Sun Tzu e A Arte da Guerra na literatura de cordel


Xilogravura com estilo típico de literatura de cordel, retratando uma batalha
<< Xilogravura (digital) de Paulo Brabo - via Bacia das Almas >> 

Mais ou menos quando decidi escrever o livro -- uns bons 2 ou 3 anos depois que tive a ideia -- comentei com um amigo, que me sugeriu fazer algo com cordel.

Minha primeira reação foi de nem-de-jeito-nenhum, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas a ideia, em sentido amplo, é uma coisa engraçada, e depois que uma é "implantada" em sua cabeça é difícil tirar a dita cuja dali.

Ainda acho que não é o caso de, vamos assim dizer, integrar cordel à história, no próprio livro. Mas confesso que fiquei refletindo sobre como aproveitar a ideia que, de todo, é até interessante. Não precisei fazer nada, por enquanto. Descobri um vídeo no Youtube com um professor declamando um cordel relativo ao capítulo IX d'A Arte da Guerra -- Sobre a Movimentação Da Importância da Geografia.

Ficou simplesmente genial e bem aderente às ideias ali apresentadas. Teve alguns trechos que não consegui entender direito e um que não consegui entender de jeito nenhum, mas fiz a decupagem -- não consegui encontrar o texto na rede -- e você pode ler aí (é, no mínimo, divertido):

Cordel do general invencível

O General Sun Tzu foi um militar famoso
Orientando os soldados num momento perigoso
Aconselhando a todos, do covarde ao corajoso

Ao passar pela montanha, queria recomendar
Um vale muito tranquilo para toda a tropa acampar
Pois, depois de muita marcha, melhor é descansar

Evitar subir os montes para o inimigo enfrentar
É melhor ficar em baixo, com vontade  de ganhar
Só briga lá na montanha bicho que sabe voar

Se perto tiver um rio, acampe mais afastado
Quem briga na água é peixe, soldado morre afogado
Espere na terra firme e dê um golpe arrojado

Para atravessar um pântano, procure passar ligeiro
Seja salgado ou insosso, o terreno é traiçoeiro
Ganha muita vantagem quem atravessar primeiro

Proteja-se com a floresta, não na lama pegajosa
O inimigo atolado é presa muito manhosa
Mas ele vai sucumbir na derrota fragorosa

Para brigar na planície ponha o seu flanco direito
De costa para a colina, um terreno sem defeito
Deixe o ruim para o inimigo, o seu lugar é perfeito

O Imperador Amarelo, venceu seus opositores
Derrotando três exércitos, prendendo seus seguidores
Mostrando que sua tática é coisa de vencedores

Escolher terreno alto em lugar ensolarado
Mantém a tropa saudável e o moral elevado
Quem se abriga nas sombras, fatalmente é derrotado

Deixe colinas e diques protegendo a retaguarda
Fique com o lado do sol, esteja à sua vanguarda
Ordene sua defesa, com arco, com espada e com vara

Cuidado com os sinais que veem da natureza
Se choveu muito pra cima, enchente vem com certeza
É melhor acampar longe, fugindo da correnteza

As regiões perigosas devem ser evitadas
Para fugir das surpresas e escapar de emboscadas
A astúcia do inimigo não deve ser desprezada

Desfiladeiro no rio não deve ser encarado
É melhor sair dali guarnecendo o seu lado
Procurando outro caminho que não seja arriscado

Um lugar de mata alta, um terreno pantanoso
Barranca com precipício, um terreno pedregoso
Devem ser contornados, todo ele é perigoso

Se o inimigo está pertinho, mas permanece escondido
É porque não tem vantagem, haja logo e decidido
Se atacar bem seguro ele pode ser vencido

Se a tropa está longe e procura provocar
Isso é muito perigoso, ele quer te engambelar
Não entre nessa roubada, nada pode te ajudar

Se houver mato, observe o balanço da folhagem
O voo dos passarinhos, tudo isso é mensagem
Prepare suas defesas para ficar em vantagem

Até os bichos do mato podem te dar um recado
Quando passam correndo o golpe está preparado
Leve tudo isso em conta para não ser esmagado

Veja as nuvens de poeira, pois elas podem indicar
A chegada do inimigo, vindo de qualquer lugar
Se a poeira for baixinha, infante vai atacar

Se chegar um mensageiro com palavra educada
Mas a tropa não desmonta e fica imobilizada
Pode até jurar na cruz, vai haver uma emboscada (??????)

Mas quando chegar gritando, contando muita bravata
Pode ficar com certeza que é conversa barata
Os soldados estão fugindo, já não tem com quem combata

Cuidado com as carruagens, se ficarem pelos lados
Precisa estar atento, batalhões organizados
Vão tentar ataque forte, mas pode ser rechaçado

Se os generais se agitam e não param de falar
Dando ordem para os soldados, você não pode esperar
Que de lá vem chumbo grosso, precisa se preparar

Se os soldados se apoiam com todo o peso na lança
Leve tudo isso em conta, está com fome, não avança
Tem sede e muito cansaço, não vai aguentar a dança

Enquanto eles se ajuntam para conversar apartados
Se os oficiais se irritam, esses estão rebelados
Não obedecem ao comando de generais derrotados

Para ganhar uma guerra precisa muita ciência
Generais de bom comando, tropas com obediência
Ouvindo muito Sun Tzu em aulas de competência.
Se você quiser ver o vídeo, basta clicar aqui.

Em tempo 1: embora o título seja por minha própria conta e risco, o autor parece ser José Alberto da Costa. Zé, se é você que está lendo este texto, por favor indique os erros para que eu possa corrigir. Se mais alguém acha que é o autor, por favor, me informe.

Em tempo 2: pesquisando imagens para ilustrar este texto, me deparei com o site Bacia das Almas (muito bonito), de Paulo Brabo, de onde tomei emprestada a ilustração, e com o blog de Silas Silva, poeta paraibano do cordel e da xilogravura, que editou um cordel sobre a Muralha da China e outro sobre ninguém menos que Bruce Lee.

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