Os Nove Territórios -- Capítulo XI do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu


Uma operação militar deve ser como uma cobra veloz, que quando tocada na cabeça ataca com a cauda; quando tocada na cauda, ataca com a cabeça e quando é tocada no meio, ataca com a cabeça e com a cauda.

Crocodilo com apenas os olhos de fora da água em um pântano
<< Seria isso um território de fronteira? Via Caiman (Helder Brandão) >> 

Gente, confesso que se A Arte da Guerra fosse uma dissertação de mestrado e eu, o orientador do Sun Tzu, já teria perdido a paciência com o cara.

Mais uma vez, ele me começa bem um capítulo e, sem mais nem menos, envereda por caminhos completamente alheios ao (aparentemente) proposto.

Obviamente, é o caso deste capítulo XI, que pode ser dividido em pelo menos duas partes:

  • na primeira, se discutem, de fato, os nove territórios do título;
  • na segunda, voltam à ribalta diversos conceitos já analisados anteriormente.

A conversa sobre territórios, embora apresente alguns elementos da discussão sobre terrenos, trata de um conceito mais amplo. No entanto, assim como o capítulo anterior, nos brinda com uma relação objetiva.

Temos, pois, os territórios disperso, de fronteira, chave, aberto, de intersecção, perigoso, difícil, cercado e mortal.


Sun Tzu explica:

  1. Disperso - onde os grupos locais lutam entre si
  2. De fronteira - no qual se penetra, mas não muito
  3. Chave - igualmente vantajoso para ambos os lados
  4. Aberto - onde todos entram e saem como desejado
  5. De intersecção - um Estado cercado por outros três inimigos, que confere a "vantagem celeste" a quem dele se apoderar
  6. Perigoso - no qual se penetra fundo em terras estranhas, deixando muitas vilas inimigas para trás 
  7. Cercado - apertado e sinuoso, no qual uma pequena tropa inimiga, mesmo estando em inferioridade, pode atacar
  8. Mortal - onde um exército sobrevive apenas se lutar desesperadamente

Claro, também nos é dado saber como nos portarmos em relação a cada tipo de território. Nas palavras do próprio mestre:

Não lute em territórios dispersos; não pare em territórios de fronteira; não ataque um território chave; não interfira em territórios abertos; em territórios de intersecção, faça alianças; em território perigoso, saqueie; em território difícil seja rápido; em territórios cercados faça planos; em territórios mortais, lute.

Locais de morte, ou mortais, ou mortíferos...



Do que foi dito acima, um conceito parece destacar-se no que se refere a territórios ou terrenos: o de local mortífero. Tanto que, em mais dois momentos neste capítulo, tais tipos de lugar são referenciados.

No primeiro, aparentemente no contexto de levar a cabo uma invasão, o conselho é situar as tropas num território mortal,  "para que elas não tenham saída e lutem ferozmente".

Assim, os "guerreiros darão o melhor de suas forças", farão o impossível diante do inesperado, "não temerão o perigo, e ficarão firmes".

Em outras palavras, por não ter opção, lutarão até a morte.

Exército de um homem só

O segundo momento surge quando se fala no comando das tropas, em fazer com "que o exército seja como um só homem".

Entre outras iniciativas, deve-se usar os soldados para "conseguir vantagens sem lhes revelar os perigos; (...) coloque-os no terreno da morte e eles lutarão".

O resultado será a conversão de uma derrota certa em uma vitória inesperada.


Ainda sobre essa questão, são abordadas claramente as consequências de se colocar o exército em tal situação:

Com um exército assim,  poucas regras são necessárias. Não é preciso ordenar aos soldados que sejam vigilantes. O general tem o seu apoio sem pedir; tem sua dedicação, sem a exigir; tem sua lealdade e amizade espontaneamente.

O outro lado da moeda seria a provocação, por parte do general, de situações semelhantes a se colocar o exército em locais de morte.

Exemplo disso ocorre quando, ao marcar a data da campanha, corta-se o regresso das tropas

tal como se tira uma escada debaixo dos pés.

Às luzes da ribalta



O restante do capítulo apresenta alguns novos conselhos sobre A Arte da Guerra e, como já disse, trás de volta à luz outros já discutidos em momentos anteriores.

Um exemplo eloquente assegura que bons estrategistas devem fazer com que o inimigo perca

  • contato entre a vanguarda e a retaguarda;
  • a confiança entre os pequenos e os grandes;
  • a mútua cooperação; e
  • o entendimento entre subalternos e oficiais.

Também trata, entre outras coisitas deveras úteis

  • da questão da velocidade (veja uma frase do Sun Tzu sobre isso nesse link);
  • da proibição de oráculos;
  • da administração das tensões;
  • da adaptação constante;
  • de mais qualidades do general; e
  • da necessidade de conhecer e  frustrar (inclusive por meio do engodo) os planos do inimigo.


Como podemos perceber, o palco da guerra está quase armado e a hora da estreia se aproxima a passos (não tão) largos.

Mesmo assim, que rufem os tambores!

Zài Jiàn!

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