O Uso de Espiões -- Capítulo XIII do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu


O uso da espionagem é um tema delicado, muito delicado! Não existe lugar em que a espionagem não possa ser empregada.

Foto em close de Edward Snowden
<< Acho que o Obama não entendeu este capítulo, né Snowden? -- via viomundo >> 

Antes de James Bond, Jason Bourne, Ethan Hunt e Austin Powers havia a história, as guerras e seus inúmeros personagens.

Destes, dos personagens das guerras, os que talvez provoquem maior fascínio nas pessoas sejam os famosos (e também os desconhecidos) espiões. E, perceba, não estou falando apenas das guerras mundiais e fria do século XX.

Mesmo em épocas mais antigas, os espiões já eram considerados peça fundamental nos tabuleiros dos jogos bélicos.

Em sendo assim, é nada mais do que natural este assunto marcar presença no mais antigo tratado militar conhecido: A Arte da Guerra. É exatamente disso que trata o capítulo XIII, e derradeiro, do livro.


E a necessidade do uso de espiões gira em torno, novamente, de um dos temas centrais e recorrentes do tratado: conhecer o inimigo.

Sun Tzu deixa isto claro logo no terceiro e quarto parágrafos:

Um governante esclarecido e um general sábio são vencedores porque suas ações se baseiam em sua vidência.

A vidência não pode ser a alcançada por meio de espíritos, nem deuses, nem por analogia com o passado, nem mesmo por cálculos; depende, exclusivamente, dos homens que conhecem o inimigo.

Tipos de espiões 



A partir daí, nos informa que existem cinco tipos de espiões:

  1. nativos, que seriam camponeses do povo inimigo a serviço do nosso exército
  2. internos, oficiais inimigos empregados em nosso exército
  3. duplos, espiões inimigos que empregamos em nosso exército; eles seriam recrutados entre os espiões que trabalham para o inimigo
  4. dispensáveis, espiões nossos a quem entregamos informações falsas de propósito
  5. vivos, os que voltam com informações sobre o inimigo

A julgar pela atenção dada ao terceiro tipo, este seria o grupo mais importante de espiões. Afinal, de acordo com Sun Tzu,

  • são eles que aliciam os espiões nativos e internos;
  • é por meio deles que podem ser enviados, com informações falsas, espiões dispensáveis ao coração do inimigo; e também
  • é utilizando-se de sua expertise que se pode empregar os espiões vivos, quando necessário.

Tudo isso é dito dos espiões duplos e nada mais dos restantes.


Sobre os duplos, o chinês ainda diz:

É indispensável descobrir os espiões que trabalham para o inimigo; suborna-os, e tente fazê-los passar para o seu lado. Cuide bem deles e os oriente. Eles se tornarão espiões duplos.

Naturalmente, o uso de espiões não é pra todo mundo.

Há que ser ter, no caso do soberano, algumas qualidades úteis não apenas para lidar com espionagem, mas com a própria arte da guerra (bem como a de governar), vamos assim dizer.

Em todo caso, diz Sun Tzu, é preciso ser

  • delicado;
  • sutil;
  • sábio ou esperto;
  • humano e justo

para poder usá-los e deles extrair informações.

Além disso, o governante deve conhecer pormenorizadamente as atividades dos cinco tipos de espiões (conhecimento que, obviamente, será garimpado pelos espiões duplos).

Os espiões que ninguém (?) amava



Não por acaso, o Aranha e o Mindinho são personagens tratados com toda atenção e cuidado (mas nem tanto carinho) pelos players do Game of Thrones (é, de novo).

Quanto ao comandante, ele deve ser íntimo dos espiões a serviço no exército, e estes devem receber, por seus prestimosos afazeres, as melhores recompensas. Eu particularmente diria que uma boa parte da parte boa do butim deve ir pra esses caras.

Assim será possível garantir a realização de grandes feitos, por conta do uso de pessoas inteligentes como espiões.

Para deixar isso claro, Sun Tzu recorre à boa e velha história, e nos relembra que ascensão das dinastias Yin e Zhou foi possível graças a ninguém menos que o MI5 e a CIA Yi Chih e Luyu, respectivamente.

Diga-se de passagem que pelo menos o Yi Chih parece ter lastro histórico, ou, melhor dizendo, não se trata de uma ficção criada pelo autor chinês para marcar seu ponto de vista.

Diversos textos chineses antigos corroboram a existência do cara e, inclusive, sua atuação como espião.


Contemporaneamente, Ralph Sawyer, em seu meticuloso Ancient Chinese Warfare, faz referência a uma passagem do Lu-shih Ch'un-ch'iu, texto histórico do século III AEC, que retrata o momento crucial no qual ele é convertido a espião e enviado a campo.

Mas isto já é assunto para outro dia.

Enquanto isso, altere a senha do seu computador e tome muito cuidado com o que fala ao telefone.

Inté!

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