A história de Bruce Lee: vida, glória e morte do mito

Cena de Brue Lee no filme Jogo da Morte, com o clássico uniforme amarelo com listras pretas

Acho que isso acontecia mais com meninos do que com meninas. Pelo menos eu não lembro de ter visto nenhuma menina se comportando tão... marcialmente.

Primeiro: éramos vidrados em filmes de luta. Todo tipo. Mas o que nos amarrava mesmo eram os de kung fu – ou qualquer coisa que se assemelhasse.

Tão logo assistíamos o mais recente lançamento, saíamos à rua para... brincar de luta. E tentávamos imitar, deveras toscamente, os fantásticos golpes que víamos na TV.

Lançamento, claro, é modo dizer.

Eu não tinha acesso a TV por assinatura nem a videocassete naqueles tempos. Assistíamos ao que a TV aberta lançava – dois, três, sei lá quantos anos depois do cinema.

Ainda assim, aquilo acendia nossa imaginação.


E de todos os artistas que nos inspiravam, ninguém, nem mesmo Jean Claude Van Damme chegava aos pés de Bruce Lee. Não exatamente por ele ser um excepcional lutador (o que de fato era), mas pelo conjunto da obra e pela mística que o circundava.

Além de o cara ser um excepcional lutador, tinha carisma e um estilo de luta e de atuação muito dele. Nenhum dos outros astros de filmes de luta chegava nem perto de ter o brilho que ele tinha.

Por isso, por outras coisas e também porque tem tudo a ver com A Arte da Guerra, foi que resolvi escrever um post específico sobre o maior astro de artes marciais de todos os tempos – e não tô nem aí se isso contraria o que escrevi no post sobre 17 dos grandes artistas marciais da história da China.

Vem comigo e depois escreve lá nos comentários sua opinião. Combinado?

Bruce Lee: nasce uma lenda


Action figure de Brue Lee no filme Operação Dragão, com cara de desconfiado

27 de novembro de 1940. Nesta data Lee Jun Fan veio à luz para se tornar o homem que hoje todos conhecemos como Bruce Lee.

De acordo com o horóscopo chinês, não apenas o ano, mas também a hora de seu nascimento era do signo do dragão – um presságio forte e fortuito, segundo a tradição.

Ao contrário do que muita gente pode imaginar, no entanto, ele não nasceu em Hong Kong nem em nenhum outro lugar da China. Coube à Chinatown de São Francisco, Califórnia (EUA), ouvir seu primeiro choro.

Mesmo assim, foi criado em um local de Hong Kong chamado Kowloon, desde os três meses de idade até o final da adolescência.

Os muitos nomes de Bruce Lee

Além da tradição do signo, outra rondou a vida de Bruce Lee em seus primórdios – ou seria maldição?

Acontece que o primeiro nome que sua mãe quis lhe dar foi Sai Fon – que é mais usado para meninas e significa algo como “pequena fênix”.

Jun Fan, o nome oficial, também foi ideia de sua mãe e significa “retornar uma vez mais” - o que é mais ou menos a mesma ideia da fênix.

Dizem as más línguas que ela sentia que ele retornaria aos Estados Unidos quando ficasse mais velho.

O cara teve também outros três nomes chineses:

  • Li Yuanxin – um nome ligado à família dele (ou clã);
  • Li Yuanjian – que ele usou como estudante quando frequentava o colégio; e
  • Li Xiaolong – nome artístico que usou em filmes chineses e significa... “pequeno dragão”.

Quanto ao bom, velho e famoso Bruce, acredita-se que tenha sido ideia da dra. Mary Glover – pelo que entendi, a médica de plantão na maternidade em que ele nasceu.

Os pais e irmãos de Bruce Lee



O pai de Bruce Lee, chamado Lee Hoi-Chuen, era um dos principais atores de filmes de Hong Kong e também da ópera de Cantão.

Antes do nascimento do pequeno dragão, embarcou em uma tour de um ano com a ópera e levou sua família junto. Ele já vinha excursionando aos Estados Unidos por muitos anos, tendo se apresentado em diversas comunidades chinesas de lá.

Apesar de muitos de seus colegas terem decidido viver nos EUA, ele retornou a Hong Kong pouco depois do nascimento de Bruce. Alguns meses depois, Hong Kong foi invadida pelo Japão e a família Lee viveu por três anos e oito meses sob a ocupação japonesa.

Após o fim da guerra Lee Hoi-chuen retomou sua carreira e tornou-se ainda mais popular durante os anos de reconstrução.

Sua mãe, Grace Ho, era uma católica meio chinesa e meio caucasiana (de ascendência alemã), filha e sobrinha de ilustres empreendedores e filantropos de Hong Kong.

Na verdade, ela pertencia a um dos clãs mais ricos e poderosos de Hong Kong, os Ho-tung. Era inclusive sobrinha de Sir Robert Ho Tung, o patriarca eurasiático do clã.

Como tal, o jovem Bruce Lee, quarto filho do casal, cresceu em um ambiente de ricos e privilegiados e teve como irmãos: Phoebe, Agnes, Peter e Robert.

O início nas artes marciais


Não parece, mas até poderia ser uma estátua de Bruce Lee no museu de cera de Londres

Apesar da vantagem do status de sua família, o bairro em que Bruce Lee cresceu tornou-se superlotado, perigoso e cheio de rivalidades de gangues devido a um afluxo de refugiados da China comunista para Hong Kong - na época uma colônia da coroa britânica.

Depois de frequentar a Tak Sun School, Lee ingressou aos doze anos na divisão de escola primária do La Salle.

Por volta de 1956, devido ao baixo rendimento escolar (e possivelmente a "má" conduta também), ele foi transferido para o Colégio de S. Francisco Xavier (ensino médio), onde iria ser orientado pelo Irmão Edward, um professor e treinador da equipe de boxe da escola.

Mas parece que a mudança não resolveu muita coisa, pois ele acabou se envolvendo em várias lutas de rua - motivo pelo qual seus pais decidiram que ele precisava ser treinado nas artes marciais.

E aposto que você já viu essa história em algum lugar, Daniel San.

Mas não foi no estilo mais agitado ou aguerrido de kung fu que ele foi iniciado. Seu começo com as artes marciais chinesas deu-se por intermédio de seu próprio pai, que o apresentou aos fundamentos do plácido estilo wu de Tai Chi Chuan.

Apesar disso, a maior influência no desenvolvimento de artes marciais de Lee foi seu estudo de Wing Chun. Aos 16 anos, em 1957, Bruce Lee começou a treinar esse estilo com o já conhecido por nós Yip Man.

Depois de um ano de treinamento, a maioria dos outros alunos de Yip Man recusava-se a treinar com Lee, mas não porque ele já era o maioral. O problema era sua ascendência mista, já que os chineses em geral eram contra ensinar suas técnicas de artes marciais para não-asiáticos.

Ponto para Yip Man, que não se importou com isso e - incentivando-os a lutar em competições organizadas - ainda tentava manter seus alunos longe das lutas nas gangues de rua de Hong Kong.

Bruce, por sua vez, mostrou grande interesse no Wing Chun e continuou a treinar em particular com Yip Man e Wong Shun Leung em 1955.

Going to California


Estátua de Brue Lee em Hong Kong

Na primavera de 1959, Bruce Lee voltou a ter problemas com briga de rua e os policiais foram chamados. Até o fim da adolescência, essas brigas tornaram-se mais frequentes, e incluíram dar uma sova no filho de uma família da temida tríade.

Parece que o moleque era a personificação da encrenca e a própria polícia já estava de saco cheio do jovem futuro astro, o que resultou em um ultimato a seu pai - bem ao estilo

ou ele se aquieta ou o xadrez aquieta ele.

Deve ter sido a gota d'água para o velho Lee Hoi-Chuen, que, em abril de 1959, decidiu que o filho deveria deixar Hong Kong para buscar uma vida mais segura e mais saudável nos Estados Unidos.

Chegando lá, com 100 doletas no bolso e 18 anos nas costas, foi morar inicialmente com sua irmã mais velha, Agnes, que já vivia com amigos da família em San Francisco.

Também foi trabalhar como garçom no restaurante de uma senhora chamada Ruby Chow, cujo marido era amigo do velho pai de Bruce Lee.

Não muito tempo depois, em dezembro de 1960, ele completou o ensino médio, recebendo seu diploma da Edison Technical School (agora Seattle Central Community College).

Em março de 1961, Lee se matriculou na Universidade de Washington - tendo estudado teatro, filosofia e psicologia, entre vários outros assuntos.

Foi na Universidade de Washington que ele conheceu sua futura esposa, Linda Emery, uma colega que estudava para se tornar professora.

Ambos casaram-se em agosto de 1964 e tiveram dois filhos: Brandon Lee (1965-1993) e Shannon Lee (nascida em 1969).

Bruce Lee e sua carreira nas artes marciais


Cartaz com desenho de Bruce Lee fazendo uma de suas caretas

Além de trabalhar como garçom, pouco depois de mudar-se para os Estados Unidos (ainda em 1959), Bruce Lee passou de aluno a mestre, ou seja, começou a lecionar artes marciais.

Ele chamou o que ensinava de Jun Fan Gung Fu - literalmente, Kung Fu de Jun Fan, que era seu nome de verdade, lembra?

Apesar da propensão à autopromoção, o Jun Fan Gung Fu nada mais era que sua abordagem para o Wing Chun.

Ele ensinou amigos que conheceu em Seattle, começando com o praticante de judô Jesse Glover, que continuou a ensinar algumas das técnicas iniciais de Lee. Outro aluno, Taky Kimura, tornou-se o primeiro instrutor assistente de Lee e continuou a ensinar a sua arte e filosofia depois de sua morte.

Foi em Seattle que Lee abriu sua primeira escola de artes marciais, chamada Instituto Xavier para Garotos Superdotados de Kung Fu Lee Jun Fan.

Na primavera de 1964, Lee abandonou a faculdade. Mudou-se com a esposa para Oakland a fim de morar com James Yimm Lee - um conhecido artista marcial chinês, vinte anos mais velho e que veio a tornar-se amigo e mentor de Bruce.

Juntos, eles fundaram a segunda academia de kung fu do futuro astro.

James também foi responsável por apresentar Bruce a Ed Parker, artista marcial americano e organizador do famoso Campeonato Internacional de Caratê de Long Beach.

A convite de Ed, Lee apareceu no Campeonato de 1964, no qual realizou as incríveis demonstrações de flexões apoiadas em dois dedos:

Flexão com apenas dois dedos: isso é que é maromba, hein!

No mesmo evento, ele também apresentou um de seus "truques" mais famosos: o "soco de uma polegada":

Bruce Lee demonstra seu famoso soco de uma polegada.

O coitado que serviu de sparring para a demonstração foi Bob Baker, de Stockton, Califórnia. Não tenho certeza se é o do vídeo acima, mas o cara depois fez o seguinte comentário sobre o soco:

Eu disse a Bruce para não fazer esse tipo de demonstração novamente. Quando ele me deu o soco da última vez, eu tive que ficar em casa, sem trabalhar, porque a dor no meu peito era insuportável.

Nesse mesmo evento Lee teve o primeiro contato com o mestre de taekwondo Jhoon Goo Rhee.

Os dois cultivaram uma amizade da qual se beneficiaram como artistas marciais.

Nesse sentido, Lee aprendeu sobre o chute lateral com Rhee, que por sua vez aprendeu com nosso amigo um negócio chamado soco "não-telegráfico".

Bruce Lee, Wong Jack Man e Vic Moore



Mas o ano de 1964 não foi só de apresentações espetaculares e amizades perpétuas para o jovem artista marcial. De acordo com declarações do próprio Bruce Lee, a comunidade chinesa teria lhe dado um ultimato para parar de ensinar os não chineses.

Quando ele se recusou a capitular à demanda, foi desafiado a um julgamento por combate com Wong Jack Man - um estudante direto do mestre Ma Kin Fung, conhecido por sua maestria no Xingyiquan, Shaolin do Norte e Tai Chi Chuan.

O acordo seria: se Lee perdesse, teria que fechar sua escola; se ganhasse, estaria livre para ensinar a quem bem entendesse.

Claro que essa é uma versão da história, que Wong negou, afirmando que ele desafiou Lee porque ele se gabou, durante uma de suas apresentações em um teatro de Chinatown, de que poderia vencer qualquer um em São Francisco.

A luta aconteceu na Chinatown de Oakland, Califórnia, teve algumas testemunhas, mas a controvérsia continuou, com ambos os lados clamando vitória. Inclusive, Wong sugeriu em um jornal a realização de uma nova luta (e pública) para resolver a polêmica, mas o negócio ficou por isso mesmo.

E no final das contas, o que é certo nessa história toda é que Lee continuou a ensinar os famigerados caucasianos.

Se você quiser saber mais sobre essa querela, tem um livro a respeito, escrito por Rick Wing: Showdown in Oakland: The Story Behind the Wong Jack Man - Bruce Lee Fight.Também estão lançando um filme inspirado nessa história (eu vi o trailer e gostei do que vi).

Três anos depois, em 1967, Bruce Lee apareceu novamente no Campeonato de Long Beach para demonstrar, entre outras coisitas o "soco indefensável" - e contra o campeão mundial da United States Karate Alliance (USKA), Vic Moore.

Bruce Lee demonstra seu "soco indefensável" contra Vic Moore, em 1967

Aqui tem mais controvérsia e há todo um séquito de fãs de Moore que concorda com suas alegações de que o "desafio de reflexos" foi vencido pelo carateca. Ou melhor, que ele defendeu o soco indefensável.

Mas deixemos isso pra outro momento - quem sabe no futuro não faço um post apenas sobre os "adversários" de Bruce Lee?

Por enquanto, continuemos.

Bruce Lee e Jeet Kune Do (JKD) - o estilo sem estilo (ou o não-estilo com estilo)


Action figure de Brue Lee no filme Operação Dragão

Com o passar do tempo, Lee aprendeu algumas lições valiosas de todos esses episódios - especialmente da luta contra Wong.

As principais: as técnicas do Wing Chun tinham limitações e as artes marciais tradicionais eram muito rígidas e formais para serem praticadas em cenários caóticos de lutas de rua.

O cara decidiu então aperfeiçoar ainda mais sua técnica e desenvolver um sistema com ênfase em:

  • Praticidade;
  • Flexibilidade
  • Velocidade; e
  • Eficiência.

Começou a usar métodos diferenciados de treinamento, como:

  • Peso, para força;
  • Corrida, para resistência;
  • Alongamento, para flexibilidade.

Isso sem contar outros que ele adaptava constantemente, incluindo esgrima e técnicas básicas de boxe.

Assim, em 1967:

  • o pau já estava quebrando no Vietnã;
  • Lee havia filmado uma temporada do Besouro Verde; e
  • nascia, a partir do Instituto de Kung Fu Jun Fan, o Jeet Kune Do - no qual ele enfatizava o que chamou de estilo do não estilo.

E o que exatamente seria isso?

A proposta tem uma pegada meio Taoísta e trata de se livrar da abordagem formal, inclusive de seu próprio sistema Kung Fu Jun Fan, evoluindo para uma filosofia e arte marcial traduzida (temerariamente por mim) como:

Caminho do Punho Interceptador 

Mas vamos ficar mesmo com Jeet Kune Do, ou JKD, ok?

Aliás, vale a pena aqui anotar que o próprio criador arrependeu-se do nome que deu à criatura.

É que o tal nome implicava parâmetros específicos conotados pelo estilo, mas a ideia de sua arte marcial era existir fora de parâmetros e limitações.

Ou seja, ela poderia ir para onde eu praticante desejasse - pelo menos é o que depreendi da coisa toda.

Bruce Lee na TV


Bruce Lee como Kato, à esquerda, em uma participação especial na série do Batman

Então, como já sabemos, o pai de Bruce Lee era um famoso astro da ópera cantonesa. Por conta disso, ele foi apresentado aos filmes muito cedo e apareceu em várias películas como ator mirim.

Seu primeiro papel foi ainda bebê, em um filme chamado Golden Gate Girl, e aos 18 anos ele já havia aparecido em vinte filmes.

Nos Estados Unidos, de 1959 a 1964, ele deixou de lado os filmes, em prol de sua carreira nas artes marciais. Mas em se tratando de quem era e de onde estava, seria só uma questão de tempo, não é mesmo?

E lembra daquelas exibições no Campeonato Internacional de Caratê de Long Beach?

Pois é, por conta delas ninguém menos que William Dozier o convidou para a audição do piloto de uma série chamada Number One Son.

Ela nunca foi ao ar, mas Lee acabou sendo convidado para o papel que o catapultou no ocidente: o famigerado Kato, de Besouro Verde. E o curioso é que a série durou apenas uma temporada, entre 1966 e 1967.

Outra curiosidade é que ele também interpretou Kato em três episódios da (também) famigerada série de TV do Batman na qual Adam West e Burt Ward interpretavam, respectivamente, o Homem-Morcego e o Menino Prodígio.

Santa onomatopeia! Pow! Kiai! Crash!

Essas incursões foram seguidas por participações convidadas em três outras séries:


Em 1969, Lee fez uma breve aparição no filme Marlowe (escrito por Stirling Silliphant), no qual ele interpretava um cabra contratado para intimidar o detetive Philip Marlowe (interpretado por James Garner).

Silliphant era um de seus alunos de artes marciais e, não por acaso, Bruce Lee participou de outros filmes escritos por ele.

Mas antes, ainda em 1969, ele também coreografou cenas de luta para o filme Arma Secreta contra Matt Helm (The Wrecking Crew) -  que não apenas era estrelado por Dean Martin e Sharon Tate, mas também apresentava Chuck Norris em seu primeiro papel no cinema.

Em 1970, Lee foi responsável por coreografar Caminhando sob a Chuva da Primavera, com Ingrid Bergman e Anthony Quinn - e escrito por seu aluno Silliphant.

No ano seguinte, Lee apareceu em quatro episódios da série Longstreet, também escrita por Silliphant, na qual representava Li Tsung, o instrutor de artes marciais da personagem que dava título à série, Mike Longstreet.

No roteiro foram inseridos aspectos importantes de sua filosofia de artes marciais.

Sequência de abertura da série de TV Kung Fu

Não entanto, uma pessoa com o tipo de personalidade de Bruce Lee dificilmente se contentaria apenas com esses papéis secundários. Obviamente ele queria ser o astro principal das séries e dos filmes em que viesse a atuar.

Após tentar emplacar uma série de kung fu que se passaria no velho oeste - ideia que de fato virou realidade com David Carradine no papel principal, e sem Bruce Lee - ele decidiu seguir o conselho do produtor Fred Weintraub.

Voltou para Hong Kong para fazer um longa-metragem que pudesse mostrar aos executivos de Hollywood.

Bruce Lee no cinema


Bruce Lee em uma cena de seu primeiro filme, O Dragão Chinês

Sem saber que "O Besouro Verde" havia alcançado algum sucesso em Hong Kong – sendo oficialmente intitulado "O Show de Kato" –, ele ficou surpreso ao ser reconhecido na rua como a estrela da série.

Depois de negociar com o Shaw Brothers Studio e com o Golden Harvest, Lee assinou um contrato para estrelar dois filmes produzidos por essa última companhia.

Seu primeiro papel principal veio então com O Dragão Chinês (The Big Boss) em 1971, que tornou-se um grande sucesso de bilheteria em toda a Ásia e o catapultou ao estrelato.

Logo depois, em 1972, foi lançado A Fúria do Dragão (Fist of Fury) – que quebrou os recordes de bilheteria fixados previamente pelo Big Boss.

Para seu terceiro filme, O Voo do Dragão (Way of the Dragon, também de 1972) foi-lhe dado o controle completo da produção – como escritor, diretor, estrela e coreógrafo das cenas de luta.

É o filme com a cena de luta final no Coliseu, em Roma, entre ele e ninguém menos que Chuck Norris – considerada hoje uma das cenas de luta:

  • mais lendárias de Lee; e 
  • mais memoráveis da história dos filmes de artes marciais.

No final de 1972, Lee começou a trabalhar em seu quarto filme com a Golden Harvest, Jogo da Morte (Game of Death). Ele havia iniciado a filmagem de algumas cenas, incluindo a sequência de luta com Kareem Abdul-Jabbar – que havia sido seu aluno.


A produção foi interrompida quando a Warner Brothers ofereceu-lhe a oportunidade de estrelar Operação Dragão (Enter the Dragon) - que viria a se tornar um dos filmes de maior bilheteria de 1973 e consolidava seu astro como um dos grandes mestres das artes marciais chinesas.

O filme rodado em Hong Kong provocou uma breve moda em artes marciais, condensada em canções como "Kung Fu Fighting".

Apenas alguns meses após a conclusão do filme, e seis dias antes de seu lançamento – marcado para 26 de julho de 1973 – aconteceu o que ninguém esperava. O mundo perdeu o principal garoto-propaganda do kung fu.

Robert Clouse, o diretor de Operação Dragão, e a Golden Harvest reviveram o filme inacabado, mas o negócio não prosperou direito, considerando que, entre outros problemas:

  • só havia uns 15 minutos aproveitáveis de Bruce Lee (apesar de ele ter filmado mais de 100 minutos de ação antes de suspender as filmagens);
  • a história original foi totalmente reformulada; e
  • foram usados sósias que nem de longe conseguiam captar a personalidade de Lee.

Isso sem contar que fizeram o que fizeram sem o mínimo respeito pelo falecido e por seus fãs (e #ficaadica para que alguém refaça o filme direito utilizando os recurso tecnológicos à disposição do século XXI).

Alguém? Tarantino? Jackie Chan?

De qualquer maneira, 40 minutos de filmagem não utilizada foram recuperados 22 anos depois e incluídos no documentário Bruce Lee: A Jornada de um Guerreiro (2000).

O que não deixa de ser um alento.

A morte de Bruce Lee: tristeza e controvérsia


A lápide de Bruce Lee, em Seattle

Em 10 de maio de 1973, em Hong Kong, Lee apresentou um quadro de edema cerebral enquanto trabalhava na pós-produção do filme Operação Dragão.

Sofrendo de convulsões e dores de cabeça, ele foi imediatamente levado para o Hong Kong Baptist Hospital, onde foi diagnosticado e medicado.

Em 20 de julho de 1973, Lee estava em Hong Kong para jantar com George Lazenby, o astro do filme de James Bond, com quem pretendia fazer um filme. Antes, porém, Bruce encontrou-se com o produtor Raymond Chow em casa, às 14h, para discutir a realização do filme Jogo da Morte.

Eles trabalharam até as 16h e depois foram juntos para a casa de Betty Ting Pei  - uma atriz taiwanesa que trabalhava com Lee. Os três passaram o roteiro na casa da atriz e depois Chow saiu.

Mais tarde, Lee queixou-se de uma dor de cabeça, e sua amiga deu-lhe um analgésico. Por volta de 19h30, ele foi se deitar para um cochilo.

Quando Lee não apareceu para um encontro marcado, o produtor Raymond Chow foi ao apartamento de Betty, mas não conseguiu acordar o pequeno dragão.

O médico que foi chamado passou dez minutos tentando reanimá-lo antes de o enviar de ambulância para o Hospital Queen Elizabeth.

No momento em que a ambulância chegou ao hospital, Bruce Lee já estava morto.

Ele tinha 32 anos.

Linda Lee, sua viúva, voltou para sua cidade natal, Seattle, e o enterrou no lote 276 do Cemitério Lakeview.

Carregaram seu caixão no funeral, em 31 de julho de 1973:

  • Taky Kimura;
  • Steve McQueen;
  • James Coburn;
  • Chuck Norris;
  • George Lazenby;
  • Dan Inosanto;
  • Peter Chin; e
  • o irmão de Lee, Robert.

Polêmica e teorias da conspiração

Oficialmente, um edema cerebral agudo decorrente de uma reação alérgica a compostos presentes no analgésico que Bruce Lee havia tomado foi a causa de sua "morte desafortunada" - expressão utilizada pelos médicos então.

Não houve lesão externa visível. No entanto, de acordo com os relatórios de autópsia, seu cérebro tinha inchado consideravelmente, de 1.400 a 1.575 gramas (um aumento de 13%).

Nada disso evitou que numerosos rumores e teorias da conspiração aparecessem na mídia - inclusive o de assassinato envolvendo (de novo) as tríades e a de uma suposta maldição que pairava sobre ele e sua família.

Também se especulou que a canabis encontrada no estômago de Lee pudesse ter contribuído para sua morte, mas isso também foi refutado pelos médicos.

O livro The Death of Bruce Lee: A Clinical Investigation (A Morte de Bruce Lee: Uma Investigação Clínica) apresenta a crença de que Bruce Lee já estava "sensibilizado" para o uso de Equagesic - um dos componentes do analgésico - por ocasião da sua primeira "reação de hipersensibilidade aguda", em maio de 1973.

Lee teria se deixado de usar o medicamento novamente até aquela noite fatídica.

Palavras finais e a "entrevista perdida" de Bruce Lee


Bruce e sua eterna esposa, Linda Emery

O que mais há pra escrever a respeito de uma pessoa como Bruce Lee? Muito.

Certamente ele não era perfeito, ninguém é.

Talvez não fosse o melhor lutador de kung fu de seu tempo, talvez fosse.

Naturalmente, seus feitos são sobrevalorizados por seus fãs e pelos que tem interesse em perpetuar o mito para, de alguma forma, continuar ganhando dinheiro com isso.

E, como vimos, é impossível chegar até onde ele chegou sem deixar alguns desafetos pelo caminho. Incrivelmente, parece ter deixado também muitos amigos e admiradores.

Além disso, é inegável que ele mudou o mundo e contribuiu mais que a maioria dos políticos, como costuma acontecer com frequência, para a aproximação do Oriente e do Ocidente.

Mesmo que isso tenha se dado por meio da glamorização da violência.

Também é inegável que sua influência ultrapassou a barreira do tempo e permanece até os dias atuais, com inúmeras homenagens e obras a seu respeito ainda sendo lançadas.

Mas nada do que se escreva pode substituir as palavras do próprio mestre. Por isso deixo você com essa chamada "Entrevista Perdida", que ele deu a Pierre Berton em 1971:


Por fim, não se esqueça:

Seja como a água, meu amigo.

Zài Jiàn!



Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.




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Guerreiros de terracota, monastério suspenso, curvas na estrada e ponte da lua nas fotos do mês


Clique de uma máquina fotográfica Canon com reflexo do fotógrafo na lente

Opa, que bom contar com você neste quarto post com as fotos chinesas do mês.

A série começou em junho com esse post e já nos entregou algumas imagens sensacionais (e outras nem tanto assim, confesso) do Reino do Meio.

E enquanto o livro a respeito de Sun Tzu, o autor d'A Arte da Guerra, está sendo lentamente gestado, continue a apreciar comigo mais algumas escolhidas a dedo:

  • Curvas na estrada;
  • Ponte da lua;
  • Monastério suspenso; e
  • Guerreiros de Terracota (sim, de novo).

E pode comentar à vontade lá embaixo - como sempre.

Curvas na estrada

Mais uma fotografia relacionada à montanha Tianmen, desta vez com uma estrada especialmente talhada para uma Viagem de Moto:

A maior atração para os motociclistas é um trecho de 11 km com 99 curvas, que atinge o topo da montanha e leva os visitantes para a Caverna Tianmen, um buraco natural na montanha com uma altura de 131,5 metros.




Ponte da lua de Hunan

Acabei descobrindo que o termo se refere a um tipo de ponte - essa é em Hunan. O Wise Geek tem uma página sobre esse tipo de construção e foi de lá que extraí o trecho a seguir:

A moon bridge, which is sometimes called a drum bridge, is a decorative pedestrian structure that is often placed over water, giving it the basic form of a bridge. This type of bridge can be made from any number of materials and is defined, not by the way it bears weight, but by the tall, rounded shape under the bridge. The half-circle shape is designed in such a way that when water is under the bridge it is reflected into a full circle, giving the appearance of a full moon or a drum.



Monastério suspenso

Além de disponibilizar ao mundo um sistema filosófico-espiritual dos mais interessantes, o taoismo também foi capaz de realizar proezas como essa - mas já adianto que esse ângulo da foto engana um pouco, o que não diminui em nada o feito.

Na Epoch Times dá pra ver outro ângulo e também um texto sobre o mosteiro:

O mosteiro Xuan Kong Si, comumente chamado de Mosteiro Suspenso, fica localizado na província de Shanxi, a 65 quilómetros a noroeste de Datong, na China. Foi construído no ano de 491 d.C., sobre a vertente do desfiladeiro Jinlong, sobre a montanha Heng Shan, que é uma das cinco montanhas sagradas do Taoísmo e uma das mais altas da China.




Guerreiros de Terracota

Mais uma do famoso Exército de Terracota de Xian - e não será a última. Olha só o que a Christine Marote, do China na Minha Vida, escreveu sobre eles:

Existem algumas coisas no mundo que não adianta você mostrar fotos, tentar explicar a grandiosidade ou o impacto que aquilo causa. Os Guerreiros de Xi’an fazem parte desse grupo. Como tantas outras coisas aqui na China: a Muralha da China, o Festival de Esculturas de gelo de Harbin e assim vai.



Click final

E ficamos por aqui.

Como já deixei claro no primeiro post desta série, teremos sempre quatro fotos por publicação, uma para cada semana do mês.

Além disso, você não verá na série os créditos ao final - como tenho feito nos textos regulares (veja um exemplo aqui no texto sobre o horóscopo chinês). No entanto, em se tratando de pins do Pinterest, você sempre pode seguir a foto até encontrar a origem e (com alguma sorte) o autor.

A exceção a respeito dos créditos irá para a foto de abertura, que a princípio será sempre de um tema relacionado à arte de fotografar.

Espero que tenha gostado e aguarde poucas e boas para o próximo mês.

Aliás, qual delas você achou melhor?

Claro que eu gostaria de saber da sua opinião nos comentários. Sinta-se à vontade para queimar o filme (ou não). 

Zài Jiàn!

Crédito da imagem de abertura


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Pontes de pedra, escadaria para os céus, terraço de arroz e mais corvos-marinhos nas fotos do mês


Máquina fotográfica quem jeitão antigo - Argus

Opa, voltamos com as fotos do mês e estou gostando mesmo de fazer esses posts. Já falei isso, né?

Neste mês é ainda mais especial, pois faz apenas cinco dias que foi celebrado o Dia Internacional da Fotografia - e também porque no início do mês, comemorei 38 invernos (firme e forte, igual a dor de dente).

Ok, me aniversário não tem nada a ver com isso - e por isso mesmo, deixemos de lero-lero e vamos direto ao que interessa: as fotos da China do mês.

E pode comentar à vontade lá embaixo.

Ponte de pedra

A mais longa e antiga ponte de pedra da China, pelo menos até 1905, de acordo com pessoal do OPERA SKACHAT:

Crossing Jinjing and Nanan, west of Fuzhou city, China, is An Binh stone bridge. Buildings are built of huge stone blocks from the 12th-century. The bridge has the length of 2070m, is considered one of the oldest bridges in the world. Until 1905, An Binh is the longest bridge in China.




Stairway to heaven

Eu canso só de olhar, e parece que tenho razão. Olha só o que publicou a Gazeta do Povo:

Criada para facilitar os acessos às montanhas de Taihang, tornou-se por si só em uma atração. A subida é árdua e enjoativa, com tantas voltas, mas o visual compensa. Não é permitida o acesso às pessoas com mais de 60 anos, além de ser necessária a assinatura de um formulário atestando boas condições físicas para a subida.



Terraço de arroz

Essa me lembrou da história da família Tian - (im)provável família de Sun Tzu, autor d'A Arte da Guerra.

E eu não sabia que esses campos eram Patrimônio da Humanidade. Asia Comentada escreve sobre eles:

Os terraços de Honghe Hani ficam na província de Yunnan, no sudoeste chinês, quase na fronteira com o Vietnã, e mesmo nos períodos das secas mais terríveis da região se mantêm verdes e produtivos. Como a região é montanhosa, terraços foram construídos para os plantios do arroz, como se fazem em algumas áreas asiáticas, pois mesmo os terrenos acidentados precisam ser aproveitados para esta produção vital do alimento básico da grande maioria dos povos da Ásia.




Pescador e cormorões (ou corvos-marinhos)

No primeiro post desta série tivemos uma foto com o mesmo tema - aliás, sensacional! E não é exclusividade da China, como podemos verificar no texto do Curionautas:

No Japão antigo e na China, os pescadores aprenderam a manter e treinar essas aves para auxiliá-los a capturar peixes nos rios. A prática é conhecida como pesca com cormorão ou "Ukai" no Japão e ainda é praticada em alguns lugares do país, particularmente no Rio Nagara na província de Gifu, onde a antiga arte tem uma longa história que remonta a mais de 1.300 anos.



Click final

E ficamos por aqui.

Como já deixei claro no primeiro post desta série, teremos sempre quatro fotos por publicação, uma para cada semana do mês.

Além disso, você não verá na série os créditos ao final - como tenho feito nos textos regulares (veja um exemplo aqui no texto sobre o ano novo chinês). No entanto, em se tratando de pins do Pinterest, você sempre pode seguir a foto até encontrar a origem e (com alguma sorte) o autor.

A exceção a respeito dos créditos irá para a foto de abertura, que a princípio será sempre de um tema relacionado à arte de fotografar.

Espero que tenha gostado e aguarde poucas e boas para o próximo mês.

Aliás, qual delas você achou melhor?

Claro que eu gostaria de saber da sua opinião nos comentários. Sinta-se à vontade para queimar o filme (ou não). 

Zài Jiàn!

Crédito da imagem de abertura


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17 grandes mestres da história das artes marciais chinesas

Um homem e uma mulher lutam kung fu ao por do sol

Vou contar um segredo com o qual acho que você vai se identificar. Eu sempre tenho um pé atrás com listas dos tipo:


E por aí vai.

Tudo isso tem um problema sério, que é: geralmente é uma pessoa que escreve esses textos com base em sua própria experiência com o assunto. Ou seja, a subjetividade em pessoa.

Testa lá!

Clica em um dos links acima e vê se você concorda – ou se não entende de nenhum desses assuntos, pesquisa no Google um que seja do seu entendimento. Pode ir, eu espero.

Viu só? Aposto que você achou que o primeiro não devia estar ali, ou que algo ou alguém ficou de fora da lista.

Por essa razão, sempre tento evitar fazer listas dos melhores – especialmente se o componente subjetivo é muito presente (e quase sempre o é).

Minhas listas

Aqui mesmo tenho alguns posts de listas nos quais você pode confirmar que, já no título, evito a palavra “melhores” e correlatas.

Por exemplo:


Por isso que o post que você lê agora, com 18 grandes mestres da história das artes marciais chinesas, também não afirma que esses aí são os maiores ou melhores de todos os tempos.

O que não quer dizer que, por uma razão ou outra, eles não tenham se destacado, concorda? Na verdade, disso eu não tenho dúvidas, nem você terá, depois de ler os entretantos e os finalmentes.

Vem comigo e depois dê o seu parecer nos comentários, combinado?

Yue Fei (1103 a 1142 da Era Comum, EC) – o homem da garra de águia


Estátua de Yue Fei, em seu memorial às margens do West Lake, em Hangzhou

Foi um famoso general chinês do período da dinastia Song. A ele é atribuída a criação de estilos como garra de águia e xingyiquan  - muito embora não haja evidências históricas para referendar isso.

Uma das lendas que o circundam informa que ele teria vencido um exército de vinte mil homens com apenas quinhentos soldados. Não é pra menos, o cara estudou as principais obras sobre estratégia disponíveis então, entre elas, A Arte da Guerra de Sun Tzu.

Pelo menos é o que nos informa o texto do Bad Ass of the Week:

As he got older, Yue Fei grew strong, working long days on the farm and spending his nights studying martial arts under a highly-respected village elder who also so happened to be a badass archery instructor and kung fu master. Yue read Sun Tzu's Art of War, the Three Kingdoms and other works of tactics or classical heroism intensely, and mastered the Eighteen Weapons of War, a traditional assortment of Wushu asskicking devices that ranged from time-honored staples like swords, axes, hammers, spears, quarterstaves, and halberds to some seriously off-the-wall shit like the trident, the chain whip, the hook sword, and whatever the hell a Meteor Hammer is.


Ng Mui (final do século XVII) – a criadora do wing chun?



A única mulher a fazer parte desta lista, é considerada a fundadora de muitos estilos de artes marciais do sul, tais como wing chun e garça branca de fujian.

Ela é também  considerada um dos lendários Cinco Idosos que sobreviveram à destruição do Templo de Shaolin durante a Dinastia Qing.

Dá só uma olhada no que o pessoal da Academia Pinheiros relata a seu respeito:

Ng Mui incorporou características da garça e da serpente, tais como a agressividade; a percepção do espaço; a maneira precisa e o emboscar para a captura da presa. Ng Mui utilizou sua criação de técnicas de combate para completar o que já conhecera e aprendera.


Yang Luchan (1799 a 1872 EC) – o mestre do tai chi chuan


Estátuas representando a transmissão de conhecimentos do Mestre Chen Changxing (à esquerda) para o Mestre Yang Luchan (à direita) - da Vila Chen.

Foi um importante professor da arte marcial interna conhecida como t'ai chi ch'uan, em Pequim, durante a segunda metade do século 19.

Yang é conhecido como o fundador do estilo de Tai Chi Chuan que leva seu próprio nome, bem como pela transmissão da arte para as famílias Wu/Hao, Wu e Sun.

No portal da Equilibrius tem mais informações sobre ele, tais como:

Quando Yang Luchan saiu do seio da família Chen foi desafiado por muitos praticantes de outras artes e suas performances nas lutas eram tão excelentes que recebeu o apelido de "O INVENCÍVEL YANG!". Foi inclusive convidado a ensinar na corte do imperador da época sendo treinador da Guarda Imperial da Dinastia Qing. Percebendo que muitos tinham dificuldades em acompanhar os treinos árduos e que inclusive os parentes do Imperador tinham a saúde muito fraca, e que através dos treinos os soldados feridos se recuperavam mais rapidamente, compreendeu os benefícios que o Tai Chi Chuan trazia para a saúde e foi modificando gradualmente as formas para adaptar as necessidades dos praticantes, tornando o Tai Chi mais acessível. Estas mudanças graduais tiveram grande influência nas próximas gerações de mestres de Tai Chi Chuan. A forma que Yang Luchan desenvolveu, ficou conhecida como a "Velha Forma".


Dez Tigres de Cantão (final do século XIX) – os rebeldes com causa



Foi um grupo de dez dos melhores mestres de artes marciais chinesas em Guangdong (Cantão) no período final da dinastia Qing (1644-1912 EC).

Wong Kei-Ying, o pai de Wong Fei Hung (é só continuar a leitura), foi um membro deste grupo.

Neste site tem a relação completa deles e mais informações, em inglês. Nesta página do Facebook, encontramos o seguinte relato:

Durante aquela era dourada do Kungfu, dez heróis com tendências anti-Qing levantaram-se no que é agora chamado Guangdong.Lendas desses dez Tigres de Cantão têm sido recontadas nos filmes, especialmente porque um membro, Wong Kei Ying, foi o pai do personagem de cinema mais celebrado da China, Wong Fei Hung.


Wong Fei Hung (1847 a 1924 EC) – o grande herói nacional


Estátua de Wong Fei Hung à entrada de seu museu, em Foshan.

Considerado um herói do povo chinês durante o período republicano, teve mais de 200 filmes sobre a sua vida produzidos em Hong Kong.

Entre os famosos que hoje conhecemos, Jet Li e Jackie Chan o interpretaram no cinema.

Como você já deve ter lido ali em cima, ele era filho de um dos Dez Tigres de Cantão, Wong Kei-Ying.

Veja só o que a Superinteressante publicou sobre ele em seu portal:

O mestre Wong, apesar de pacífico, socava inimigos de vez em quando. As tríades (a máfia chinesa), os políticos corruptos e os representantes das potências européias o odiavam. E o temiam. Wong nunca foi vencido em duelo. Era um mestre em vários estilos de luta e exímio no manejo do bastão. Treinou as milícias nacionalistas que lutavam contra a ocupação da China pela Inglaterra. Mas seu maior feito foi tratar do povo com ervas medicinais e acupuntura. De graça. Assim tornou-se um ídolo popular.


Huo Yuanjia (1867 a 1910 EC) – o defensor dos valores chineses


Jet Li representando Huo Yuanjia no filme O Mestre das Armas (Fearless, 2006)

De saúde frágil na infância, seu pai não queria que ele aprendesse o kung fu. Mas sua insistência e persistência acabou por mudar a opinião paterna.

Foi o fundador da Associação Atlética Chin Woo, que era conhecida por seus embates de grande repercussão com estrangeiros - com vistas a chamar atenção para a defesa dos valores nacionais.

O História Blog tem um texto bem instrutivo sobre o mestre:

A fama do lutador foi crescente com vitórias em competições, demonstrações de bravura e habilidade e até mesmo atos heroicos, como o enfrentamento a um conhecido bandido da região. Mas foi a partir de 1902 que ele passou a empregar mais uma motivação diante dos combates: Reafirmar os valores chineses. Encarou desafiantes ocidentais que lutavam boxe e luta livre, alguns dos quais se proclamavam como “homem mais forte do mundo” e venceu a cada um desses imitadores de Hércules. Os desafios mobilizavam mais do que montantes em apostas, mas interesses políticos também.

Sua biografia foi (não tão) recentemente retratada no filme O Mestre das Armas (Fearless, 2006).


Yip Man (1893 a 1972 EC) – o mestre do mestre


Foto de Yip Man, em exposição no seu museu.

Foi um mestre do wing chun e o primeiro a ensinar esse estilo abertamente.

Modesto e carismático, era admirado por seu jeito simples, mas acabou sendo perseguido pelos japoneses, durante a invasão à China.

A Rolling Stone tem um breve perfil de Yip Man, do qual destaco o trecho a seguir:

O ano era 1937. Sua fama chegou aos ouvidos dos japoneses, que, achando serem racialmente invencíveis, o testavam. Lutavam com ele e perdiam. Queriam que Yip Man lhes ensinasse a técnica, mas ele se negou e acabou com todos os bens confiscados pelo exército imperial japonês. Por sorte não foi executado. Sua mansão foi transformada em quartel-general. Teve de viver em extrema pobreza e, como só sabia artes marciais, viu-se obrigado a quebrar a promessa que fez para Leung Bik e começou a ensinar wing chun para chineses que buscavam defesa contra o exército japonês. A maioria dos principais ramos de wing chun ensinados no Ocidente de hoje foram desenvolvidos e promovidos por alunos de Yip Man.

Ganhou notoriedade mundial por ter sido o professor de Bruce Lee.

Gu Ruzhang ou Ku Yu Cheung (1894 a 1952 EC) – o verdadeiro Punho de Ferro (ou quase)



Foi um artista marcial chinês que disseminou o sistema de artes marciais bak siu lum (Shaolin do Norte) em todo o sul da China no início do século XX.

Gu era conhecido por sua perícia no condicionamento de mão conhecido como palma de ferro, entre outros exercícios de treinamento de arte marcial chinesa.

O site da Academia Shaolin Valinhos tem uma biografia de Gu Ruzhang, da qual achei bacana destacar o trecho a seguir:

Em 1928 participou do Exame Nacional de Artes Marciais de Nanjing, um torneio no qual foram consagrados os 15 campeões da China e numa votação mestre Ku Yu Cheung foi eleito em primeiro lugar. Após tal competição, mestre Ku Yu Cheung junto com outros quatros campeões foram convidados pelo governo a lecionarem na famosa "Academia Central de Guoshu de Nanjing", sendo conhecidos como os cinco tigres do norte (Ku Yu Cheung, Wan Lai Sheng, Wan Lai Wu, Li Xian Wu e Fu Zhen Song).

No fim das contas, nem melhores, nem piores


Cheng Pei-pei representa Ng Mui no filme Wing Chun.

Como eu escrevi lá no começo, de maneira alguma quero dizer que esses aí são os dezessete melhores artistas marciais chineses de toda a história. Mesmo porque, você viu, há outros citados aí tão ou mais habilidosos que os dezessete.

Sem contar que não está relacionado o Bruce Lee - que vai ter um post somente para ele.

Por outro lado, não dá pra desconsiderá-los, uma vez que eles conseguiram deixar sua marca e contribuíram para a evolução e para a disseminação do wushu pelos quatro cantos do planeta.

Se hoje é difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar de kung fu, esse pessoalzinho aí em cima certamente tem culpa no cartório.

Também não quis incluir alguns famosos que ainda estão vivos e atuantes - como Jet Li, Jackie Chan e companhia. Deixarei esses e outros caras para alguns posts específicos, de um futuro não muito distante. Ou assim espero.

Enquanto isso, ficamos por aqui. Espero que tenha gostado e aguardo seus comentários.

Zài Jiàn!


Créditos e referências

Ilustrações e fotos creditadas na ordem em que aparecem no post.


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Guerreiros de terracota, a grande muralha, montanhas e campos amarelos nas fotos do mês


Foto de máquina fotogáfica com lente da Canon

Há um mês começamos esta série de posts com fotos da China, de hoje e de ontem, e sabe que já estou curtindo muito editar e publicar esse negócio?

Tenho juntado um monte de foto muito bacana - algumas simplesmente fantásticas, outras "marromeno", quase todas dignas de merecer um lugar ao sol.

E enquanto o livro a respeito de Sun Tzu, o autor d'A Arte da Guerra, está sendo lentamente gestado, vem comigo apreciar mais algumas imagens do Reino do Meio.

Hoje temos basicamente paisagens e clichês:

  • Montanha Amarela;
  • Campos de canola;
  • Guerreiros de Terracota; e
  • Grande Muralha da China.

E pode comentar à vontade lá embaixo.

Montanha Amarela (Huangshan)

Dá só uma olhada no que o pessoal do Epoch Times escreve a respeito dela:

São quase 80 picos com mais de 1000 metros de altura; na realidade a Montanha Amarela é uma cadeia de montanhas e vales. Na China, ela se destaca como sendo: “a Montanha número um abaixo do Céu”.  Também é admirada por seus pinheiros de aparência singular, por suas grandes pedras que formam piscinas naturais, por suas quedas d’águas e nuvens que parecem algodão.  O ambiente onírico da montanha, certamente invoca as imagens da mais tradicional arte chinesa.




Campos de canola

Lá no Hypeness você encontra o texto a seguir, sobre mais essa maravilha da China:

Durante a primavera, a região de Luoping, na China, se transforma numa espécie de oceano amarelo de flores, num cenário que parece vir de outro planeta. Fotógrafos de todo o mundo aproveitam a ocasião para capturar a beleza deste espetáculo natural, com colinas envolvidas por um amarelo brilhante e a perder de vista.



Guerreiros (ou Soldados) de Terracota

Já no primeiro parágrafo, Haroldo Castro sintetiza a importância do exército de Xi'an:

Percorrer cemitérios não é meu forte, mas o fato é que o imperador chinês Qin Shihuangdi edificou uma tumba que entrou para a história. Seu túmulo é tão importante como as Pirâmides de Giza e o Taj Mahal.




Grande Muralha da China

Mais uma obra que tem o dedo de Qin Shihuangdi, como podemos comprovar ao ler o texto da Mundo Estranho:

Por 1900 anos, os chineses ergueram muros para se proteger das invasões dos povos do norte. As primeiras barreiras surgiram antes da unificação do império, em 221 a.C. Ao transformar sete reinos em um país, o imperador Qin Shihuangdi (259-210 a.C.) começou a unificar a muralha, ampliada nas dinastias seguintes.



Click final

Como já deixei claro no primeiro post desta série, teremos sempre quatro fotos por publicação, uma para cada semana do mês.

Além disso, você não verá na série os créditos ao final - como tenho feito nos textos regulares (veja um exemplo aqui no texto sobre os Tian Wan). No entanto, em se tratando de pins do Pinterest, você sempre pode seguir a foto até encontrar a origem e (com alguma sorte) o autor.

A exceção a respeito dos créditos irá para a foto de abertura, que a princípio será sempre de um tema relacionado à arte de fotografar.

Espero que tenha gostado e aguarde poucas e boas para o próximo mês.

Aliás, qual delas você achou melhor?

Claro que eu gostaria de saber da sua opinião nos comentários. Sinta-se à vontade para queimar o filme (ou não). 

Zài Jiàn!

Crédito da imagem de abertura


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