Do Comando da Guerra -- Capítulo II do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu


A vitória é o principal objetivo da guerra.

 Che Guevara e Fidel Castro felizes e sorridentes com o sucesso de sua campanha militar
<< Che e Fidel: será que os rapazes conheciam os princípios do mestre Sun?
 -- via Tochadas Mias >> 

Antes de mais nada, cabe informar que estou publicando os textos a respeito de cada capítulo do livro com base na tradução do francês para o português feita por Sueli Barros Cassal (edição da L&PM Pocket).

Digo isso porque, apesar de ter percebido que as ideias centrais do texto original -- pelo menos na essência -- permanecem em cada tradução, pode haver diferenças significativas no texto em si.

Exemplo é o título do capítulo II, que na tradução de Cassal é "Do Comando da Guerra".

Na versão de Lionel Giles, em inglês, é "Waging War", que poderia ser traduzido como "Empreendendo (ou fazendo) a Guerra". No blog do sinólogo André da Silva Bueno está "Sobre o Princípio das Ações".

E por aí vai.

A seiva da guerra



Isto posto, sigamos ao que realmente interessa. Sun Tzu inicia o capítulo dando a entender que, se você está organizado e preparado, nada precisa aguardar para atacar o inimigo, a vitória é certa.

Aliás, ele destaca não apenas aqui, mas também em outras passagens, a necessidade de agir com a máxima prontidão, de evitar atrasos e demoras, que não são úteis nem ao general e seus comandados, nem ao governante e, tampouco, ao Estado e ao povo.

Permanecer muito tempo em campanha seria, pois, fonte de inúmeros problemas:

Os cofres do príncipe que serves se esvaziarão, tuas armas -- embotadas pela ferrugem -- não poderão mais servir, o entusiasmo de teus soldados arrefecerá, sua coragem e força esmorecerão, as provisões se esgotarão e, talvez, tu mesmo fiques reduzido a uma situação desesperadora.


Mais adiante continua:

Não poderás manter as tropas em campanha por muito tempo sem acarretar grande prejuízo ao Estado e sem dar um golpe mortal em tua própria reputação.

Tendo isso em vista, aconselha ao general que não apenas esteja mais bem preparado e aparelhado que o inimigo, mas também que se abasteça às suas expensas, minando suas forças. Essa ideia tem, em si, duas vertentes.

A primeira é material, pura e simplesmente. Retire do inimigo provisões, víveres, munições e até mesmo seus homens e você se fortalecerá, pois estará acrescendo todas estas coisas ao seu próprio cabedal.

A segunda decorre da primeira. Sem força material o inimigo perde também força moral e assim fica mais propenso à derrota.


Nos tempos modernos, Che Guevara e Fidel Castro aplicaram este, e outros princípios do general chinês, com maestria para obter sucesso em sua guerrilha.

Se eles conheciam ou não a obra de Sun Tzu A Arte da Guerra é discutível, mas que daria para incluir sua campanha no documentário de que já falei, ah! isso daria.

Prisioneiros de guerra



Um detalhe curioso, e que também se repete em outras passagens, é a noção de tratar bem os prisioneiros:

Faz com que se sintam melhor sob tua égide do que em seu próprio campo, ou mesmo em sua pátria. (...) conduz-te em relação a eles como se fosse tropas que se tivessem engajado livremente sob teu estandarte. Eis o que chamo ganhar uma batalha e tornar-se mais forte.

É certamente um conceito que vai de encontro a qualquer noção de barbarismo que se possa ter e também surpreende, em se tratando do período em questão, século VI AEC.

Provável influência do Taoismo e de Confúcio, mas isso é assunto para outro texto.

Que a força esteja com você!


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