I Ching, o Livro das Mutações e os segredos do oráculo chinês

3 Hexagramas, com seu nome em inglês, do I Ching, o Livro das Mutações

É praticamente impossível, para alguém que tem o mínimo de interesse pela China, não se deparar em algum momento com um dos mais antigos sistemas oraculares do mundo, o I Ching, o Livro das Mutações.

Mesmo quem não está nem aí para o país asiático, não tem como escapar do assunto - que penso ser mais famoso que o horóscopo chinês, o calendário chinês e o ano novo chinês.

Eu, então, que escrevo sobre as coisas da China especialmente relacionadas a Sun Tzu e A Arte da Guerra há algum tempinho, já estava mais que devendo um texto sobre o famoso oráculo.

Na verdade, sabia que era importante conhecer mais o I Ching, uma vez que desde os primórdios da China ele era parte essencial da cultura, com soberanos e personalidades das mais diversas estirpes, vez ou outra, apelando aos seus préstimos.

Um deles, no entanto, não parece ter sido o Sun Tzu. Aliás, tenho certeza de que você se lembra de sua famosa frase:

Proíbe os augúrios para evitar as dúvidas, e os soldados nunca te abandonarão.

Por outro lado, Confúcio parece não apenas ter recebido influência do I Ching, mas também influenciado seu desenvolvimento.

Mas o que vem a ser mesmo esse negócio?

Aqui, vale uma espiadinha no que o site da Superinteressante publicou a respeito do assunto:

O I Ching é a base da sabedoria chinesa, um conjunto de estudos que analisa o mundo e o homem, passando por astronomia, matemática, fenômenos, etc. O Livro das Mutações é a obra sagrada e milenar sobre esse ensinamento, que tem como um dos objetivos o autoconhecimento. É mais famoso no mundo ocidental por ser um oráculo (ensina dois rituais, um com moedas e outro com varetas para que o leitor o consulte com perguntas), o que de fato é, mas não apenas.

Claro, isso aí é só o começo. Ao longo deste post, vamos passear um pouco pela história do I Ching, na primeira parte, e entender um pouco mais seu conteúdo e sua utilização como oráculo, na segunda parte.

Junto com o texto, como sempre, há muitos links onde poderá obter mais informações complementares sobre o Livro das Mutações e, ao final, dicas de livros para se aprofundar no assunto.

Espero que seja do seu agrado… Vem comigo!

A história do I Ching



O mais antigo dos Cinco Clássicos chineses possui uma história de mais de dois milênios e meio, sendo influente e lido em todo o mundo, fornecendo inspiração para os mundos da religião, psicanálise, negócios, literatura e arte - para dizer o mínimo.

Em sua origem, tratava-se de nada mais que um manual de adivinhação, tendo sido transmutado com o passar do tempo em um texto cosmológico com uma série de comentários filosóficos conhecidos como as Dez Asas - sobre as quais escrevemos um pouco mais adiante.

O núcleo do I Ching é um texto de adivinhação da dinastia Zhou Ocidental chamado Zhou Yi - ou, as Mudanças de Zhou, no bom e velho mandarim -, sendo que um texto muito parecido com a forma atual já existia entre os séculos X e IV AEC.

Tradicionalmente, o Zhou Yi foi atribuído aos heróis culturais Rei Wen de Zhou e Duque de Zhou, mas também foi associado ao lendário Fu Xi, que teria observado os padrões do mundo e criado os oito trigramas (bāguà), segundo o principal textos das Dez Asas,

para se familiarizar completamente com o numinoso e brilhante e para classificar a miríade de coisas.

O Clássico dos Ritos afirma que os hexagramas do Zhou Yi foram derivados de um conjunto inicial de oito trigramas - assim como na lenda de Fu Xi. No entanto, ao longo da dinastia Han houve diversas opiniões sobre a relação histórica entre os trigramas e os hexagramas.

As narrativas dos Anais da Primavera e Outono de Zuo Zhuan e do Guoyu contêm as mais antigas descrições de adivinhação usando o Zhou Yi. Ambos os textos descrevem mais de vinte doutrinas conduzidas por adivinhos profissionais para famílias reais, entre 671 AEC e 487 AEC.

Uma delas, inclusive, está representada no post que publicamos aqui sobre Tian Wan, um provável ancestral de Sun Tzu.

Em relação à autoria, eventualmente um consenso se formou em torno da tese do acadêmico Ma Rong, do século II EC, que atribuiu o Zhou Yi a um trabalho conjunto, mas obviamente não concomitante, de Fu Xi, do Rei Wen de Zhou, do Duque de Zhou e de Confúcio - atribuição que já não é geralmente aceita.

Em 136 AEC - influenciado por um amplo leque de influências culturais que incluíam o confucionismo, o taoísmo, o legalismo, a cosmologia do yin-yang e a teoria física Wu Xing -, o Imperador Wu de Han nomeou o Zhou Yi “o primeiro dentre os clássicos”, dando-lhe o nome de Clássico das Mudanças ou I Ching - que hoje em dia é mais conhecido no Brasil com o nome Livro das Mutações.

A edição oficial do texto foi literalmente canonizada em pedra, como um dos clássicos de pedra Xiping. O I Ching canonizado tornou-se o texto padrão por mais de dois mil anos, até versões alternativas do Zhou Yi e textos relacionados serem descobertos no século 20.

O I Ching e as Dez Asas (ou: voar, voar… subir, subir…)


Painel com os 8 trigramas do I Ching, o Livro das Mutações, ao redor do símbolo de yin-yang
Parte da canonização do Zhou Yi ligou-o a um conjunto de comentários chamados Dez Asas - produzidos muito tempo depois do Zhou Yi, mas que reflete um reconhecimento generalizado na China antiga, encontrado no Zuo Zhuan e em outros textos pré-Han, de que o I Ching era um rico documento moral e simbólico, útil para mais do que mera adivinhação.

Na Minhateca há uma relação sintética delas, que reproduzo a seguir (de forma ainda mais sintética):

  1. T’uan Chuan, Comentários Sobre os Julgamentos, parte I;
  2. T’uan Chuan, parte II;
  3. Hsiang Chuan, Comentários Sobre as Imagens, parte I;
  4. Hsiang Chuan, parte II;
  5. Hsi Tz’u ou Ta Chuan, o Grande Comentário, parte I;
  6. Hsi Tz’u ou Ta Chuan, parte II;
  7. Wên Yen, Comentários Sobre as Palavras do Texto;
  8. Shuo Kua, Discussão dos Trigramas;
  9. Hsu Kua,Sequência ou Ordem dos Hexagramas; e
  10. Tsa Kua, Coletânea de Indicações.

Provavelmente, as mais importantes das Dez Asas são as que formam o chamado Grande Comentário (5 e 6), que data de cerca de 300 AEC. Ele apresenta o I Ching como um microcosmo do universo e uma descrição simbólica dos processos de mudança e explica como os oito trigramas procediam da eterna unidade do universo através de três bifurcações.

Ainda segundo o Grande Comentário, ao participar da experiência espiritual do I Ching o indivíduo pode entender os padrões mais profundos do universo - será que a pessoa meio que se transforma num Dr. Manhattan?

Pense nisso!

As Dez Asas eram tradicionalmente atribuídas a Confúcio, possivelmente devido a uma leitura errada dos Registros do Grande Historiador. Entretanto, em que pese esse pequeno detalhe, a associação de Confúcio com o I Ching deu peso ao texto, especialmente no período das dinastias Han e Tang.

O I Ching na dinastia Han Oriental



Durante a Dinastia Han Oriental, (25 EC a 220 EC) a interpretação do I Ching foi dividida em duas escolas, a partir de uma disputa sobre pequenas diferenças entre as diferentes edições do texto recebido.

A primeira escola, conhecida como Crítica do Novo Texto, era mais igualitária e eclética, e procurou encontrar paralelos simbólicos e numerológicos entre o mundo natural e os hexagramas. Seus comentários serviram de base para a Escola de Imagens e Números.

A outra escola, a Crítica do Velho Texto, era mais acadêmica e hierárquica, e focada no conteúdo moral do texto, servindo de base para a Escola de Significados e Princípios.

Os estudiosos do Novo Texto distribuíram versões alternativas do texto e integraram livremente comentários não-canônicos em seu trabalho, além de propagar sistemas alternativos de adivinhação como o Tai Xuan Jing.

Com a queda dos Han, os estudos de I Ching deixaram de ser organizados em escolas sistemáticas. O escritor mais influente desse período pós-Han foi Wang Bi, que descartou a numerologia dos comentadores Han e integrou a filosofia das Dez Asas diretamente no texto central do I Ching, criando uma narrativa tão persuasiva que os comentaristas Han não eram mais considerados significativos.

Um século depois, Han Kangbo acrescentou comentários sobre as Dez Asas ao livro de Wang Bi, criando um texto chamado Zhouyi Zhu. A principal interpretação rival foi um texto prático sobre adivinhação editado por pelo adivinho Guan Lu.

O I Ching nas Dinastias Tang e Song


Capa do livro Zhou Yi, sobre o I Ching, o Livro das Mutações
No início da Dinastia Tang (618 a 907) o Imperador Taizong ordenou a Kong Yingda a criação de (mais) uma edição canônica do I Ching. Escolhendo o Zhouyi Zhu do século III como comentário oficial, ele acrescentou um comentário adicional, desenhando os níveis mais sutis das explicações de Wang Bi, e criando o Zhouyi Zhengi.

Ainda no período dos Tang, tornou-se amplamente utilizado outro método de adivinhação, empregando moedas, que ainda é usado hoje em dia.

Durante o período da Dinastia Song (960 a 1.279 EC), o Zhouyi Zhengi veio a tornar-se a edição padrão do I Ching, que estava sendo lido como um trabalho de filosofia intrincada, um ponto de partida para examinar grandes questões metafísicas e éticas. Cheng Yi, patriarca da escola neo-confucionista Cheng-Zhu, leu o I Ching como um guia para a perfeição moral.

Ele descreveu o texto como uma maneira de os ministros formarem facções políticas honestas, erradicar a corrupção e resolver problemas no governo. O estudioso Shao Yong, contemporâneo de Cheng Yi, reorganizou os hexagramas em um formato que se assemelha aos números binários modernos, embora ele não pretendesse que seu arranjo fosse usado matematicamente.

O I Ching e a escola Neo-confucionista



Zhu Xi,neo-confucionista do século XII e co-fundador da escola Cheng-Zhu, rejeitou ambas as escolas do I Ching da Dinastia Han, propondo que o texto era uma obra de adivinhação, não de filosofia.

E apesar de ainda o considerar útil para a compreensão das práticas morais dos antigos, sua contribuição foi mesmo na linha profética. A reconstrução de Zhu Xi da adivinhação com talos de milefólio, baseada em parte no texto do Grande Comentário, das Dez Asas, tornou-se a forma padrão e ainda está em uso em pleno século XXI.

À medida em que a China entrou no início do período moderno, o I Ching assumiu uma relevância renovada no estudo confucionista e taoista. O Imperador de Kangxi gostava especialmente do I Ching e ordenou novas interpretações dele.

Os eruditos da dinastia Qing concentraram-se mais intensamente na compreensão da gramática pré-clássica, auxiliando o desenvolvimento de novas abordagens filológicas no período moderno.

O I Ching na Coréia e no Japão


Bandeira da Coréia, com seus 4 característicos trigramas do I Ching, o Livro das Mutações
Em 1557, o neo-confucionista coreano Yi Hwang produziu um dos mais influentes estudos de I Ching do início da era moderna, no qual alegava que o espírito era um princípio (li) e não uma força material (qi). Hwang acusou a escola neo-confucionista de ter interpretado mal Zhu Xi e sua crítica provou-se influente não só na Coréia, mas também no Japão.

Além desta contribuição, o I Ching não foi central para o desenvolvimento do confucionismo coreano e, no século XIX, os estudos sobre a obra foram integrados no movimento de reforma do Silhak.

No Japão medieval, ensinamentos secretos sobre o I Ching foram divulgados pelo mestre Rinzai Zen Kokan Shiren e pelo xintoísta Yoshida Kanetomo. Os estudos do texto no Japão assumiram uma nova importância no período Edo, durante o qual mais de mil livros de mais de 400 autores foram publicados sobre o assunto.

A maioria destes livros eram trabalhos sérios da filologia, reconstruindo usos e comentários antigos para finalidades práticas, embora uma minoria considerável estivesse focada em numerologia, simbolismo e adivinhação. Durante este tempo, mais de 150 edições de comentários chineses anteriores foram reimpressas no Japão, incluindo vários textos que se perderam na China.

No início do período Edo, escritores como Itō Jinsai, Kumazawa Banzan e Nakae Toju classificaram o I Ching como o maior dos clássicos confucionistas. Muitos autores tentaram, ainda, usar o I Ching para explicar a ciência ocidental.

Um escritor, Shizuki Tadao, até tentou empregar a mecânica newtoniana e o princípio copernicano dentro de uma cosmologia de I Ching. Esta linha de argumento foi retomada mais tarde na China por Zhang Zhidong, oficial e erudito da Dinastia Qing.

O I Ching na Europa e no mundo moderno



Leibniz (sim, o famoso matemático), se correspondia com jesuítas na China e escreveu o primeiro comentário europeu sobre o I Ching em 1703, argumentando que provava a universalidade dos números binários e do teísmo (mas não vamos entrar nesses detalhes aqui).

Na sequência, foi criticado por Hegel, que proclamou que o sistema binário e caracteres chineses eram “formas vazias” que não conseguiam articular as palavras faladas com a clareza do alfabeto ocidental - seja lá o que ele quis dizer sobre isso.

No século XX, Jacques Derrida identificou o argumento de Hegel como logocêntrico, mas aceitou sem questionar a premissa de que a língua chinesa não pode expressar idéias filosóficas.

Depois da Revolução Xinhai, o I Ching deixou de fazer parte da filosofia política chinesa, mas manteve a influência cultural como o texto mais antigo da China. Tomando emprestado de Leibniz, escritores chineses ofereceram paralelos entre o I Ching e assuntos como álgebra linear e lógica em ciência da computação, com o objetivo de demonstrar que a antiga cosmologia chinesa havia antecipado as descobertas ocidentais.

O sinologista Joseph Needham tomou a posição oposta, argumentando que o I Ching tinha de fato impedido o desenvolvimento científico, incorporando todo o conhecimento físico em sua metafísica. O psicólogo Carl Jung interessou-se pela possível natureza universal das imagens do I Ching, e introduziu uma influente tradução alemã de Richard Wilhelm, discutindo suas teorias de arquétipos e sincronicidade.

Jung escreveu:

Mesmo para o olho mais preconceituoso, é óbvio que este livro representa uma longa admoestação ao escrutínio cuidadoso do próprio caráter, atitude e motivos.

O livro teve um impacto notável na contracultura de 1960 e em personalidades culturais do século XX, tais como Philip K. Dick, João Cage, Jorge Luis Borges e Herman Hesse. Por outro lado, o período moderno também trouxe um novo nível de ceticismo e rigor para os estudos de I Ching.

Li Jingchi passou várias décadas produzindo uma nova interpretação do texto, que foi publicado postumamente em 1978. Gao Heng, um especialista na China pré-Qin, reinvestigou seu uso como um oráculo da dinastia Zhou. Edward Shaughnessy propôs uma nova data para os vários estratos do texto.

Novas descobertas arqueológicas permitiram um nível mais profundo de entendimento sobre como o texto foi usado nos séculos anteriores à dinastia Qin. Os proponentes das recém-reconstruídas leituras da Dinastia Zhou Ocidental, que muitas vezes diferem grandemente das leituras tradicionais do texto, são às vezes chamados de “escola modernista”.

Entendendo o I Ching e seus hexagramas


Relação dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações

O I Ching usa um tipo de divinação chamada cleromancia, que produz números aparentemente aleatórios.

Quatro números, de 6 a 9, são transformados em um hexagrama (卦 guà), que pode então ser procurado no livro I Ching, organizado na ordem conhecida como Seqüência do Rei Wen - assim chamada em alusão ao rei Wen de Zhou, que fundou a dinastia Zhou e supostamente reformou o método da interpretação.

O hexagrama, a unidade básica do Zhou Yi, é uma figura composta por seis linhas horizontais empilhadas (爻 yáo), sendo que cada linha pode estar quebrada ou ininterrupta. A Seqüência agrupa os hexagramas em pares, cada um com seu equivalente de cabeça para baixo, embora em oito casos os hexagramas sejam emparelhados com seus inversos.

A tabela a seguir lista os hexagramas (verdes) na Sequência do Rei Wen, mas fique sabendo que a atribuição de números, binários ou decimais, a hexagramas específicos é uma invenção moderna.

O mais antigo manuscrito conhecido, encontrado em 1987 e agora mantido pela Biblioteca de Xangai, foi quase certamente organizado na seqüência de King Wen.

Embora não pareça evidente que a ordem dos hexagramas tenha sido de interesse especial aos autores originais do Zhou Yi, e atualmente se utilize a sequência acima, outra ordem, encontrada em Mawangdui em 1973, organiza os hexagramas em oito grupos compartilhando o mesmo trigrama superior.

Os hexagramas e seus elementos



O texto recebido do Zhou Yi contém todos os 64 hexagramas possíveis, que revelam em detalhes as 64 etapas dos ciclos universais do céu e da terra, de acordo com a visão dos chineses antigos.

Constantino K. Riemma, no site I Ching, nos ensina que cada hexagrama inclui:

  • O nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • O texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de para ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • A imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • Os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama.

Como exemplo, vamos usar o texto do Livro Primeiro, da tradução de Richard Wilhelm, para o hexagrama de número 11:

O julgamento seria:

PAZ.
O pequeno parte, o grande se aproxima.
Boa fortuna.Sucesso.

A imagem:

Céu e terra unem-se:
a imagem da PAZ. Assim o governante divide e completa o curso do céu e da terra, favorece e regula os dons do céu e da terra e desta forma ajuda ao povo.

As linhas, de 1 a 6:

Nove na primeira posição significa:
Quando se arranca uma folha de grama,
junto vem o torrão.
Cada qual de acordo com sua espécie.
Empreendimentos trazem boa fortuna.

Nove na segunda posição significa:
Suportar gentilmente os incultos,
atravessar o rio com decisão,
não negligenciar o longínquo,
não privilegiar os companheiros.
Assim se poderá trilhar o caminho do meio.

Nove na terceira posição significa:
Não há planície que não seja seguida por uma escarpa.
Não há partida que não seja seguida por um retorno.
Aquele que se mantém perseverante quando em perigo
permanece sem culpa.
Não lamenta essa verdade:
usufrua a boa fortuna que ainda possui.

Seis na quarta posição significa:
Ele deve voando sem se vangloriar de sua riqueza.
Junto a seu próximo, sincero e sem malícia.

Seis na quinta posição significa:
O soberano concede sua filha em casamento.
Isso traz bênçãos e suprema boa fortuna.

Seis na sexta posição significa:
A muralha cai novamente no fosso.
Não use o exército agora.
Proclame suas ordens em sua própria cidade. A perseverança traz humilhação.

E, além de uma nota do autor para o hexagrama, cada item acima tem um texto adicional, que se pretende explicativo, como o seguinte, referente ao texto da linha 6:

Começou a ocorrer a mudança mencionada no meio do hexagrama. A muralha da cidade cai novamente no fosso do qual tinha sido erguida. Sobrevêm o desastre. Agora o homem deve se submeter ao destino, e não pretender detê-lo através de uma resistência violenta.

O único recurso restante é resguardar-se em seu círculo mais íntimo. Se quisesse, como de costume, perseverar na resistência ao mal, o colapso seria ainda mais completo, levando à humilhação.

Basicamente, quando se faz uma consulta ao I Ching, o acaso escolhe um hexagrama e alguém interpreta toda essa treta aí de cima, a respeito do hexagrama em questão.

Tá bom, Gameirinho, mas como eu consulto o I Ching? Resposta: olhe para baixo!

Como consultar o I Ching


Moedas usadas para consultar o I Ching, o Livro das Mutações
Embora atualmente também se usem métodos alternativos, como dados especiais e cartomancia, a forma mais comum de adivinhação com o I Ching em uso hoje é uma reconstrução dos métodos descrito nas histórias do Zuo Zhuan, no Grande Comentário das Dez Asas, no Huainanzi e no Lunheng.

A partir da descrição do Grande Comentário, o neo-confucionista Zhu Xi reconstruiu um método de adivinhação com talos de milefólio (ou varetas) que ainda é usado em todo o Extremo Oriente. No período moderno, Gao Heng tentou sua própria reconstrução, diferente da de Zhu Xi.

Muitos entendidos no assunto, baseados nos métodos acima referenciados, fazem a consulta com o lançamento de moedas.

Como objetivo desse post não é entrar nos detalhes, digamos, místicos do I Ching, mas apenas apresentar o mais didaticamente possível a história e as principais características do Livro das Mutações, vamos apenas reproduzir um breve texto sobre como consultar o I Ching, utilizando o lançamento das moedas, direto do site Personare:

A pessoa formula uma pergunta precisa, sobre algum esclarecimento do qual tem curiosidade em saber. Depois disso, são lançadas moedas para a obtenção da resposta. Estes instrumentos são agrupados seis vezes, formando linhas, também chamadas de hexagramas - que podem ser firmes ou maleáveis/mutáveis. Linhas firmes ocorrem quando as moedas caem em lados diferentes. Quando caem todas do mesmo lado, dá-se a linha mutável - a ocorrência de uma linha como essa, ou mais, cria um novo hexagrama, representando o que acontecerá no futuro em relação à pergunta feita pelo consulente.

Cada uma dessas linhas sorteadas contém um significado específico baseado no princípio da dualidade Ying e Yang, através do qual compreendemos que não existe bom ou mau, positivo ou negativo, mas uma complementaridade entre opostos. A ideia é equilibrar tudo que existe ao nosso redor.

Para entender como é a consulta ao I Ching usando varetas, vale fazer uma visita a este link. Este outro link também explica o uso das varetas, além de detalhar como usar as moedas.

Se você entende de inglês, pode dar uma olhada nos vídeos a seguir, disponíveis também no site do Lars Bo Christensen:




Conhece a ti mesmo e aos demais

Como deu para notar, há pelo menos duas maneiras de olhar para o I Ching, o Livro das Mutações:

  • A primeira, é como um tratado filosófico-espiritual, onde se encontram ensinamentos da milenar sabedoria chinesa;
  • A segunda, um oráculo puro e simples, como o tarô ou os búzios (mal comparando, talvez).

Há também a possibilidade de ignorar por completo a obra chinesa mais lida em todo o mundo - o que de fato a maioria das pessoas faz - e deixar passar uma oportunidade de conhecer mais a fundo o pensamento chinês.

Para nós, pessoas comuns, não há problema.

Mas se eu tivesse que lidar com os chineses, seja no âmbito governamental, seja no âmbito comercial, sem dúvida tentaria entender melhor essa ideia que está embrenhada na mente coletiva chinesa, tanto quanto o taoismo e o confucionismo.

Como diz uma das famosas frases de Sun Tzu:

Quando conheces a ti mesmo e conheces os demais, a vitória não é um perigo; quando conheces o céu e a terra, a vitória é inesgotável.

Zài Jiàn!

Livros sobre I Ching, o Livro das Mutações

Preparei uma lista de livros que podem ser úteis a quem quiser se aprofundar no assunto. O primeiro é o grande clássico moderno, a partir do qual deriva parte significativa dos demais livros e conteúdos sobre o I Ching.





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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.


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Retrospectiva 2016 e o que vem por aí no ano do galo de fogo

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.

Silhueta de um galo no topo de uma construção contra o céu azul.

Uau! Que ano, meus amigos! Que ano! Se fôssemos defini-lo como um gênero literário seria algo parecido com

realismo-mágico-surreal-distópico-de-terror-bíblico-pós-apocalíptico. 

Além da improvável vitória do infame Donald Trump na corrida à Cara Branca, teve tudo que aconteceu entre o furacão da Operação Lava-Jato e a despedida malemolente de nossa querida Dilmãe.

Teve também os famigerados Jogos Olímpicos e umas coisas que ninguém entendeu, muito loucas/legais/estranhas ou que não gostaríamos que tivessem acontecido - tipo um monte de gente boa partindo para outras galáxias.

E espero sinceramente que as notícias ruins tenham acabado por aí, que o resto do ano seja apenas de novidades que ajudem a renovar as esperanças.

Enquanto isso vamos dar uma olhadinha no que aconteceu aqui pelo blog, que tal?

Vem comigo!

O livro (que ainda não foi, mas que será)

Já começo falando de promessas (des)cumpridas: entreguei algumas coisas que havia prometido, mas outras não consegui mesmo. E certamente não conseguirei prometer no mesmo nível do ano passado.

No início de 2016, quando publique nossa retrospectiva 2015, escrevi isso a respeito do livro que estou a escrever sobre Sun Tzu, autor d'A Arte da Guerra:

...o ano [de 2015] pareceu iniciar bem, mas no segundo semestre deu uma esfriada digna dos famigerados Starks. Acontece que, segundo eu publiquei na retrospectiva 2014, tinha decidido mudar o rumo do que ia escrever, pois não estava conseguindo encaixar bem a história.

Resolvi ir atrás das supostas origens de Sun Tzu, com a sua suposta família, em sua suposta terra natal (Qi). Levantei a história do lugar e um monte de personagens, inclusive registrando aqui no blog quase tudo - ainda falta Confúcio e um cabôco chamado Zaozhi, a respeito de quem publicarei nos primeiros meses de 2016.

Além disso, delineei uma proposta para a história e até rascunhei algumas cenas, mas não consegui desenvolver o autor d'A Arte da Guerra de um jeito satisfatório, de modo que devo repensar a história, com base em uma ideia que me surgiu no finalzinho do ano.

A nova proposta tem a ver com o fato de Sun Tzu não aparecer em registros importantes da história chinesa, especialmente nos Anais da Primavera e Outono. Vamos ver no que vai dar (e certamente falarei disso na próxima retrospectiva).

Então, essa nova linha de raciocínio também não prosperou como eu esperava, mas surgiu uma ideia que tem potencial para ser a grande vencedora. Só tive um problema: o trabalho que paga minhas contas tem consumido um nível de energia absurdo e, confesso, acabei não conseguindo avançar no manuscrito.

Mas tenho um alento: se George R. R. Martin - que é muito bem pago pra escrever a p*%%@ das Crônicas de Gelo e Fogo - enrola do tanto que enrola pra lançar o novo livro, porque não posso eu me dar o mesmo luxo?

E longe de mim, querer me comparar a um dos grandes serial killers do séc. XXI...

Brincadeiras a parte, o projeto do livro está avançando - ainda que (muito) mais lentamente do que eu gostaria. Vejamos se consigo me organizar melhor em 2017 e fecho o ano com uma notícia um pouco melhor.

O blog (e o que pode vir por aí)



Por conta disso, resolvi tomar uma atitude drástica: vou reduzir ao mínimo possível novos posts neste blog. Para 2017 pretendo publicar, no máximo seis textos novos, além de recauchutar alguns mais antigos.

A princípio, os novos devem ser pinçados dos itens abaixo:

  1. Anais da Primavera e Outono;
  2. Armas antigas;
  3. Danças e músicas ancestrais (talvez com uma pitada de rituais xamânicos);
  4. Espíritos; 
  5. I Ching, o Livro das Mutações;
  6. Lendas;
  7. Nomes;
  8. Registro do Grande Escriba (ou Historiador), de Sima Qian; e
  9. Sexo, eunucos e concubinas.

Não necessariamente nesta ordem e, com certeza, não todos. Darei preferência, deixo claro, aos que me ajudarão mais na labuta do livro - e nesse caso as maiores chances vão para 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 9.

Note que quase todos os itens estavam previstos para este ano de 2016, mas acabaram não sendo escritos. Devo confessar, inclusive, que tenho uma relação gigantesca de novos textos para enriquecer o blog - além dos acima relacionados -,  mas eles devem ficar para depois mesmo.

A retrospectiva (águas passadas e moinhos de vento)

Ainda assim, apesar dos apesares, acho até que fui bem no que diz respeito aos textos do blog. Consegui entregar dezesseis dos textos previstos - e bem feitos, em minha humilde opinião:

  1. Confúcio, o primeiro come-quieto da história;
  2. Confúcio, o justiceiro e os suspeitos;
  3. 10 mulheres exemplares da história da China;
  4. Confúcio, o marketing pessoal e a regra de ouro;
  5. Confúcio, o consertador de nomes e a moralidade das odes;
  6. Planejamento estratégico;
  7. Projetos;
  8. Zhaozi, o senhor dos aneis e Miriam Leitão da China antiga;
  9. Processos;
  10. 36 Estratagemas;
  11. Sete Clássicos Militares da China Antiga;
  12. Kung, wushu fu e as artes marciais;
  13. 17 grandes mestres da história das artes marciais chinesas;
  14. A história de Bruce Lee: vida, glória e morte do mito;
  15. 4 mulheres e a Arte da Guerra na China Antiga; e
  16. Taoismo.

Enquanto os posts 6, 7 e 9 deram muito mais trabalho do que eu esperava, o 14 foi de longe o que mais gostei de escrever. Também gostei muito de escrever todos sobre Confúcio, além do 3 e do 15 - que apresenta alguns aspectos relacionados às mulheres na história da China.

Duas galinhas pretas com pintas brancas com jeito muito malemolente.

E nenhum desses novos textos figurou entre os 10 mais acessados do ano, cuja lista é a seguinte:

  1. O calendário chinês e o ciclo sexagenário: tudo que você precisa saber
  2. Baixe Sun Tzu e A Arte da Guerra em PDF (downloads grátis)
  3. Quem foi Sun Tzu
  4. Frases de Sun Tzu e da Arte da Guerra
  5. Sobre A Arte da Guerra
  6. O Terreno - Capítulo X do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu
  7. Manobras - Capítulo VII do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu
  8. O Uso de Espiões - Capítulo XIII do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu
  9. Os signos, a astrologia e o horóscopo chinês
  10. As Nove Mudanças - Capítulo VIII do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu

Comparando com os números de 2015, temos praticamente os mesmos posts com algumas alterações na ordem e dois novatos do ranking: o 9 e o 10. Da relação anterior, saíram:


E já que vimos o texto sobre o zodíaco chinês ali, bravamente figurando entre os 10 mais acessados de 2016, aproveito para lembrar que estamos deixando para trás o ano do macaco de fogo e começando, exatamente em 28 de janeiro de 2017, o ano do galo de fogo.

Os finalmentes (ufa!)


Letreiro com a palavra "felicidade" e uma seta apontando para o lado.

Por fim, gostaria de compartilhar (mais uma vez?) com você a imensa alegria que tive de saber que meu conto Uma Espada Para o Rei foi selecionado no 4º Prêmio SFX de Literatura 2016 e integra a coletânea do mesmo ao lado de um monte de fera da arte de bem escrever.

Espero que tenha sido um ano excelente pra você, além de tudo aquilo que escrevi lá no início deste texto, e que o ano de 2017 seja repleto de tudo que é bom - mas principalmente saúde, paz e harmonia.

Continue com a gente e tenha um Feliz Natal e um Xīn Nián Hǎo!

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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.


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Exército de Terracota, ponte dos imortais, pedras de calcário e roupas no varal são as fotos chinesas do mês


Foto de uma antiga câmera Kodak Supermatic sobre o chão

Opa, que bom contar com você neste sexto post com as fotos chinesas do mês - e também o último dá série no ano de 2016.

Para relembrar, a série começou em junho com esse post e já nos entregou um monte de imagem bacana do Reino do Meio.

E enquanto o livro a respeito de Sun Tzu, o autor d'A Arte da Guerra, está sendo lentamente gestado, continue a apreciar comigo mais algumas escolhidas a dedo (e três temas que já apareceram aqui):

  • Uma ponte para Wolverine;
  • Wulingyuan e os pilares de arenito;
  • Mais exército de terracota; e
  • Roupas no varal - sim, isso mesmo!

E pode comentar à vontade lá embaixo - como sempre.

Ponte dos Imortais

Se arriscaria? Então, dá só uma olhada no que o pessoal do Arquitetura Sustentável escreve a respeito dela:

A Ponte dos Imortais, localizada nas Montanhas Huangshan, na China, é considerada a ponte mais alta do mundo e por isso, se tornou patrimônio da Unesco. A ponte fica a uma altura amedrontante e para se chegar até ela é necessária uma caminhada árdua por entre os penhascos íngremes das “Montanhas Amarelas”.




Wulingyuan

Veja o que o tá escrito no Hype Science a respeito desse Patrimônio Mundial da Unesco:

A região de Hunan é repleta de paisagens dramáticas, e Wulingyan é uma de suas maiores atrações. Esta maravilha geológica é composta de mais de 3 mil pedras de calcário, com belas cachoeiras e algumas das maiores grutas de calcário da Ásia.



Guerreiros de terracota

Acho que nunca me cansarei de admirar essa fantástica obra da imaginação humana - que, aliás, foi descoberta por acaso. É o que nos informa o texto da Revista Viagem:

A atração número um de Xi'an foi encontrada por acaso. Por séculos a cidade viveu à sombra do imperador Qin Shi Huangdi, o homem que unificou a China no século 3 a.C. Sentia-se sua presença, sabia-se que aqui ele estabeleceu sua capital, mas os traços físicos desse período eram limitados. Isso até 1974, quando fazendeiros fizeram uma descoberta fabulosa. Um a um guerreiros de terracota foram sendo desencavados. De repente, eram centenas, cada um com feições diferentes dos outros. Estava descoberto o maior sítio arqueológico desde que Howard Carter descobriu os tesouros de Tutankhamon: a tumba de Qin Shi Huangdi.




Roupa lavada

Mania mutcho lôka dos chineses (e dos maranhenses também... hehe), o pessoal do De Passagem tem um texto bem legal a respeito:

Este costume chinês faz cair o queixo de qualquer estrangeiro. Aqui, o povo tem a mania de colocar tudo na rua para secar. É comum olhar prédios altos com varais para fora cheios de roupas, lençóis, até edredons. Nas calçadas, também é fácil encontrar as mais variadas peças que estão ao alcance das mãos de qualquer um, inclusive roupas íntimas. Os chineses acreditam que tudo deve ficar do lado de fora para secar. Se secar dentro de casa, as bactérias não morrem.



Click final

Como já deixei claro no primeiro post desta série, teremos sempre quatro fotos por publicação, uma para cada semana do mês.

Além disso, você não verá na série os créditos ao final - como tenho feito nos textos regulares (veja um exemplo aqui no texto sobre o ano novo chinês). No entanto, em se tratando de pins do Pinterest, você sempre pode seguir a foto até encontrar a origem e (com alguma sorte) o autor.

A exceção a respeito dos créditos irá para a foto de abertura, que a princípio será sempre de um tema relacionado à arte de fotografar.

Espero que tenha gostado e aguarde poucas e boas para o próximo mês.

Aliás, qual delas você achou melhor?

Claro que eu gostaria de saber da sua opinião nos comentários. Sinta-se à vontade para queimar o filme (ou não) - antes que o ano acabe de vez. 

Zài Jiàn!

Crédito da imagem de abertura


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Taoismo: Laozi e um caminho para a virtude



É bem possível que você já tenha visto por aí algum livro que começa com a expressão "O Tao".

Eu mesmo tenho um aqui em casa, chamado O Tao da Espionagem (em inglês), que trata de como essa "arte" se desenvolveu na China antiga. Mas talvez você tenha lido, visto ou ouvido falar de um mais conhecido: O Tao da Física (que eu ainda não li - nem sei se irei).

Não precisa ser um gênio pra perceber que esse "Tao" vem de taoismo e tem tudo a ver com o tema principal de nosso blog.

De fato, desde a primeira leitura que fiz do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu tive a impressão, dado meu conhecimento incipiente de taoismo à época, de que ambos tinham muito em comum.

Ainda mais que essa primeira leitura foi da tradução da versão francesa do padre Amiot. Essa versão, digamos, dava uma adocicada no texto original – e eu caí nessa armadilha durante um bom tempo aqui no blog.

Ainda assim, o livro de Sun Tzu parece ter relação muito forte com essa milenar forma de espiritualidade - e acho que você deverá concordar. Obviamente, assumindo que já tem uma boa ideia do conteúdo do tratado bélico e também que irá ler este post até o final.

Vem comigo!

Taoísmo... o que é isso mesmo?



Basicamente, curto e grosso: o taoismo é uma tradição filosófica (ou religiosa ou espiritual) de origem chinesa que tem a ver com aquela boa e velha ideia de viver em harmonia, em alinhamento com o fluxo natural ou ordem estrutural cósmica do universo.

O termo Tao é utilizado em outras filosofias chinesas antigas não relacionadas ao taoismo - pelo menos não diretamente - e pode significar:

  • o caminho (ou fluxo) natural do universo;
  • o caminho;
  • caminho; ou
  • princípio.

Também pode ser interpretado como estrada, canal, trilha, doutrina ou linha.

Ele denota algo que é ao mesmo tempo a fonte e a força por trás de tudo o que existe.

É "o único", que é natural, espontâneo, eterno, sem nome e indescritível.

É ao mesmo tempo o princípio de todas as coisas e a maneira pela qual todas as coisas perseguem seu rumo.

O Tao é, ainda, algo imanente às pessoas – ou seja, elas podem encontrá-lo dentro de si mesmas.

Já a palavra "taoismo" em si é comumente associada a pelo menos dois aspectos diferentes de uma mesma tradição:

  1. Religião taoista (daojiao, ensinamentos do Tao) ou aspectos litúrgicos – trata-se basicamente de famílias de movimentos religiosos organizados que compartilham conceitos e terminologias da “filosofia taoista”, sendo que a primeira dessas famílias é reconhecida como a Escola dos Mestres Celestiais.
  2. Filosofia taoista (daojia, escola ou família do Tao), também referencada como taologia (daoxue, aprendizado do Tao) ou como aspecto místico – são as doutrinas filosóficas baseadas nos textos do I Ching, do Tao Te Ching (daodejing) e do Zhuangzi.

No entanto, essa distinção é rejeitada por boa parte dos estudiosos ocidentais e japoneses, uma vez que o taoismo em si é muito mais complexo (e fascinante) do que deixa transparecer uma categorização entre religião, filosofia e o que mais aparecer.

Origem, formação e desenvolvimento do taoismo



Laozi é tradicionalmente considerado o fundador do taoismo e está intimamente associado, nesse contexto, com sua versão "original" ou "primordial".

Até porque, a ele é atribuída a autoria do famoso Tao Te Ching, principal livro relacionado ao taoismo - outros livros importantes são:


Voltando a Laozi, sua real existência é contestada, muito embora a tradição aponte que ele tenha nascido em 604 AEC, mais ou menos na mesma época de Confúcio – o que o tornaria contemporâneo de Sun Tzu, sobre o qual também pairam acusações de não ter existido de verdade.

Puxando um pouco mais esse fio de meada, caso minha teoria (literária) esteja correta, e Sun Tzu seja filho da família Tian de Qi, não é improvável que tenha conhecido Laozi, ou pelo menos ouvido falar dele.

Mas deixemos essa hipótese no ar, já que, por enquanto, é apenas um exercício imaginativo.

Voltando à Terra, e às contradições das tradições, perceba que Laozi teria vivido ao longo do século VI de antes da era comum, mas o Tao Te Ching, obra seminal do taoismo a ele atribuída, é datado do período final do século IV AEC.

Fica óbvio que há algo de podre no reino da Dinamarca, concorda?

Xamãs, adivinhos e a escola de Naturalistas

Outro ponto interessante é que o Taoismo tem suas fundações cosmológicas baseadas na escola de Naturalistas – na forma de seus principais elementos:

  • Yin e Yang; e
  • as Cinco Fases

Essa escola se desenvolveu durante o período dos Estados Beligerantes, entre os séculos IV e III AEC.

Ainda sobre essa fase de surgimento do taoismo, é possível identificar quatro componentes:

  1. Taoismo filosófico, associado ao Tao Te Ching e a Zhuangzi;
  2. Técnicas para alcançar o êxtase (e isso muito me interess..., digo, interessa pra minha história...);
  3. Práticas para alcançar a longevidade ou a imortalidade; e
  4. Exorcismo (isso mesmo, e não estamos a falar de Emily Rose).

Alguns elementos do taoismo podem ser rastreados até religiões populares pré-históricas da China, que mais tarde se uniram em uma tradição taoista.

Em particular, muitas práticas taoistas tiveram origem:

  • nos fenômenos do período dos Estados Beligerantes denominados wu, ou xamãs (ligados à cultura xamânica do norte da China); e
  • no fangshi, que provavelmente era derivado dos arquivistas-adivinhos da antiguidade, um dos quais, supostamente, era o próprio Laozi.

Ambos os termos eram usados para designar indivíduos dedicados a:

  • magia;
  • medicina;
  • adivinhação;
  • métodos de longevidade;
  • contemplações em êxtase; e
  • exorcismo.

Inclusive “xamãs” e “feiticeiros” são palavras frequentemente utilizadas como tradução para wu (e, sim, eu tenho um texto planejado somente para esse assunto - mas não me pergunte quando ele sai).

Vale notar que os fangshi estavam, filosoficamente, próximos à Escola de Naturalistas, e se baseavam muito em especulações astrológicas e relacionadas ao calendário chinês em suas atividades divinatórias.

Outras escolas do taoismo e as cinco medidas de arroz



A primeira forma organizada do taoismo foi a escola Tianshi, ou Mestres Celestiais – depois conhecida como escola Zhengyi –, desenvolvida a partir movimento do final do século II denominado Cinco Pecks de Arroz.

Já o movimento havia sido fundado por Zhang Daoling, que alegara ter Laozi aparecido para ele no ano de 142 - aqui é bom destacar que, em meados do séc. II antes da Era Comum, Laozi transformara-se em divindade, por meio da vontade imperial.

A escola Tianshi foi oficialmente reconhecida pelo governante Cao Cao em 215, de forma a legitimar sua ascensão ao poder.

Na forma da escola Shangqing, o taoismo teve seu status oficial reforçado na China durante a dinastia Tang (618 a 907). O curioso aqui é o fato de que os imperadores dessa dinastia reivindicavam parentesco com ninguém menos que Vossa Divindade, Laozi.

O movimento Shangqing, no entanto, tinha se desenvolvido muito mais cedo, ainda no séc. IV, com base em uma série de supostas revelações feitas por deuses e espíritos a um certo Yang Xi entre os anos de 364 e 370.

De 397 a 402, Ge Chaofu compilou uma série de escrituras que mais tarde serviu de base para a fundação da escola Lingbao, que desenvolveu maior influência durante a dinastia Song (960 a 1.279).

Vários imperadores Song, mais notavelmente Huizong, eram ativos na promoção do taoismo - colecionando textos taoistas e publicando edições do Daozang.

No séc. XII, foi fundada em Shandong a escola Quanzhen – que floresceu durante os dois séculos seguintes e, ao longo da dinastia Yuan, tornou-se a maior e mais importante escola taoista ao norte da China.

Reza a lenda que o mestre mais reverenciado dessa escola, Qiu Chuji, reuniu-se com ninguém menos que Genghis Khan em 1.222 e foi bem sucedido em influenciar o conquistador a ser mais contido em suas conquistas brutais.

Inclusive, por decreto do próprio Khan, a escola também foi isenta de tributação.

Seguindo o jogo, diversos aspectos do taoismo - assim como do confucionismo e do budismo - foram conscientemente sintetizados na escola Neo-confucionista, que eventualmente se tornou parte da ortodoxia imperial (para os fins burocráticos do Estado) sob a dinastia Ming (1.368 a 1.644).

A dinastia seguinte, Qing (1.644 a 1.912), por outro lado, favoreceu sobremaneira os clássicos confucionistas em detrimento das obras taoistas. Durante o séc. XVIII, por exemplo, foi constituída a biblioteca imperial, mas dela foram excluídos praticamente todos os livros taoistas.

Principais textos do taoismo



Tao Te Ching


O Tao que pode ser dito não é o Tao eterno.
O nome que pode ser nomeado não é o nome eterno.

Assim Falou Zaratustra... digo, assim começa a obra considerada o trabalho seminal do taoismo - um livro compacto e ambíguo contendo ensinamentos atribuídos a Laozi (ou Lao Tzu, ou Lao Tsé).

Juntamente com os escritos de Zhuangzi - que interpreta e amplia as ideias de Laozi - o Tao Te Ching fornece a base filosófica do taoismo - decorrente dos oito trigramas (bagua) de Fu Xi nos idos de 2.700 AEC, na China.

Frequentemente referido como o Laozi - em alusão ao seu suposto autor - não apenas a autoria, como também a data de origem e até mesmo a unidade do texto são ainda objeto de debate – e provavelmente nunca serão conhecidos com certeza.

Aliás, como a maioria desses textos antigos da China - que o digam o Clássico da Poesia Chinesa e os Analetos de Confúcio.

Os primeiros textos do Tao Te Ching a serem  escavados (escritos em tábuas de bambu) datam do final do séc. IV AEC. Mas a versão mais antiga conhecida do livro é um pouco anterior, do final do séc. V AEC.

Zhuangzi

Seu título refere-se ao nome de seu suposto autor e a obra é considerada um dos textos mais importantes no taoismo.

Esse status foi alcançado muito em função do trabalho de Guo Xiang (cerca de 300 EC) que teria feito a primeira e mais importante revisão do texto.

Composto de escritos de várias fontes, a visão tradicional é de que o próprio Zhuangzi teria escrito os primeiros sete capítulos (chamados capítulos interiores) e seus discípulos, bem como estudiosos da obra, teriam sido responsáveis pelas outras partes (os capítulos exteriores e diversos).

O trabalho usa anedotas, parábolas e diálogos para expressar um de seus principais temas: alinhar-se às leis do mundo natural e ao caminho dos elementos.

I Ching



Os principais conceitos da doutrina tem uma relação muito próxima com os princípios da escola do yin yang (uma das coisas que a gente vê n’A Arte da Guerra também) e são fortemente influenciados por um dos cinco clássicos da literatura chinesa antiga: o famoso I Ching, o Livro das Mutações.

As práticas de adivinhação do I Ching, inclusive, ainda são seguidas por uma parte dos taoistas da atualidade.

O I Ching consistia originalmente de um sistema de adivinhação que teve suas origens por volta de 1.150 AEC.

E ainda que seja anterior às primeiras menções do Tao como um sistema organizado de filosofia e prática religiosa, este texto mais tarde tornou-se filosoficamente importante não apenas para o taoismo, mas também para o confucionismo.

Despojado de seus comentários, o I Ching consiste de de um sistema divinatório baseado em 64 combinações de oito trigramas (chamados de "hexagramas"), tradicionalmente escolhidos por meio do jogo de moedas ou, especialmente nas antigas, gravetos de aquiléia.

As 64 notações originais dos hexagramas do I Ching também podem ser lidas como uma meditação sobre as mudanças - daí seu subtítulo O Livro das Mutações - relacionadas aos ciclos de yin e yang.

E é em relação ao gerenciamento desses ciclos o principal ponto de contato entre a obra e a filosofia taoista - tal como defendida por Laozi e pelo mestre taoista Liu Yiming (nesse caso, mais recentemente, no séc. XVIII).

Daozang

Depois de Laozi e Zhuangzi, a literatura do taoismo cresceu de forma constante e foi compilada na forma de um canon, o Daozang ("Tesouro do Tao"). Essa compilação ocorreu principalmente durante as dinastias Jin, Tang e Song.

A versão sobrevivente hoje foi publicada durante a dinastia Ming e inclui quase 1.500 textos.

Seguindo o exemplo do Tripitaka budista, ele é dividido em três dong ("cavernas", "grutas") - organizados a partir da "mais alta" para a "mais baixa":

  • Zhen ("real" ou "verdade"), inclui os textos Shangqing;
  • Xuan ("mistério"), inclui as escrituras Lingbao; e
  • Shen ("divino"), inclui textos anteriores às revelações Maoshan.

A escola Shangqing tem uma tradição de se aproximar do taoismo por meio do estudo das escrituras.

Acredita-se que a pessoa que recitar alguns textos com uma frequência suficiente será recompensada com a imortalidade.


Principais conceitos do taoismo



Os ensinamentos do taoismo, por desprezar os rituais rígidos e as classes sociais, divergem drasticamente do pensamento de Confúcio.

Entre os principais conceitos destacados pela doutrina, encontram-se:

  • Naturalidade;
  • Espontaneidade;
  • Simplicidade;
  • Desapego dos desejos;
  • Três tesouros; e,
  • Wuwei - ação através da não-ação, outra ideia que a gente vê no livro de Sun Tzu.

Os conceitos de naturalidade e espontaneidade são oriundos dos termos Tao (que já vimos lá no início deste texto) e Te, que tem a ver com o cultivo da virtude e com um indivíduo que vive e cultiva o Tao.

A seguir, conheceremos um pouco mais alguns desses conceitos.

Wuwei

O estranho termo wuwei constitui o principal conceito ético no taoismo.

Wei se refere a qualquer ação intencional ou deliberada, enquanto wu carrega o significado de "não há..." ou "falta, sem". Daí que traduções comumente encontradas são:

  • não ação;
  • ação sem esforço;e
  • ação sem intenção.

O significado é reforçado (e fica até mais estranho) ao se usar a expressão weiwuwei, que seria algo como "ação sem ação". Em textos taoistas antigos, por conta de sua natureza maleável, wuwei é associado à água - e isso me lembra também do nosso querido Bruce Lee.

A filosofia taoista, de acordo com o I Ching, propõe a existência de um funcionamento harmônico do universo, de acordo com suas próprias maneiras - o que me lembra daquela velha expressão cristã:

Deus escreve certo por linhas tortas.

A ideia parece até simples: quando alguém exerce a sua vontade de tal maneira que ela se posiciona fora do ritmo dos ciclos de mudança, pode acabar perturbando essa harmonia e é mais provável que ocorram consequências não intencionais, em vez do resultado esperado.

Em outras palavras, de acordo com o taoismo, deve-se colocar a própria vontade em harmonia com os ciclos do universo natural. Assim, uma ação ou atitude potencialmente prejudicial pode ser evitada e, desta forma, os objetivos podem ser alcançados sem esforço.

Não sei pra você, mas pra mim isso faz um sentido danado e, no final das contas, por meio do wuwei, o sábio procura entrar em harmonia com o grande Tao, que se realiza justamente pela não-ação.

Naturalidade



Naturalidade é considerada como um valor central no taoismo e descreve o estado primordial de todas as coisas, bem como uma característica básica do Tao.

É geralmente associada a espontaneidade e criatividade.

Para se alcançar a naturalidade, é preciso se identificar com o Tao, o que envolve:

  • libertar-se do egoísmo e do desejo; e
  • apreciar a simplicidade.

Uma metáfora frequentemente citada para naturalidade é pu, o "bloco não talhado", que passa a ideia de uma natureza original, ainda não marcada pela cultura de um indivíduo.

A naturalidade é normalmente referida como um estado ao qual o indivíduo retorna.

Três Tesouros

Aqui, a gente encontra informações variadas, a depender da fonte de consulta. Pode-se tanto falar de Três Tesouros (ou Joias) Taoistas vinculados à Tradicional Medicina Chinesa (TMC), quanto exclusivamente relacionados ao taoismo.

No primeiro caso, temos:

  • Jing: energia do esperma/ovário (sim, você leu direito) ou a essência do corpo físico;
  • Qi: energia da matéria ou força da vida, incluindo os pensamentos e emoções - mais um conceito encontrado no livro A Arte da Guerra; e
  • Shen: espírito ou poder espiritual.

Esses termos são elementos do tradicional conceito chinês do corpo humano, que compartilha a sua fundação cosmológica com o taoismo. Nesse contexto, eles desempenham um importante papel na neidan (que seria algo como "alquimia interna taoista").

No segundo caso, sem relação com a TCM, os Três Tesouros Taoistas seriam:

  • Jian, geralmente traduzida como moderação;- é um conceito associado a moderação e
  • Ci, normalmente traduzido como compaixão; e também relacionado a compaixão
  • Bugan wei tianxia xian, literalmente “não se atrever a agir como o primeiro sob os céus”, mas normalmente traduzido como humildade.

Há diversas interpretações possíveis para o conjunto desses três últimos. Algumas delas poderiam ser:

  • abstenção de guerra agressiva e da pena de morte;
  • absoluta simplicidade de vida; e
  • recusa de afirmar a autoridade ativa.

Os séculos e a influência



Ao longo de todos esses séculos de história, é inegável a profunda influência que o taoismo tem exercido sobre a cultura chinesa - e vice-versa.

Tanto que não é difícil relacionar manifestações culturais que, de um jeito ou de outro, foram se ligando ao taoismo.

Para que não restem dúvidas, inclusive, dá só uma olhada nessas:

  • alquimia chinesa (especialmente a neidan);
  • astrologia chinesa;
  • Chan (Zen) Budismo;
  • várias artes marciais;
  • medicina tradicional chinesa;
  • feng shui, e por aí vai.

Atualmente, o amálgama do antigo pensamento taoista com a antiga religião chinesa é uma das cinco religiões reconhecidas oficialmente na República Popular da China (RPC).

Além da China, o taoismo também teve influência sobre outros povos na Ásia, possuindo comunidades consideráveis em Taiwan, Hong Kong e Japão - além de outras sociedades do Sudeste Asiático.

Em menor medida, acabou se espalhando pelo mundo e, no Brasil, existem vários ramos do taoismo - tanto o filosófico (taochia), quanto o religioso (taochiao) -, sendo que uma das vertentes religiosas mais importantes é representada pela Sociedade Taoista do Brasil.

Para finalizar, gostaria de dizer que recolhi muito material sobre o taoismo que não coube neste texto. Ficou de fora uma vasta gama de informações sobre a doutrina, tais como:

  • cosmologia;
  • teologia;
  • símbolos;
  • práticas;
  • arte; e
  • política.

Mas como este texto já estava ficando muito grande e, naturalmente, sempre é possível deixar essas coisas para outra ocasião, resolvi parar por aqui.

Espero que tenha gostado e continue acompanhando o blog para saber mais sobre tudo que tem a ver com Sun Tzu e A Arte da Guerra.

Grande abraço e zài jiàn!


Créditos e referências

Exceto pelas imagens da xícara e dos hexagramas em linguagem de programação, todas as demais são de autoria de Ana Paula Hirama e estão disponíveis no Flickr.

As duas fotos citadas acima possuem os seguintes créditos:


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Mais Muralha da China, canolas ao pôr do sol e a cruel pesca com cormorão nas fotos chinesas do mês


Fotógrafa de boina e luvas apontando sua câmera Nikon para o leitor

Opa, que bom contar com você neste quinto post com as fotos chinesas do mês.

A série começou em junho com esse post e já nos entregou algumas imagens sensacionais (e outras nem tanto assim, confesso) do Reino do Meio.

E enquanto o livro a respeito de Sun Tzu, o autor d'A Arte da Guerra, está sendo lentamente gestado, continue a apreciar comigo mais algumas escolhidas a dedo (e três temas que já apareceram aqui):

  • Plantação de canolas;
  • Muralha da China;
  • Passagem para a montanha; e
  • Pescador e cormorões.

E pode comentar à vontade lá embaixo - como sempre.

Rio, canolas e pôr do sol

Muy bien, já vimos outro ângulo das plantações de canola nesse post. E sempre que eu vir uma foto bacana disso, ela voltará para cá, tenha certeza.

Junto, um textito em espanhol, do site Destino Infinito:

A principios de primavera, cuando las flores amarillas de colza (también conocidas como canola) están en plena floración, la zona adquiere el aspecto de un “mar de oro”, un espectáculo que ha hecho de Luoping una especie de Meca para los fotógrafos. Estas tierras de cultivo se cubren de “oro” y sus amarillas flores se extienden tan lejos como nuestros ojos pueden llegar a ver.




Detalhe da muralha

Já publicamos uma foto da Grande Muralha aqui [*** ALTERAR LINK ***]. Deste vez, no entanto, trazemos o detalhe de uma escada em primeiro plano e um texto do Guia dos Curiosos:

Em 2009, um novo estudo concluiu que a Grande Muralha da China tem 8.850 quilômetros de comprimento - até então, o tamanho oficial da muralha era de 5.000 quilômetros. É a mais longa estrutura já construída pelo homem. A pesquisa foi feita pela Administração Estatal de Patrimônio Cultural e pela Administração Estatal de Topografia e Cartografia, e levou 2 anos para ser feita.



Passagem para a montanha

Essa passagem de madeira fica na Reserva Nacional de Yading, que é assim descrito pelo Viaja Blog:

El parque natural de Yading es uno de aquellos lugares sagrados en el mundo en que no te importaría quedarte y envejecer. Se encuentra en China, en el área tibetana de Kham que pertenece a la provincia de Sichuan famosa por su amplia reserva de osos pandas. En ella alberga tres picos santificados por el Dalai Lama cuya altura supera los seis mil metros de altura.




Pescador e cormorões

Mais um tipo de foto que você já viu aqui, no primeiro post das fotos chinesas do mês. Apesar de propiciar imagens sensacionais, a prática é um tanto quanto cruel. Veja o que o aventure-se.com publicou a respeito:

Esses homens intitulados pescadores, na realidade, só têm o trabalho de extrair o peixe da goela do cormorão que faz jus à fama de hábil pescador, executando o trabalho todo.
Para não perder o controle do pássaro, o pescador amarra um fio de palha na parte mais inferior do pescoço da ave. Isso impossibilita que o cormorão engula os peixes que tira da água com muita facilidade, além de controlar o retorno do pássaro para a jangada.



Click final

Como já deixei claro no primeiro post desta série, teremos sempre quatro fotos por publicação, uma para cada semana do mês.

Além disso, você não verá na série os créditos ao final - como tenho feito nos textos regulares (veja um exemplo aqui no texto sobre os Tian Wan). No entanto, em se tratando de pins do Pinterest, você sempre pode seguir a foto até encontrar a origem e (com alguma sorte) o autor.

A exceção a respeito dos créditos irá para a foto de abertura, que a princípio será sempre de um tema relacionado à arte de fotografar.

Espero que tenha gostado e aguarde poucas e boas para o próximo mês.

Aliás, qual delas você achou melhor?

Claro que eu gostaria de saber da sua opinião nos comentários. Sinta-se à vontade para queimar o filme (ou não). 

Zài Jiàn!

Crédito da imagem de abertura


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