso do filme, junte a isto o elemento surpresa (ex-general romano sagaz "comandando" os párias da arena) e voilá! Acabamos de converter "uma derrota certa em uma vitória inesperada".

Lutando no escuro

Em 300, filme baseado na obra do mestre Frank Miller (por sua vez inspirada em fatos históricos), uma tropa com 300 soldados de elite do rei Leônidas de Esparta marcha rumo às Termópilas, a fim de colaborar com outros 6,7 mil guerreiros. O objetivo? Nada menos que defender a Grécia de um ataque de 300 mil persas comandados por Xerxes. O próprio Leônidas lidera os trezentos, e os gregos são dispostos de tal modo que eles só têm duas opções: lutar e morrer ou lutar e morrer

Neste caso, eles não se deram lá muito bem, muito por conta de dois fatores:

  • as forças persas eram extraordinariamente superiores, numérica e belicamente, e
  • os gregos ignoraram (ou desprezaram) diversos outros preceitos importantes d'A Arte da Guerra

No entanto, antes de serem dizimados, foram capazes de despachar uma penca parruda de persas para as profundezas do bom e velho Hades. No mais, tudo isso e outras coisitas abordadas por Sun Tzu tem a ver com um negócio chamado ch'i, mas isto já é assunto para outro post.

Hasta!

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