I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 26: Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande

Imagem de 'Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande' - hexagrama número 26, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


Para consultar o índice dos 64 hexagramas, basta acessar:


Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.
E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 26: Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande

O "Criativo" é domesticado pela "Quietude". Isso produz uma grande força, em contraste com o hexagrama 9, O PODER DE DOMAR DO PEQUENO, onde o "Criativo" é domado pela "Suavidade" sozinha.

Lá, uma linha fraca deve domar as cinco linhas fortes, enquanto aqui quatro linhas fortes são contidas por duas linhas fracas; além de um ministro, há também o príncipe, e assim o poder domesticador é bem mais poderoso.

O hexagrama tem um triplo sentido, expressando diferentes aspectos do conceito de conter e sujeitar com firmeza.

O céu, em meio à montanha, dá a idéia de conter, no sentido de manter unido. O trigrama Kên, que mantém o trigrama Ch'ien em repouso, sugere o sujeitar, no sentido de deter. Finalmente, uma linha forte surge acima, como governante do hexagrama, sendo reverenciada e atendida como o seria um sábio.

Disso decorre a idéia de sujeitar no sentido de atender e nutrir. Esse último significado é ressaltado pelo governante do hexagrama, a linha forte, superior, que representa o sábio.

Julgamento


O PODER DE DOMAR DO GRANDE. A perseverança é favorável. Fazer as refeições fora de casa traz boa fortuna. É favorável cruzar a grande água.
Para conter e acumular grandes poderes criativos, como acontece neste hexagrama, é necessário um homem forte e lúcido que seja honrado pelo governante.

O trigrama Ch'ien indica forte poder criativo, o trigrama Kên indica firmeza e verdade. Ambos sugerem luz e clareza e a renovação diária do caráter.

Só assim pode o homem permanecer na plenitude de seus poderes. Em épocas tranquilas, a força do hábito ajuda a manter a ordem, mas em períodos em que há um grande acúmulo de energia, tudo depende do poder da personalidade.

Entretanto, já que os valorosos são honrados, como no caso da forte personalidade a quem o governante confiou a chefia, é favorável não alimentar-se em casa e, sim, ganhar o seu sustento assumindo uma função numa atividade pública.

Tal homem está em harmonia com o céu; por isso, até as tarefas mais difíceis e perigosas, como a travessia da grande água, têm sucesso.

Imagem


O céu no interior da montanha: a imagem do PODER DE DOMAR DO GRANDE. O homem superior se põe a par dos muitos ditos da antiguidade e dos fatos do passado, de modo a fortalecer assim seu caráter.

O céu no interior da montanha indica tesouros ocultos. Assim também, nas palavras e atos do passado, jaz oculto um tesouro que o homem pode utilizar para fortalecer e elevar seu próprio caráter.

O estudo do passado não deve se limitar a um mero conhecimento da história, mas deve, através da aplicação desse conhecimento, procurar dar atualidade ao passado.

Textos das linhas


Baú de tesouros no fundo do aquário: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: o perigo ameaça. É favorável desistir.

Um homem desejaria realizar um vigoroso avanço, mas as circunstâncias lhe apresentam um obstáculo. Ele é contido com firmeza.

Se tentasse forçar um avanço, isso o levaria ao infortúnio. Portanto, é melhor controlar-se e esperar até que surja uma possibilidade para dar vazão às forças acumuladas.

Nove na segunda posição significa: os eixos da carroça foram retirados.

Aqui, o avanço está contido, assim como na terceira linha do hexagrama 9, O PODER DE DOMAR DO PEQUENO. Mas lá a força que obstrui é pequena, resultando num conflito entre o movimento propulsor e a retenção, com a consequente perda dos raios das rodas.

Aqui, a força paralisadora é decididamente superior, e por isso não há luta. A pessoa, então, se submete, remove os suportes dos eixos da carroça e limita-se a esperar.

Assim ela acumula a energia para um vigoroso avanço futuro.

Nove na terceira posição significa: um bom cavalo que segue a outros. É favorável ter consciência do perigo e perseverança. Pratique diariamente a condução da carroça e a defesa armada. É favorável ter aonde ir.
O caminho se desobstrui. O impedimento passou.

Um homem está ligado a uma poderosa vontade, a qual atua no mesmo sentido que a sua própria. Ele avança como um bom cavalo que segue a outro.

Mas o perigo ainda ameaça e ele deve permanecer consciente disso para que não lhe roubem a firmeza. Assim, ele deve se exercitar no que lhe possibilita avançar tanto quanto no que o protege contra um ataque inesperado.

É aconselhável ter um objetivo pelo qual se aspire.

Seis na quarta posição significa: a tábua protetora de um novilho. Grande boa fortuna.

Esta linha e a seguinte são as que domam as linhas inferiores que desejam avançar.

Antes que cresçam os chifres de um touro, coloca-se uma tábua protetora na sua cabeça a fim de impedir que, uma vez crescidos, venham a ferir. Prevenir o despertar da ferocidade antes que se manifeste é uma boa forma de domesticar.

Assim se atinge um grande e fácil sucesso.

Seis na quinta posição significa: as presas de um javali castrado. Boa fortuna!
A contenção de um impetuoso impulso para avançar é aqui conseguida de modo indireto. As presas do javali em si são perigosas, mas quando a natureza deste é alterada, o perigo desaparece.

Assim também não se deve combater diretamente a agressividade dos homens; deve-se, isto sim, extirpar suas raízes.

Nove na sexta posição significa: o caminho do céu é alcançado. Sucesso.

Passou a época da contenção. A força, que se acumulara durante um longo período, em virtude dos obstáculos, abre caminho e alcança grande sucesso.

Isso se refere a um sábio sendo honrado pelo governante; seus princípios prevalecem e dão forma ao mundo.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Ta Ch'u / O Poder de Domar do Grande, da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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  • 27. I / As Bordas da Boca (Prover Alimento)

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 25: Wu Wang / Inocência (O Inesperado)


Imagem de 'Wu Wang / Inocência (O Inesperado)' - hexagrama número 25, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que  publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

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Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 25: Wu Wang / Inocência (O Inesperado)

Acima está Ch'ien, o céu; abaixo, Chên, movimento. O trigrama inferior, Chên, está sob a influência da linha forte que recebeu de cima, do céu.

Quando, de acordo com isso, o movimento segue a lei dos céus, o homem se torna inocente e sincero. Sua mente permanece natural e autêntica, não sendo obscurecida por reflexões ou por segundas intenções.

Pois sempre que surge um propósito consciente, a autenticidade e inocência da natureza se perdem. A natureza que não é guiada pelo espírito não é verdadeira, degenerou-se. Partindo da idéia da naturalidade, o hexagrama prossegue e abrange também as noções do inesperado, não-intencional.

Julgamento


INOCÊNCIA. Supremo sucesso. A perseverança é favorável. Se o homem não é correto, terá infortúnio e não será favorável empreender coisa alguma.

O homem recebeu do céu uma natureza essencialmente boa, para guiá-lo em todos os seus movimentos. Entregando-se a esse princípio divino dentro de si, o homem alcança uma inocência incontaminada.

Ela o conduz ao bem com certeza instintiva e livre de intenções ulteriores de recompensa ou vantagem. Essa certeza instintiva traz supremo sucesso e "favorece através da perseverança".
Mas nem tudo o que é instintivo é também natural, nesse sentido mais elevado da palavra, mas somente o que é correto, aquilo que corresponde à vontade dos céus. Uma forma de agir instintiva e irrefletida, que não possua retidão, só poderá causar infortúnio.

Confúcio comentava a respeito:

Onde irá aquele que se afasta da inocência? A vontade e as bênçãos dos céus não acompanham seus atos.

Imagem


Em baixo do céu está o trovão: todas as coisas alcançam o estado natural da INOCÊNCIA. Assim, os reis da antiguidade, ricos em virtude e em harmonia com o tempo, cultivavam e alimentavam a todos os seres.

Na primavera, quando o trovão, a força da vida, volta a mover-se debaixo do céu, tudo brota e cresce e todos os seres recebem da atividade criadora da natureza a inocência infantil de seu estado original.

O mesmo ocorre com os bons governantes dos homens: com sua riqueza interior atendem a todas as formas de vida e cultura, provendo-lhes do possível, no momento correto.

Textos das linhas


Mulher sorridente, de chapéu de palha, na colheita do café em um dia ensolarado: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Wu Wang / Inocência (O Inesperado)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: conduta inocente traz boa fortuna!

Os impulsos primordiais do coração são sempre benéficos; pode-se segui-los confiante, seguro de que se terá boa fortuna, e os objetivos serão alcançados.

Seis na segunda posição significa: se não pensamos na colheita enquanto aramos, nem o uso do campo quando o preparamos, então será favorável empreender algo.

Todo trabalho deve ser realizado por seu intrínseco valor, de acordo com o momento e as circunstâncias, e não com vistas ao resultado.

Assim, qualquer trabalho frutificará, e tudo aquilo que se empreender terá sucesso.

Seis na terceira posição significa: infortúnio não merecido: a vaca que foi amarrada por alguém é o lucro do viajante e a perda do cidadão.

Às vezes o infortúnio ocorre a alguém sem que tenha culpa, como quando um viajante leva uma vaca que se encontra amarrada no caminho. Seu lucro é a perda do dono.

Em todas as ações, mesmo as mais inocentes, o homem deve se adaptar às exigências do tempo, pois de outro modo será colhido por um infortúnio inesperado.

Nove na quarta posição significa: aquele que é capaz de perseverar permanece sem culpa.

Uma pessoa não pode perder o que verdadeiramente lhe pertence, nem mesmo se o joga fora. Assim sendo, não é necessário que se angustie.

Deve cuidar somente de permanecer fiel à sua própria essência e não dar ouvidos aos outros.

Nove na quinta posição significa: não utilize medicamento algum caso tenha contraído uma doença sem ter culpa nisso. Ela passará por si mesma.

Um mal inesperado advém do exterior.

Se ele não tem origem na natureza da pessoa, nem encontra nela um ponto de apoio, não se deve recorrer a meios externos para eliminá-lo. Deve-se deixar que a natureza siga seu próprio curso, e tudo melhorará por si mesmo.

Nove na sexta posição significa: ação inocente traz infortúnio. Nada é favorável.

Quando, numa situação qualquer, ainda não é chegado o momento próprio ao progresso, deve-se esperar em tranquilidade, sem segundas intenções. Quando se age irrefletidamente, tentando avançar em oposição ao destino, o sucesso não será atingido.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Wu Wang / Inocência (O Inesperado), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 24: Fu / Retorno (o Ponto de Transição)


Imagem de 'Fu / Retorno (o Ponto de Transição)' - hexagrama número 24, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

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Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 24: Fu / Retorno (o Ponto de Transição)

O ponto de transição é sugerido pelo fato de que, após as linhas obscuras expulsarem do hexagrama as linhas luminosas acima, uma outra linha luminosa surge novamente, embaixo.

O tempo das trevas passou. O solstício de inverno traz a vitória da luz.

Este hexagrama é atribuído ao décimo primeiro mês do calendário chinês, o mês do solstício (dezembro-janeiro).

Julgamento


RETORNO. Sucesso. Saída e entrada sem erro. Amigos chegam sem culpa. Para adiante e para trás segue o caminho. Ao sétimo dia vem o retorno. É favorável ter aonde ir.

Após uma época de decadência vem o ponto de transição. A luz poderosa que tinha sido banida retorna.

Porém, este movimento não é provocado pela força. Como a característica do trigrama superior K'un é a devoção, o movimento é natural e surge espontaneamente.

Por isso, a transformação do antigo também torna-se fácil. O velho é descartado e o novo, introduzido. Ambos os movimentos estão de acordo com as exigências do tempo e, portanto, não causam prejuízos.

Formam-se associações de pessoas que têm os mesmos ideais. Como tal grupo se une em público e está em harmonia com o tempo, os propósitos particulares e egoístas estão ausentes e, assim, erros são evitados.

A ideia de retorno baseia-se no curso da natureza. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo.

Por isso, não é necessário precipitá-lo artificialmente. Tudo vem de modo espontâneo e no tempo devido. Esse é o sentido do céu e da terra. Todos os movimentos se completam em seis etapas e a sétima traz o retorno.

Deste modo, o solstício de inverno, com o qual tem início o declínio do ano, ocorre no sétimo mês após o solstício de verão. Do mesmo modo, o nascer do sol ocorre na sétima hora dupla, 34 após o crepúsculo.

Por isso, o sete é o número da luz nova e surge quando ao seis, o número da grande escuridão, se adiciona a unidade. Assim, o estado de repouso dá lugar ao movimento.

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O trovão no interior da terra: a imagem do PONTO DE TRANSIÇÃO. Assim, os reis da antiguidade fechavam as passagens na época do solstício. Comerciantes e forasteiros não transitavam e o governante não viajava pelas províncias.

Na China, o solstício de inverno foi sempre celebrado como a época de repouso do ano - costume que se conserva até hoje, no período de descanso do ano novo. No inverno, a energia vital, simbolizada pelo trovão, "O Incitar", encontra-se ainda no interior da terra.

O movimento está em seus primórdios e, por isso, deve-se fortalecê-lo através do repouso, para que não se dissipe num uso prematuro. Esse princípio básico, de fazer com que a energia nascente se fortifique através do repouso, aplica-se a todas as situações similares.

A saúde que retorna após uma doença, o entendimento que ressurge após uma discórdia, enfim, tudo o que está recomeçando deve ser tratado com suavidade e cuidado, para que o retorno leve ao florescimento.

Textos das linhas


Nascer do sol com a luz refletida nas nuvens: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Fu / Retorno (o Ponto de Transição)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: retorno de uma curta distância. Não é necessário remorso. Grande boa fortuna!

Pequenos desvios do bem não podem ser evitados. Porém, é preciso retroceder a tempo, antes de ir longe demais.

Isto é especialmente importante na formação do caráter. Todo pensamento maléfico, por menor que seja, deve ser imediatamente afastado, antes que avance demais e se enraíze na mente.

Assim, não haverá necessidade de arrependimento e tudo irá bem.

Seis na segunda posição significa: retorno tranqüilo. Boa fortuna.

O retorno é um ato de autodomínio e sempre exige decisão. Isto se torna mais fácil quando uma pessoa se encontra em boa companhia.

Se consegue pôr de lado o orgulho e segue o exemplo dos homens de bem, encontra boa fortuna.

Seis na terceira posição significa: retorno repetido. Perigo. Nenhuma culpa.

Há pessoas que, em virtude de uma certa instabilidade interior, tendem constantemente a retroceder.

É sem dúvida perigoso esse movimento hesitante que, com freqüência, se deixa afastar do bem em virtude de desejos descontrolados para, em seguida, retroceder, mudando sua opinião.

Mas como isso também não conduz a uma consolidação do mal, a tendência geral a superar o defeito não está excluída por completo.

Seis na quarta posição significa: andando no meio dos outros, retorna-se sozinho.

Alguém se encontra em meio a uma sociedade de homens inferiores, mas se mantém ligado por vínculos interiores a um amigo forte e bom; isso o leva a retornar sozinho.

Embora não se faça qualquer menção à recompensa ou castigo, esse retorno é certamente favorável, pois a opção pelo bem traz sua própria recompensa.

Seis na quinta posição significa: retorno digno. Nenhum arrependimento.

Quando o movimento do retorno chega, não se deve buscar refúgio em desculpas banais e sim proceder a uma introspecção e a um auto-exame.

Caso se tenha cometido algum erro, deve-se tomar a nobre decisão de reconhecer o erro. Ninguém se arrependerá de seguir esse caminho.

Seis na sexta posição significa: perde-se o retorno. Infortúnio. Infortúnio interno e externo. Se os exércitos forem postos em marcha desta forma, se sofrerá, ao final, uma grande derrota, desastrosa para o governante do país. Durante dez anos não se estará em condições de atacar.

Quando se perde o momento certo para o retorno, encontra-se o infortúnio.

O infortúnio tem sua causa interna numa atitude errônea diante do mundo. O infortúnio externo é conseqüência dessa atitude errônea.

Descreve-se aqui uma cega obstinação e o julgamento correspondente.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Fu / Retorno (o Ponto de Transição), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 23: Po / Desintegração


Imagem de 'Po / Desintegração' - hexagrama número 23, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


Para consultar o índice dos 64 hexagramas, basta acessar:


Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.

E isso é basicamente tudo que você precisa saber para continuar. Boa leitura!

Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 23: Po / Desintegração

As linhas obscuras estão prestes a galgar o cume e provocar a queda da última linha firme e luminosa, exercendo sobre ela sua influência corrosiva.

O inferior, o obscuro, não luta de maneira direta contra o que é superior e forte, mas vai solapando lentamente em sua ação dissimulada, até que ao final provoca-lhe a queda.

As linhas do hexagrama representam a imagem de uma casa. A linha superior é o telhado. Ao ruir o telhado, a casa desaba.

O hexagrama é atribuído ao nono mês do calendário Chinês (outubro-novembro). O poder Yin avança dominando cada vez mais e está prestes a suplantar por completo o poder Yang.

Julgamento


DESINTEGRAÇÃO. Não é favorável ir a parte alguma.

Esta é a época do avanço dos inferiores, que estão prestes a expulsar os últimos homens fortes e nobres. Sob tais circunstâncias, decorrentes do ciclo em andamento, não é favorável ao homem superior empreender coisa alguma.

A atitude correta nessas épocas adversas deve ser deduzida das imagens e seus atributos. O trigrama inferior significa a terra, cujo atributo é a docilidade e a devoção. O trigrama superior significa a montanha, cujo atributo é a quietude.

Isso sugere a aceitação da época adversa, mantendo-se a quietude. Não se trata aqui de uma iniciativa humana, mas das condições do ciclo em vigor; estes ciclos, seguindo as leis celestiais, alternam o aumento e a diminuição, a plenitude e o vazio.

Não é possível se contrariar essas condições do tempo e por isso não é covardia, e sim sabedoria, submeter-se, evitando a ação.

Imagem


A montanha repousa sobre a terra: a imagem da DESINTEGRAÇÃO. Assim, os superiores só podem garantir suas posições mediante dádivas aos inferiores.

A montanha repousa sobre a terra. Se ela for íngreme e estreita, não tendo uma base larga, ruirá. Sua posição é segura somente quando se ergue da terra larga e ampla, e não orgulhosa e íngreme.

Do mesmo modo, aqueles que governam repousam sobre o amplo fundamento do povo. Eles também devem ser generosos e magnânimos como a terra, que a tudo sustenta.

Desse modo, tornarão sua posição segura como a montanha em sua tranquilidade.

Textos das linhas


Telhados velhos de casas chinesas: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Po / Desintegração'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Seis na primeira posição significa: a perna da cama se desintegra. Os perseverantes são destruídos. Infortúnio.

Os homens inferiores avançam, sorrateiros, e começam, num destrutivo trabalho de intriga, a solapar o homem superior. Os partidários do governante que permanecem leais são destruídos através de calúnias e intrigas.

A situação é desastrosa. Porém, nada se pode fazer senão esperar.

Seis na segunda posição significa: o canto da cama se desintegra. Os perseverantes são destruídos. Infortúnio.

Cresce o poder dos homens inferiores. O perigo já se aproxima da própria pessoa. Os sinais se tornam claros e a tranqüilidade é perturbada.

Além de se estar numa posição perigosa, não se conta com ajuda ou solidariedade nem por parte dos que estão acima, nem por parte dos que estão abaixo. Num tal isolamento, torna-se necessário uma extrema cautela.

É preciso adaptar-se às condições do momento e evitar a tempo o perigo. Perseverar teimosamente em manter seu ponto de vista levaria à ruína.

Seis na terceira posição significa: rompendo sua ligação com eles. Nenhuma culpa.

Um homem se encontra em meio a um ambiente nocivo ao qual está exteriormente ligado. Porém, ele tem vínculos internos com um homem superior.

Com isso consegue atingir o equilíbrio que o liberta das tendências dos homens inferiores que o rodeiam. Assim, cria-se um antagonismo com eles, mas isso não é um erro.

Seis na quarta posição significa: a cama desintegra-se até a pele. Infortúnio.

Aqui a desgraça alcança não somente o lugar de descanso, mas atinge até mesmo o seu ocupante. O texto não traz qualquer advertência ou comentário.

O infortúnio tendo chegado ao seu clímax não pode mais ser evitado.

Seis na quinta posição significa: um cardume. Favores vêm através das damas do palácio. Tudo é favorável.

Aqui, a natureza do poder da obscuridade se modifica em virtude da proximidade imediata do princípio luminoso, ao alto.

A escuridão já não combate mais ao forte princípio luminoso com intrigas, porém se submete à sua orientação. Liderando as outras linhas fracas, dirige-as todas à linha forte, assim como uma princesa conduz suas servas, como um cardume, a seu marido, obtendo assim seus favores.

Ao subordinar-se voluntariamente ao que está ao alto, o que está abaixo encontra sua felicidade e o que está acima recebe o que lhe é devido. Assim tudo vai bem.

Nove na sexta posição significa: um grande fruto ainda não foi comido. O homem superior recebe uma carruagem. A casa do homem inferior se desintegra.

Aqui a desintegração chega ao final. Quando o infortúnio esgota suas forças, retornam épocas melhores.

A semente do bem permanece, e é justamente quando o fruto cai ao chão que o bem renasce de sua semente.

O homem superior recupera sua influência e sua efetividade. Ele é sustentado pela opinião pública, como se estivesse sobre uma carruagem. A maldade do homem inferior volta-se contra ele próprio. Sua casa é destruída.

Aqui se manifesta uma lei da natureza. O mal não é nefasto apenas para o bem, mas termina por destruir-se a si próprio. Pois o mal, vivendo somente da negação, não pode subsistir em si mesmo.

O homem inferior se conduz melhor quando é controlado pelo homem superior.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Po / Desintegração, da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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I Ching, o Livro das Mutações - Livro Primeiro, Hexagrama 22: Pi / Graciosidade (Beleza)


Imagem de 'Pi / Graciosidade (Beleza)' - hexagrama número 22, de 64 que fazem parte do I Ching, o Livro das Mutações

Esse texto faz parte da série a respeito do I Ching, o Livro das Mutações, que publicamos no blog quinzenalmente. A proposta é apresentar os textos sobre os 64 hexagramas publicados nos livros Primeiro e Terceiro do livro de Richard Wilhelm.

Para entender melhor o que é o I Ching, sugerimos dar uma olhada no post:


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Cada hexagrama inclui:

  • uma introdução geral, apresentando aspectos básicos do hexagrama;
  • nome do hexagrama (卦名 guàmíng), que por si só já é repleto de simbolismos;
  • texto, também chamado julgamento ou oráculo, que revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama e possui poucas frases, tendo a ele sido adicionados comentários e interpretações ao longo dos séculos, a fim de ajudar o leitor a traduzir o ensinamento ancestral;
  • imagem ou símbolo, que apresenta uma mensagem adicional, com um modelo de conduta ou um conselho estratégico para lidar com a situação indicada pelo hexagrama; e
  • os textos das linhas, em número de seis, indicam alternativas ou transformações possíveis das condições retratadas no hexagrama - lembrando que as linhas são contadas de baixo para cima, sendo a linha inferior a primeira.


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Livro Primeiro (o Texto), Hexagrama 22: Pi / Graciosidade (Beleza)

Este hexagrama mostra um fogo que irrompe das misteriosas profundezas da terra e cujas chamas ascendem, iluminando e embelezando a montanha, às alturas celestiais.

A graciosidade, a beleza da forma, é necessária em toda união para que esta se realize de modo ordenado e agradável, e não desordenado e caótico.

Julgamento


A GRACIOSIDADE tem sucesso. É favorável empreender algo em assuntos menores.

A graciosidade traz o sucesso. Mas não é essencial nem fundamental. É apenas um ornamento e por isso deve ser usada com moderação, em pequena escala.

No trigrama inferior, o fogo, uma linha suave surge entre duas linhas fortes, embelezando-as; as linhas fortes constituem a essência, a linha fraca é a forma embelezadora. No trigrama superior, a montanha, a linha forte toma a liderança, de modo que aqui também deve ser considerada como fator decisivo.

Na natureza, vemos no céu a luz forte do sol, da qual depende a vida no mundo. Mas essa força, esse atributo essencial, modifica-se com a graciosa variação da lua e das estrelas.

Na vida humana, a forma estética consiste no fato de princípios sólidos e firmes como montanhas tornarem-se agradáveis em virtude de sua lúcida beleza. Contemplando as formas existentes no céu, pode-se compreender o tempo e suas diferentes exigências.

Contemplando as formas existentes na sociedade humana, pode-se estruturar o mundo.

Imagem


O fogo na base da montanha: a imagem da GRACIOSIDADE. Assim procede o homem superior esclarecendo assuntos correntes. Mas ele não ousa decidir questões controvertidas dessa maneira.

O fogo, cuja luz ilumina e embeleza a montanha, não brilha a grande distância. Assim também, a forma graciosa é suficiente para alegrar e para aclarar assuntos de menor monta.

Porém, questões importantes não podem ser decididas dessa maneira. Exigem maior seriedade.

Textos das linhas


Cachoeira de lava na paisagem noturna: ilustra a seção a respeito dos textos das linhas de ''Pi / Graciosidade (Beleza)'', um dos 64 hexagramas do I Ching, o Livro das Mutações


Nove na primeira posição significa: ele embeleza os dedos dos pés, abandona a carruagem e caminha.

A condição de iniciante e a posição subalterna exigem que a própria pessoa realize um esforço para avançar. Pode haver uma oportunidade para, subrepticiamente, se facilitar a caminhada - representada pela imagem da carruagem.

Mas um homem íntegro despreza tal modo questionável de ajuda. Ele prefere andar a pé do que andar indevidamente numa carruagem.

Seis na segunda posição significa: ele embeleza a barba em seu queixo.

A barba não é algo independente; só pode mover-se junto com o queixo. A imagem significa então que a forma só deve ser considerada como consequência e como atributo do conteúdo.

A barba é um adorno supérfluo. Cultivá-la por si só, sem levar em consideração o conteúdo interno ao qual ela serve de ornamento, seria sinal de uma certa frivolidade.

Nove na terceira posição significa: gracioso e úmido. A perseverança constante traz boa fortuna.

Isto indica uma situação de vida muito agradável. Uma pessoa se encontra envolvida pela beleza e inebriada pelo esplendor.

Essa beleza pode, sem dúvida, ornamentar, mas também pode subjugar.

Por isso, a advertência para não se deixar mergulhar nessa comodidade inebriada, mas procurar se manter constante em sua perseverança. Disso depende a boa fortuna.

Seis na quarta posição significa: graça ou simplicidade? Um cavalo branco chega como que voando. Ele não é um salteador, deseja cortejar, no momento devido.

Uma pessoa se encontra numa situação de dúvida: deve continuar e procurar a beleza do brilho externo, ou será melhor voltar à simplicidade? A dúvida em si mesma já implica na resposta.

Uma confirmação chega do exterior; vem como um cavalo branco alado. O branco indica simplicidade.

Mesmo que, num primeiro momento, pareça decepcionante ter de renunciar às comodidades que por outro caminho se poderiam obter, com o tempo encontra-se a paz interior na união verdadeira com o amigo que corteja.

O cavalo alado é o símbolo dos pensamentos que transcendem os limites do espaço e do tempo.

Seis na quinta posição significa: graciosidade nas colinas e nos jardins. O embrulho de seda é pobre e pequeno. Humilhação, mas, ao final, boa fortuna.

Alguém se afasta do contato com os homens das regiões baixas, que procuram apenas o luxo e a ostentação, e se volta à solidão das alturas. Ele encontra então uma pessoa a quem pode admirar e a quem gostaria de ter como amigo.

Mas os presentes que tem para oferecer são pobres e pequenos e ele se sente então envergonhado. Porém, não é a dádiva externa que importa, mas a sinceridade de sentimento.

Por isso, tudo acaba bem.

Nove na sexta posição significa: graciosidade simples. Nenhuma culpa.

Aqui, no nível mais elevado do desenvolvimento, todo ornamento é descartado. A forma não mais oculta o conteúdo, mas o manifesta em plenitude.

A graciosidade suprema não consiste no adorno externo da matéria e, sim, na simplicidade e adequação da forma.

Depois de tudo

E aqui alcançamos o final do texto sobre o hexagrama Pi / Graciosidade (Beleza), da primeira parte do livro I Ching, o Livro das Mutações.

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Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.


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