Do Confronto Direto e Indireto -- Capítulo V do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu


Pela palavra "força" não se deve entender "dominação", mas sim a faculdade que permite que se transforme em ato tudo aquilo que se propõe.

Pôster do filme Star Wars, com Luke Skywalker, a princesa Leia, o robô C3PO e o mal encarnado Darth Vader
<< Nosso herói estaria mais para Darth Vader ou Luke Skywalker! - via A Mosca Branca >> 

Pessoas, pessoas, pessoas! O fato de eu estar demorando para atualizar o blog não significa que o projeto do livro está parado.

Tenho estado a pesquisar e ler material histórico no qual tenho encontrado muitas coisas interessantíssimas sobre a China (que ainda não era China) de Sun Tzu.

Aliás, estas pesquisas me fortaleceram a impressão de que, desde sempre, a cultura chinesa é de uma riqueza impressionante -- muito além dos velhos e surrados clichês que vemos por aí.

Em breve devo relatar algo destas pesquisas. Enquanto isso, e já entrando no assunto deste post, devo dizer que de certa forma este capítulo é uma continuação, ou um complemento, do capítulo anterior, Da Arte de Manobrar as Tropas.


Entende-se isso tanto ao analisar a parte inicial -- quando o assunto é comando das tropas --, quanto ao continuar a leitura -- quando Sun Tzu fala, efetivamente, a respeito do confronto direto e indireto.

Quanto ao comando das tropas, ele basicamente ressalta a necessidade de organização, ignorando o tamanho das tropas. Pra ele, tanto faz comandar muitos ou poucos, seria tudo a mesma coisa, desde que se tenha organização.

Aliás, já vi esse conceito n'O Livro dos Cinco Anéis, de Musashi.

Ainda sobre comandar as tropas, há um conselho que deixaria Dale Carnegie e todos os gurus pós-modernos da administração e do networking orgulhosos: lembrar o nome de todos os oficiais e subalternos.

Claro que não era só por ser "bonzinho" e fazer amigos e influenciar pessoas.

A ideia é não apenas lembrar os nomes, mas também saber sobre suas habilidades e capacidades, de modo a melhor aproveitar o potencial de cada um quando for necessário.

A roda em movimento



Já quando ele está a falar de confronto direto e indireto, na verdade quer também explicitar a existência de forças complementares que, quando combinadas, constituem a certeza de sustentar o ataques inimigos sem sofrer derrotas.

Diz ele, ainda pegando uma rebarba do assunto inicial:

Ataca a descoberto, mas vence em sigilo. Eis, em poucas palavras, em que consiste a habilidade e a perfeição do comando das tropas.

Luz e trevas, aparente e secreto, céu e terra, sol e lua, Batman e Robin...

Sun Tzu utiliza essas metáforas (exceto a última) para enfatizar a necessidade não apenas de lutar abertamente contra qualquer inimigo (atacar a descoberto), pois isso apenas não garantiria a vitória.

Seria necessário também utilizar-se de ações fugidias, como a espionagem, a dissimulação e a sabotagem, para, junto com os ataques diretos, obter a almejada vitória (vence em sigilo).

Embora destaque somente essas duas espécies de forças (escolha a dupla que melhor lhe convém, ou invente uma -- a ideia é a complementaridade), o autor d'A Arte da Guerra afirma que sua combinação é ilimitada e que, na prática, assemelham-se a uma cadeia de operações interligadas.


Partindo para um exemplo menos misterioso, ele ensina que, na arte militar,

cada operação particular tem partes que exigem a luz do dia e outras que pedem as trevas do segredo. Não posso determiná-las de antemão. Só as circunstâncias podem ditá-las.

E mais uma vez (não pela última) nos deparamos com o cara falando das tais circunstâncias.

Mais adiante, inclusive, neste mesmo capítulo V, ele traz o assunto à baila novamente, afirmando que um hábil comandante busca a vitória com base nas circunstâncias.

Da arte de comandar e de manipular o inimigo



Além deste assunto central, o capítulo ainda fala de outros dois pontos que aparentemente não tem muito a ver com o tema. Mas, creio, só aparentemente.

O primeiro é mais uma lista, desta vez sobre os que "possuem verdadeiramente a arte de comandar". De acordo com o texto são os que:

  • souberam e sabem potencializar sua força
  • adquiriram uma autoridade ilimitada
  • não se deixam abater por nenhum acontecimento
  • nunca agem com precipitação
  • se conduzem com sangue frio
  • e agem sempre com a rapidez fruto de habilidade + experiência


O segundo ponto é algo tão trivial quanto pode ser "a arte de manipular os deslocamentos do inimigo". E aqui, mais uma vez, vale reproduzir o trecho, ipsis literis:

Aqueles que dominam essa arte admirável dispõem de ascendência sobre o próprio exército, de tal forma que manipulam o inimigo sempre que julgarem apropriado (...) dão e o inimigo recebe; abandonam e o inimigo recolhe. Estão prestes a tudo. Aproveitam-se de todas as circunstâncias.

Talvez, juntando tudo isso, a gente consiga entender porque os Jedis viviam dizendo aquilo que eles viviam dizendo.

E que a força esteja com você!

2 comentários :

  1. Adorando conhecer o blog... Parabéns, muito boa sua idéia de se aprofundar nessa ideologia.

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    1. Obrigado, amigo. É sempre bom ver que nosso trabalho é bem avaliado de qualquer maneira.

      Quero apenas reforçar que "aprofundar na ideologia" é consequência e resultado de uma pesquisa que estou realizando para escrever um livro sobre o Sun Tzu, a princípio, apenas inspirado no pouco que se sabe de sua vida, e também no livro.

      Abraços e volte sempre!

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